Mundo
06/05/2009 - 08h56

Israel tenta fazer que Irã seja centro de conversas com EUA

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ANDREA MURTA
da Folha de S. Paulo, em Nova York

Os presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e de Israel, Shimon Peres, tiveram nesta terça-feira em Washington seu primeiro encontro, ocorrido sob a sombra de discordâncias de seus governos sobre as prioridades para a paz no Oriente Médio.

O novo governo israelense pressiona pelo foco na ameaça de um Irã nuclear. A Casa Branca insiste na solução de dois Estados para a questão palestina.

A questão do Irã recebeu atenção de várias frentes, em preparação à reunião que Obama fará com o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, no próximo dia 18.

Peres, cuja função é mais cerimonial, afirmou que Israel deve apoiar as tentativas americanas de engajar Teerã diplomaticamente. Mas comparou os iranianos aos nazistas.

"O Irã não é uma ameaça só a Israel, mas a todo o mundo. Se a Europa tivesse lidado seriamente com Hitler [antes da Segunda Guerra], o Holocausto e a perda de milhões de vidas poderiam ter sido evitadas", disse.

Em reunião com a secretária de Estado, Hillary Clinton, Peres declarou que Israel não dará "ultimatos" aos EUA no tema. "Se querem diplomacia, espero que tenham sucesso", disse ao jornal "Haaretz".

Já o chanceler israelense, o ultranacionalista Avigdor Liberman, foi menos sutil nesta terça-feira. Ele disse na França que o Ocidente deve dar três meses para tentativas diplomáticas sobre o programa nuclear. Se Teerã não responder no prazo, "uma ação terá de ser tomada", disse.

Do lado americano, uma primeira resposta ficou a cargo do secretário da Defesa, Robert Gates. Ele disse, no Egito, que não há nenhuma "barganha secreta" em curso com Teerã.

Ele externou ceticismo sobre a reação do país persa aos acenos feitos por Washington e ponderou que os EUA continuam interessados em "parar o programa de armas nucleares do Irã" e em "impedir os esforços desestabilizadores do país pela região". O Irã diz que seu programa nuclear é pacífico.

Palestinos

Sobre a questão palestina, Peres disse na saída do encontro com o Obama que "[Israel] está pronto para negociar com palestinos e com sírios". "Creio que esta é uma oportunidade que não pode ser adiada."

Ele não citou especificamente um Estado palestino. O governo de Netanyahu, no poder há pouco mais de um mês, rejeita a solução de dois Estados, norte das discussões de paz desde os Acordos de Oslo (1993). Mas
Peres indicou ter afirmado a Obama que Netanyahu respeitará pactos prévios.

Obama não se pronunciou a respeito, mas seu vice, Joe Biden, disse ontem ao Comitê Americano de Assuntos Públicos de Israel que o governo está comprometido com a criação do Estado palestino.

Oposição

Peres respondeu ainda a uma entrevista concedida pelo líder do grupo radical palestino Hamas, Khaled Meshaal, ao "New York Times". Ele prometeu ao "governo americano e à comunidade internacional que seremos parte da solução" do conflito na região. O Hamas hoje controla a faixa de Gaza.

"Disse à secretária de Estado que o problema do Hamas agora pertence ao Egito, a Abu Mazen [o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas], aos palestinos, basicamente ao mundo sunita."

Outra resposta à entrevista partiu da ex-chanceler israelense Tzipi Livni, que falou ontem em Nova York em evento do think-tank Council on Foreign Affairs. "Meshaal disse que quer um Estado palestino nas áreas anexadas por Israel em 1967. Mas dará em troca o reconhecimento do direito de Israel de existir? Não, dará dez anos de trégua. Não basta."

Hoje líder da oposição em Israel, ela se recusou ontem a "criticar o governo israelense fora de Israel". Preferiu o discurso vigente, que prioriza a atenção ao Irã e afirmou crer que o encontro de Netanyahu com Obama no dia 18 não trará soluções, mas só o "início de um diálogo".

Comentários dos leitores
O Pacificador (220) 27/11/2009 23h53
O Pacificador (220) 27/11/2009 23h53
E lula responde á Carta do Obama...
Deve ter começado mais ou menos assim:
"Pô Obama, você não disse que eu era "o cara"? Então, eu acreditei, achei que era pra valer..."
A cumparenhada finalmente começa a acordar para a realidade, para o que eles são na verdade, ou seja nada, um zerão redondão á esquerda (que por coincidência, é o lado favorito deles...).
Lula agora, o ator enganador, se tornou o personagem principal daquele filme:
"O Rato que Ruge..."
Responder para Obama? Ele?
Só se for...
Sim senhor!
sem opinião
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Carlos Gonçalves (406) 27/11/2009 17h47
Carlos Gonçalves (406) 27/11/2009 17h47
Até quando os americanos podem matar e não serem responsáveis pelos crimes que cometem contra civilizações iraquiana, afegãs, entre outras.? 3 opiniões
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Natália Barcelo (1) 26/11/2009 11h12
Natália Barcelo (1) 26/11/2009 11h12
Os EUA influencia, ainda que sutilmente, decisões internacionais. Lula, no meu ponto de vista, fez certo em receber Ahmadinejad a fim de estabelecer, além de esclarecer sua posição em relação ao enriquecimento de urânio do Irã. Afirmando que apoia desde que seja para fins pacíficos, em outras palavras; desde que voces nao façam uma bomba atómica. O que prova ser contraditório, pois uma região como o Irã com tantos conflitos e uma notável instabilidade, pode intencionalmente criar armas nucleares a fim de se "precaverem". Lula reafirmou sua posiçao de nem lá nem cá. Concorda com o Irã, mas sem entrar em divergencia com os EUA. sem opinião
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