Por mudança, panamenhos votam em novo presidente neste domingo
da Folha Online
As eleições gerais no Panamá começaram neste domingo com a abertura dos centros de votação em todo o país às 7h (9h no horário de Brasília). Os eleitores se dividem entre a direita, representada pelo empresário multimilionário Ricardo Martinelli, e a esquerda oficialista de Balbina Herrera.
Nestas eleições, 2.211.261 cidadãos com mais de 18 anos estão convocados às urnas para escolher o presidente, o vice-presidente, 71 deputados à Assembleia Legislativa, 75 prefeitos e 20 membros do Parlamento Centro-Americano (Parlacen) para o período 2009-2014.
| Alberto Lowe /Reuters |
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| Candidata presidencial Balbina Herrera vota na eleição deste domingo no Panamá; cerca de 3 milhões de eleitores podem votar |
As 5.613 mesas de votação, distribuídas em 2.832 colégios eleitorais em todo o país --que tem 3,3 milhões de habitantes-, fecharão às 16h (18h no horário de Brasília).
Gerardo Solís, um dos três magistrados do Tribunal Eleitoral (TE), disse que o eleitorado panamenho "é altamente politizado" e que, tradicionalmente, a participação nas consultas populares supera 70%.
A Organização dos Estados Americanos (OEA) enviou ao Panamá 53 observadores de 13 países da América e da Europa, que foram para diferentes regiões do país.
Favorito
O candidato favorito à Presidência, segundo todas as pesquisas, é o empresário Ricardo Martinelli, fundador e líder do partido Mudança Democrática (CD).
Martinelli reuniu na Aliança pela Mudança (AD) sob sua candidatura presidencial os tradicionais Partido Panameñista (PPa), Partido Molirena e a União Patriótica (UP).
Em segundo lugar, aparece a candidata do Partido Revolucionário Democrático (PRD), a ex-ministra Balbina Herrera, que também é apoiada pelo Partido Popular (PP) e pelo Partido Liberal (PL).
Guillermo Endara, advogado de 72 anos, ex-presidente do Panamá de 1989 a 1994, aparece em terceiro, com intenções de voto - segundo as enquetes --de cerca de 4% à candidatura à frente da Vanguarda Moral da Pátria (VMP).
Mudança
Apesar da economia ir de vento em popa com o governo de Martín Torrijos, filho do emblemático general Omar Torrijos, os panamenhos parecem dispostos à mudança, como indicam as pesquisas que apontam Martinelli como favorito em sua segunda tentativa de chegar ao Palácio das Graças, a sede da presidência.
Este multimilionário, proprietário da principal cadeia de supermercados do país, não economizou em sua campanha, muito mais vibrante que a de Herrera.
| Mariana Bazo/Reuters |
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| O candidato Ricardo Martinelli oferece café da manhã aos jornalistas em sua casa, antes das eleições presidenciais |
A campanha de Herrera, ex-ministra da Habitação, de 54 anos, também se vê prejudicada pelas declarações do colombiano David Murcia --preso em seu país por fraudar milhares de compatriotas com um "esquema de pirâmide", e que assegura que deu US$ 3 milhões a ela.
Independente de quem assumir a presidência a partir de 1º de julho, não parece que vá ocorrer uma mudança de rumo na economia do país, uma das mais globalizadas do continente, junto com a chilena, e uma das mais bem sucedidas, com um crescimento médio nos últimos três anos de 9,7%.
As obras de ampliação do Canal do Panamá --uma "galinha dos ovos de ouro", pelo qual transita 5% do comércio mundial--, iniciadas em 2007 por um total de 5,25 bilhões de dólares, o "boom" da construção (que em 2008 cresceu 30,5%, sendo 90% só na capital), o transporte, armazenamento e comunicações --setor que representou 21% do PIB no ano passado--, os serviços marítimos e o turismo --última aposta do governo de Torrijos--, têm sido os motores do êxito do dragão centro-americano.
"Nenhum dos dois candidatos colocará em perigo o sistema", afirma Arístides Hernández, presidente da agência Latin Consulting.
Mas alguns dos problemas mais urgentes que o vencedor das eleições deverá atacar são a insegurança --a principal preocupação dos panamenhos--, e a distribuição de rede --que é a pior da América Latina--, uma vez que o Panamá tem 28% da população vivendo na pobreza, em sua maioria indígenas.
Com Efe e France Presse
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