Mundo
29/04/2009 - 11h12

Diante da gripe suína, máscara vira acessório obrigatório no Japão

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CÉLIA LOPEZ
da Efe, em Tóquio

As máscaras são uma peça comum na paisagem urbana do Japão, onde os fabricantes do produto faturam 200 milhões de euros ao ano com a venda desse artigo anti-infecções. Agora, com o temor de uma epidemia de gripe suína, as empresas comemoram o aumento significativo na demanda.

Apesar do Japão ainda não ter registrado nenhum caso suspeito da doença, tanto as autoridades sanitárias como os cidadãos começaram a adotar medidas de prevenção --que incluem a inspeção em passageiros dos voos internacionais e o aumento da compra de máscaras.

Em uma das principais lojas do aeroporto de Narita, em Tóquio, as vendas de máscaras entre os viajantes dobraram desde que, no último dia 23, foi divulgada a notícia do surto de gripe suína. A doença matou sete no México e um bebê mexicano nos Estados Unidos --vítima ainda não confirmada pela OMS (Organização Mundial de Saúde)--, além de ter casos confirmados em outros nove países.

A fabricante de produtos médicos Daiwabo estuda agora aumentar a produção de máscaras, afirmou um porta-voz, enquanto as ações do principal produtor japonês, a Unicharm, dispararam na Bolsa de Tóquio, com uma alta de 27%.

Segundo as estimativas do Ministério da Saúde do Japão, o uso deste produto, em função do modelo e da qualidade, evita a infecção em entre 95% e 99,9% dos casos.

Tradição

O emprego das máscaras medicinais no Japão remonta ao começo do século 20, quando eram consideradas uma forma de manter o calor no inverno.

A gripe espanhola, pandemia que, em 1918, matou pelo menos 40 milhões de pessoas no mundo, difundiu seu uso no Japão com fins preventivos.

Depois, na Segunda Guerra Mundial (1938-1945), as máscaras de gaze começaram a ser comercializadas, e se tornaram mais frequentes entre a população japonesa até o aparecimento das descartáveis, que agora representam 80% do total.

Na segunda metade do século 20, as máscaras começaram a ser usadas como método para evitar o contágio das gripes tradicionais no inverno, mas também foram ganhando um crescente valor às pessoas alérgicas.

Já em 2003, a maior fabricante japonesa, a Unicharm, elaborou um modelo 3D capaz de se adaptar com facilidade ao rosto, e que permitia às mulheres manter intacta a maquiagem.

O sucesso deste produto no país asiático foi muito amplo também por ter sido pensado especialmente para impedir a entrada do pólen na primavera, causa de muitos sintomas alérgicos.

Inicialmente, os japoneses usavam a máscara para evitar contagiar os demais, mas, após a campanha feita pelo Ministério da Saúde "Etiqueta de tosse", o artigo começou a ser empregado para prevenir doenças.

Aumento nas vendas

No Japão, o tipo de máscara mais vendido, segundo explicou um porta-voz de lojas de departamento de Tóquio, varia entre os 2,40 euros e os 4 euros, e elas são descritas como as ideais para prevenir vírus como o da gripe suína.

Devido à proximidade do verão no Japão (hemisfério norte), essas lojas de departamento atualmente contam com poucas provisões e creem que o produto "se esgotará em breve", acrescentou.

Normalmente nesta época as máscaras não são mais vendidas, pois, após o inverno, caem os índices de gripe, mas o pânico causado pela possível propagação da gripe suína alterou o ritmo de vendas este ano.

A alta procura por máscaras registrada nos últimos dias em muitos países do mundo, não só no Japão, desperta também o interesse dos investidores japoneses em aplicar em seus principais fabricantes.

As vendas de máscaras da Unicharm aumentaram em 150% entre o ano fiscal 2007 e o de 2008, explicaram fontes dessa companhia.

De acordo com os cálculos da empresa, as fabricantes do Japão dedicadas à venda de máscaras para uso pessoal geraram 240 milhões de euros em vendas no ano fiscal 2008, que terminou em março.

Comentários dos leitores
Glória Araújo (58) 27/11/2009 21h57
Glória Araújo (58) 27/11/2009 21h57
A população brasileira na sua maior parte é desinformada,consumistas sem formação média de cultura,outra grande fração são analfabetos,por exemplo saem para manifestações as mais diversas,mas, pode morrer um parente,um amigo da famosa gripe que ´´eles´´ não proucuram se unir para nenhuma manifestação. Portanto acho que o MS sabe com qual população estão tratando.Aconteça epidemia,não existirá reação.
O site de muita gente é outro, sua praia não é a saude. O governo sabe disso.Acho que o MS deve
aproveitar e entender também que essa coletividade vai piorar o contagio do H1N1.
Deveria acontecer campanhas de sensibilização e esclarecimentos para todos melhorar sua condiçao de conhecimento e ter interesse também para esse conhecimento,vai evitar propagação do H1N1.
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Ministério da Saúde (187) 26/11/2009 10h36
Ministério da Saúde (187) 26/11/2009 10h36
Willian Giaz,
O Ministério da Saúde está atento e continua realizando todas as ações relacionadas à Influenza A (H1N1). Cabe ressaltar que o número de casos graves da doença e de óbitos vem diminuindo. Estamos sempre à disposição.
1 opinião
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Ministério da Saúde (187) 26/11/2009 10h25
Ministério da Saúde (187) 26/11/2009 10h25
Augusto Pestana,
Apesar de ainda serem notificados novos casos graves de Influenza A (H1N1), esse número teve uma grande redução. No Brasil, em comparação com a semana epidemiológica com o maior número de notificações, a semana epidemiológica 44 (até 07 de novembro), apresentou redução de 97%. Esse decréscimo também ocorreu nas regiões do país. Na região Sul, por exemplo, a redução foi de 98%. Continuamos à disposição.
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