Mundo
07/05/2009 - 08h23

Cancelamento da visita iraniana foi "alívio", diz ministro

Publicidade

MARCELO NINIO
da Folha de S. Paulo, em Genebra

O cancelamento da visita ao Brasil do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, causou desconforto no Itamaraty, mas foi festejado em outros setores do governo. "Foi um alívio", admitiu o ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos.

O discurso incendiário que Ahmadinejad fez recentemente em Genebra, chamando Israel de racista e questionando o Holocausto, tornou o momento desfavorável para a visita, acredita Vannuchi.

"É gravíssimo que um chefe de Estado coloque o Holocausto em questão em 2009", disse o ministro. "É como expressar simpatia com Hitler."

Vannuchi disse não saber se a desistência iraniana foi um troco às críticas que o governo brasileiro fez ao discurso de Ahmadinejad durante a Conferência contra o Racismo da ONU (Organização das Nações Unidas), em Genebra. Mas garantiu que o governo manifestaria sua insatisfação durante a visita.

"O presidente Lula prometeu que tocaria no assunto na semana passada, diante de mim e do presidente do Conselho de Direitos Humanos da ONU", disse Vannuchi.

Mal-estar

A razão alegada por Teerã para adiar a visita sem marcar nova data foi a de que o presidente estaria ocupado com compromissos ligados ao pleito de 12 de junho, quando tentará a reeleição. O que é certo é que a controvertida passagem de Ahmadinejad por Genebra, há quase duas semanas, causara mal-estar entre Brasil e Irã.

Na véspera da conferência, a Embaixada do Brasil em Teerã fizera um apelo ao presidente iraniano para que moderasse seu discurso, mas não foi atendida. Do pódio da ONU, Ahmadinejad manteve os ataques a Israel, o que provocou uma debandada dos diplomatas da União Europeia e tumultuou a conferência.

A delegação brasileira não se retirou, mas depois condenou o Irã no plenário da ONU. O Itamaraty também emitiu nota reiterando a crítica, além de convocar o embaixador iraniano para dar satisfações.

Apesar de admitir que a desistência iraniana foi "um alívio do ponto de vista dos direitos humanos", Vannuchi não era contra a visita de Ahmadinejad. Ele acha que seria uma boa oportunidade para o governo mostrar a sua posição. "O Brasil não pode ficar omisso."

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca