Irã nega que Ahmadinejad cancelou viagem ao Brasil por pressões
da Efe, em Teerã
da Folha Online
O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores do Irã, Hassan Qashghavi, negou nesta segunda-feira que a visita que o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, planejava realizar ao Brasil tenha sido cancelada devido a pressões.
"A viagem não foi suspensa pela parte brasileira, como foi dito. Foi o Irã que cancelou a visita devido às ocupações do presidente", ressaltou Qashghavi, durante sua entrevista coletiva semanal, repetindo o argumento de Teerã.
| Vahid Salemi/AP |
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| Presidente Mahmoud Ahmadinejad cumprimenta repórteres; ele cancelou visita ao Brasil |
Ahmadinejad deveria realizar em 4 de maio passado uma viagem latino-americana, que o levaria primeiro ao Brasil e depois à Venezuela. Na época, a razão alegada por Teerã foi a de que o presidente estaria ocupado com compromissos ligados ao pleito de 12 de junho, quando tentará a reeleição.
Mesmo antes da data prevista para sua chegada, a visita de Ahmadinejad levou a protestos das comunidades gays, judaicas e evangélicas diante das polêmicos do presidente iraniano. No governo brasileiro, o cancelamento da visita chegou a irritar alguns setores do Itamaraty, mas foi considerado "um alívio" pelo ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos.
Relações inafetadas
O porta-voz do ministério reiterou, contudo, que os laços entre Irã e América Latina, e especialmente com o Brasil, "são crescentes" já que os dois são Estados com grande influência em suas respectivas regiões.
Qashghavi também falou sobre as difíceis relações entre o Irã e os países árabes da região, e minimizou a importância dos esforços de "inimigos" que tentam prejudicá-las.
"A criação da fobia em relação ao Irã e ao xiismo é um projeto que os inimigos utilizam para tentar prejudicar nossas boas relações com os países árabes da região. É uma estratégia destinada ao fracasso", disse.
Relações impossíveis
Neste sentido, Qashghavi disse que não existe risco de que a possível aproximação entre Irã e EUA prejudique os Estados árabes, já que, segundo ele, essas relações se baseiam em dois fatores elementares: o Islã e a vizinhança.
"Os EUA não têm os dois. É por isso que temos boas relações comerciais e políticas com os países árabes, enquanto não temos relações com os EUA há 30 anos", afirmou.
EUA e Irã romperam seus laços diplomáticos em abril de 1980, após a vitória da Revolução Islâmica que tirou do poder o último xá da Pérsia, o pró-ocidental Mohammed Reza Pahlevi.
O presidente americano, Barack Obama, ofereceu ao regime de Teerã uma nova relação, se o Irã decidir "abrir o punho" e iniciar sérias conversas de desnuclearização.
Por último, Qashghavi insistiu em que não existe possibilidade de comparação entre as atividades nucleares do Irã e as de Israel, já que "as de nosso país são pacíficas, enquanto o regime sionista, como confessaram suas próprias autoridades, tem 200 ogivas nucleares".
A comunidade internacional, com EUA, Israel e União Europeia à frente, acusa o Irã de esconder, sob seu programa nuclear civil, um projeto militar paralelo cujo objetivo seria a aquisição de um arsenal atômico.
Com Folha de S. Paulo
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