Presidente de Israel admite negociação dos EUA com o Irã
colaboração para a Folha Online
O presidente americano, Barack Obama, que adotou um tom de apoio menos explícito a Israel que seu antecessor, teve nesta terça-feira o primeiro encontro com uma alta autoridade israelense desde que assumiu o governo. A reunião de quase duas horas na Casa Branca com o presidente Shimon Peres terminou com uma manifestação de aprovação cautelosa do israelense ao plano de Obama de tentar resolver as diferenças com o Irã --incluindo as divergências em relação ao programa nuclear iraniano-- por meio da negociação.
Peres também tentou mostrar que há menos diferenças entre Obama e o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, que assumiu o governo em março com um discurso de endurecimento em relação ao Irã e aos palestinos.
O programa nuclear do Irã, desenvolvido em meio a duras críticas do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad a Israel e aos judeus, já levou o governo israelense a manifestar a intenção de atacar as instalações nucleares iranianas para impedir o desenvolvimento de uma bomba nuclear. O Irã diz que o programa é pacífico e visa à produção de energia elétrica.
"Estando o objetivo claro, por que não tentar todos os meios?", disse Peres, sobre os movimentos americanos de abertura em relação ao regime do Irã, ao mesmo tempo em que pressiona o país para não desenvolver armas nucleares. "Na medida em que eles não excluem qualquer opção, deixemos [...] os Estados Unidos selecionarem a ordem das coisas."
EUA e Irã mantêm relações tensas desde a tomada de poder pelos religiosos xiitas iranianos, em 1979, com a derrubada do xá Mohamad Reza Pahlevi, que tinha apoio americano. Os dois países cortaram relações diplomáticas no mesmo ano, quando estudantes invadiram a Embaixada americana em Teerã e deram início a uma ocupação, com reféns, que durou 444 dias.
Mas Obama tem tentado colocar em prática o gesto de "estender a mão" aos iranianos, como definiu sua estratégia de negociação, embora ainda sem uma significativa "abertura de punho" dos iranianos --a pré-condição que impôs para as conversas entre os países.
O encontro de Obama com Peres e a palavra do presidente israelense têm o peso da função que ele exerce na política de Israel, como um chefe de Estado encarregado de tarefas cerimoniais. Mais do que simbólica deve ser a visita de Netanyahu, marcada para o fim deste mês. Antigo rival de Peres --a quem derrotou na disputa pelo governo nos anos 90.
Nos anos 90, ele se opôs a muitos dos termos negociados entre seu antecessor Yitzhak Rabin --de quem Peres era chanceler-- e o líder palestino Iasser Arafat, sob patrocínio do então presidente americano, Bill Clinton.
Peres disse nesta terça-feira que o governo de Netanyahu vai respeitar os acordos feitos pelos dirigentes israelenses anteriores, incluindo o compromisso de negociar a criação de um Estado palestino convivendo ao lado de Israel. O presidente israelense sugeriu que o primeiro-ministro, embora não o declarando explicitamente, defende uma ideia de paz que inclui a criação de um Estado palestino, referindo-se a declarações de Netanyahu de que acha as negociações bem vindas e de que não deseja governar os palestinos.
Horas antes do encontro na Casa Branca, o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, disse que Israel deve incentivar um acordo de paz que envolva a criação de um Estado palestino, algo que, segundo ele, exige pôr fim aos assentamentos judaicos.
"Israel tem que trabalhar com a solução de dois Estados", afirmou hoje Biden em discurso ao grupo de lobby pró-israelense Aipac na capital americana. "Vocês não vão gostar que eu diga isto, mas não construam mais assentamentos, derrubem os que já existem e permitam o livre trânsito dos palestinos."
Com Associated Press e Efe
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