Mundo
22/05/2009 - 14h32

Juiz canadense declara ruandense culpado por genocídio de 1994

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da Folha Online

O juiz do Tribunal Superior de Justiça de Montreal, André Denis, condenou nesta sexta-feira o líder de uma milícia ruandesa por crimes de guerra, contra a humanidade, estupros, assassinatos e torturas em Ruanda em 1994, no primeiro julgamento deste tipo no Canadá.

Désiré Munyaneza, 42, foi considerado culpado de sete acusações que haviam sido apresentadas contra ele.

Ele era acusado de participar no genocídio, violentar e matar civis entre abril e julho de 1994 no sul de Ruanda, além de liderar uma das principais milícias responsáveis pelos assassinatos.

A sentença, segundo informa a imprensa local, será divulgada em setembro próximo e pode chegar à prisão perpétua. O advogado de defesa já informou que vai apelar da decisão.

Munyaneza, filho de um rico homem de negócios ruandês, é a primeira pessoa a ser condenada no Canadá sob a Lei de Crimes contra a Humanidade e Crimes de Guerra, em vigor desde 2000.

O genocídio em Ruanda começou após o avião do presidente Juvenal Habyarimana ter sido derrubado em abril de 1994. Nos cem dias seguintes, cerca de 800 mil pessoas, a maioria integrantes da etnia tutsi, foram mortos por milícias da etnia hutu. O genocídio terminou quando rebeldes tutsis assumiram controle do país. Cerca de dois milhões de hutus se refugiaram no vizinho Congo desde então.

Em 1997, Munyaneza chegou ao Canadá procedente de Camarões e solicitou refúgio em Montreal utilizando um passaporte falso. Seu pedido foi inicialmente rejeitado pelas autoridades canadenses, em 2000. Em 2005, Munyaneza foi detido após ser identificado por integrantes da comunidade ruandesa em Montreal.

Em março de 2007, começou seu julgamento, que durou mais de dois anos, e durante o qual depuseram 66 testemunhas que em muitos casos mantiveram as identidades em segredo por temerem represálias.

Com Efe e Reuters

 

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