Mundo
17/05/2009 - 11h20

Premiê de Israel abranda discurso antes de visita a Obama

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SAMY ADGHIRNI
da Folha de S.Paulo
ANDREA MURTA
da Folha de S.Paulo, em Nova York

Em uma tentativa de atenuar a expectativa de confrontação com Barack Obama, o governo do premiê Binyamin Netanyahu vem adotando nos últimos dias um discurso mais conciliador em relação aos planos da Casa Branca no Oriente Médio.

O objetivo é criar uma atmosfera amigável e evitar atritos no primeiro encontro com o popular presidente americano, que exige de Netanyahu apoio à criação de um Estado palestino e rejeita --ao menos por enquanto-- um ataque ao Irã.

Uriel Sinai/Manuel Balce Ceneta/AP
O premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, e o presidente dos EUA, Barack Obama, que irão se reunir pela primeira vez em Washington
O premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, e o presidente dos EUA, Barack Obama, que irão se reunir pela primeira vez em Washington

Ontem, em entrevista à TV, o ministro da Defesa do país, Ehud Barak, abrandou o tom de seu governo em relação à solução de dois Estados. Ele afirmou "acreditar" que Netanyahu "está pronto para um processo cuja meta seja dois Estados para dois povos".

O esforço retórico já havia sido percebido na visita que o próprio Netanyahu fez na segunda ao Egito, único país árabe, ao lado da Jordânia, com quem Israel tem relações normais. Em um tom que destoa do discurso habitual, o premiê elogiou a "grande nação árabe" e disse buscar a paz com "todos".

O aceno estava direcionado tanto ao Cairo, como parte dos planos israelenses de erguer uma frente regional contra o Irã, quanto para Washington.

O tom conciliador está, ainda, em declarações da diplomacia israelense. "Sempre surgem relatos de supostas divergências entre Israel e EUA quando mudam os governos", desconversa Raphael Singer, porta-voz da Embaixada em Brasília.

Citando Menachem Begin, que selou a paz com o Egito (1979), Ariel Sharon, que pôs fim à ocupação de Gaza (2005), e o próprio Netanyahu, que, em seu primeiro mandato como premiê, retirou o Exército de parte de Hebron (1998), Singer sugere que governos de direitistas historicamente fizeram mais concessões aos árabes que os de esquerda.

O discurso apaziguador também se delineia por expressões que assessores de Netanyahu tentam semear às vésperas do encontro com Obama. Após pregar um plano de "paz econômica", o governo do premiê recentemente incluiu em seu discurso projetos de "discussão política" e "autonomia" para os palestinos.

Para o analista israelense Barry Rubin, próximo do governo, quem vê divergências entre Obama e Netanyahu não conhece as "posições reais dos dois líderes". Já segundo o cientista político palestino Bashir Bashir, Netanyahu está amainando o discurso por não poder se dar ao luxo de confrontar Obama, que goza de grande simpatia externa e interna --foi votado por três quartos dos judeus americanos, segundo pesquisas.

"Mesmo que as posições [do premiê] não mudem, ele usará um jogo de linguagem para ter a confiança de Obama", prevê. Amir Oren, analista do jornal "Haaretz", avalia que as pressões americanas podem até acabar curvando Netanyahu.

"Em seu primeiro mandato [como premiê], ele mostrou flexibilidade --ou propensão a mudar de ideia-- quando pressionado, dependendo do ponto de vista", ironiza o analista, que prevê acenos como a remoção de alguns postos de controle militar na Cisjordânia.

Para Oren, se o americano apresentar diretamente à população israelense um plano de paz razoável, o premiê não terá escolha a não ser endossá-lo. James F. Hoge, editor da "Foreign Affairs Magazine", arrisca um palpite: "Netanyahu não ganhará nada se tentar sair do encontro sem uma posição construtiva. Seria burrice, e nenhum dos dois é burro".

Comentários dos leitores
Marcello Sokal (93) 01/12/2009 16h49
Marcello Sokal (93) 01/12/2009 16h49
Vamos ver o que vai acontecer agora, mais uma vez fazem propostas para ganhar tempo,sabendo que não as poderão - e nem tem intenção - de cumprir. Esse congelamento não passa de outra farsa,para tentar enganar os incautos e mostar que são "bonzinhos", como se não fossem eles que tomam terras de outras pessoas na base dos tratores,tanques de 60 toneladas e soldados fortemente armados - normalmente no meio da noite,pois assim fica mais fácil de expulsar as pessoas e tornar seus atos menos visiveis - assim como agem os criminosos comuns,sorrateiros,no meio da madrugada....lamentável,mas instrutivo para que as pessoas saibam dos reais fatos... sem opinião
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samuel kosminsky (84) 29/11/2009 17h29
samuel kosminsky (84) 29/11/2009 17h29
gostaria de corrigir opiniao anterior, dizendo que, nao sao 2 naçoes e sim 3 (Ira, Coreia, Cuba) onde, quem pensa diferente e anti social, sendo encaminhado a hospital psiquiatrico
adoro aqueles que adoram governantes desses paises
sem opinião
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mauro guanandi (50) 28/11/2009 10h40
mauro guanandi (50) 28/11/2009 10h40
Senhor Eduardo, porque colocas tantos "rs" após cada colocação ?
O senhor acha graça nas coisas que escreve?
O senhor escreve falÇo com cedilha.
Eu não acho engraçado isto. Eu acho triste. Isto se aprende no pré-primário; aos seis anos. Porque o senhor não entra nos foruns de portugues?
O senhor acha graça nos discursos de Lula? encontra sabedoria no que ele fala?
Eu fico triste cada vez que vejo o presidente de meu país - GRAÇAS A DEUS ESTÁ ACABANDO O GOVERNO DESTA TURMA - falar alguma asneira do tipo...a ligação das torres de "energias" estão ligadas pois estão interligadas.
Isto não é engraçado nem um pouco.
Relaxa e goza quando tem apagão em aeroporto também não é nada engraçado. também não vejo graça no ministro LOBÂO falar que o assunto está encerrado; não vejo graça na peruca feia dele; Não vejo graça em ver o Sarney e o lula abraçados com o Collor.
Outro dia vi o programa "A praça é nossa". popularesco, simplório. MAS MUITO ENGRAÇADO E INOFENSIVO. Não acrescenta cultura nenhuma, MAS ELES NÃO USAM NOSSOS IMPOSTOS PARA FALAR OU FAZER ASNEIRAS.
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Chris Maria (255) 08/12/2009 11h07
Chris Maria (255) 08/12/2009 11h07
Quanto mais o tempo passa, torna-se mais patente que a desastrosa interferência norte-americana no Iraque, Paquistão, e Afeganistão além de desumana é uma guerra perdida. No governo Obama as coisas se agravaram ainda mais do que em tempos de governo Bush. As explosões são tantas, que fica difícil saber de quem é a autoria. Por quanto tempo ainda teremos que assistir isso? sem opinião
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Tiago Garcia (39) 06/12/2009 10h58
Tiago Garcia (39) 06/12/2009 10h58
A chantagem racial continua clarassima. Você não pode ser um repúblicano que discorde de um presidente democrata que é Barack Obama que você é um racista... Esses pesquisadores e cientistas estão cada vez mais canalhas e mentirosos... sem opinião
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J. R. (1187) 06/12/2009 10h32
J. R. (1187) 06/12/2009 10h32
O cinismo democrata americano volta à tona com Obama cancelando a participação no meio da - Conferência de Copenhagem - , reservando os instantes finais para uma hipotética participação. Daí se vê que os USA tentam MELAR mais um acordo mundial visando a conservação do meio ambiente global, global sem visar unicamente e apenas dinheiro. Talvez tenham informações privilegiadas que o degelo do Ártico é apenas uma grande mentira, ou que pouco importa que Manhantan desapareça sob o mar. 4 opiniões
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