Mundo
12/05/2009 - 17h19

Jornalista presa no Irã tinha cópia de relatório secreto

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da Folha Online

O advogado de Roxana Saberi, 32, revelou nesta terça-feira, um dia depois de a Justiça do Irã mandar soltá-la, que a jornalista --que tem cidadania iraniana e americana-- foi condenada por espionagem porque possuía uma cópia de um relatório confidencial do governo iraniano a respeito da presença americana no Iraque.

Saberi afirma que copiou o documento por curiosidade, quando trabalhava como tradutora free-lancer para um grupo poderoso ligado aos clérigos iranianos. O documento acabou se tornando base para as acusações contra a jovem no seu julgamento feito a portas fechadas, contou o advogado Saleh Nikbakht. Outro argumento usado foi uma viagem que Saberi fez a Israel em 2006 --o Irã proíbe seus cidadãos de visitar Israel, seu inimigo na região.

Hasan Sarbakhshian/AP
Roxana Saberi, 32, a jornalista que passou quatro meses presa no Irã por espionagem
Roxana Saberi, 32, a jornalista que passou quatro meses presa no Irã por espionagem

Nesta segunda-feira (11), um tribunal de apelações do Irã acatou um recurso e diminuiu a pena de oito anos de prisão à qual Saberi havia sido condenada para uma pena condicional, de dois anos, que apenas a proíbe de cometer crimes e de trabalhar como jornalista no Irã pelos próximos cinco anos.

"É claro que estou muito feliz de ter sido libertada e estar com meus pais novamente. Eu quero agradecer a todas as pessoas do mundo que, como eu acabei de descobrir, quer me conhecessem quer não, ajudaram minha família nesse período", afirmou a jornalista à mídia em sua primeira entrevista. "Não tenho planos específicos neste momento. Só quero estar com os meus pais, meus amigos e relaxar."

Saberi e os pais --ele, iraniano e ela, japonesa-- retornam para os EUA nos próximos dias. "Não existe nenhum impedimento. Há só algumas questões pessoais para resolver."

Saberi foi criada no Estado americano de Dakota do Norte. Ela estudou jornalismo e relações internacionais e, há seis anos, morava e trabalhava no Irã. Ela foi presa em janeiro passado, inicialmente acusada de comprar uma garrafa de vinho, já que o consumo de álcool é proibido no país. Mais tarde, a Chancelaria iraniana afirmou que a jornalista trabalhava de forma ilegal no país, pois suas credenciais de imprensa teriam expirado. Só pouco antes do julgamento foi que a Justiça iraniana acusou Roxana de trabalhar como 'espiã' americana.

Conforme o advogado, embora tenha sido proibida de se manifestar na audiência da qual saiu condenada, Saberi pode falar durante a audiência de apelação. Ela pediu desculpas aos juízes por ter copiado o documento sigiloso e disse que o ato foi um erro. A defesa ainda convenceu os juízes de que Saberi não realizou atividades contra o Irã, quando esteve em Israel.

Com Efe e Associated Press

 

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