EUA oferecem a Cuba retomada de diálogo sobre imigração
colaboração para a Folha Online
Em um novo gesto de abertura em relação a Cuba, o governo Obama pediu nesta sexta-feira ao governo comunista da ilha a retomada das negociações sobre a imigração legal de cubanos para os Estados Unidos, suspensas há quase seis anos pelo ex-presidente George W. Bush (2001-2009).
O Departamento de Estado informou que tinha proposto que as discussões, que foram interrompidas em 2003, fossem reiniciadas para "reafirmar [o compromisso] de ambos os lados" com migração legal, segura e ordenada. As negociações sobre migração tiveram início no governo de Ronald Reagan (1981-1989) e se tornaram mais efetivas durante o governo de Bill Clinton (1993-2001), quando os dois países chegaram a estabelecer acordos para evitar o êxodo de cubanos para os EUA.
"[Obama] quer assegurar que estamos fazendo tudo o que podemos para apoiar o povo cubano na realização do seu desejo de viver em liberdade", disse Darla Jordan, uma porta-voz do Departamento de Estado. "Ele vai continuar a fazer as decisões políticas nesse sentido."
O anúncio acontece após a decisão de Obama de revogar restrições para que americanos com parentes na ilha viagem a Cuba. Ele também acabou com o limite de dinheiro que eles podem enviar para seus parentes na ilha. Cuba fica a cerca de 140 km do sul da Flórida, destino de centenas de milhares de cubanos desde a revolução comunista na ilha, em 1959.
O regime cubano tem reagido com cautela às iniciativas americanas. Em artigo publicado nesta semana, o ex-ditador Fidel Castro disse que as boas intenções de Obama não vão servir para mudar a política de Washington. "Os governos podem mudar, mas os instrumentos com os quais nos transformaram em colônia continuam sendo iguais", afirmou.
No início do mês, em outro artigo, Fidel afirmou que a ilha observa "cuidadosamente" os passos do governo do presidente dos EUA, Barack Obama, e que em Cuba não há "nem incendiários, nem tolos que se deixam enganar" pelas leis do mercado. Fidel também reclamou da manutenção de Cuba na lista americana de países que abrigam terroristas, divulgada no dia 30 de abril. "Um homem cujo talento ninguém nega, tem que se sentir envergonhado desse culto às mentiras do Império", escreveu Fidel, em relação a Obama.
OEA
A decisão de retomar o diálogo sobre imigração antecede uma reunião da OEA (Organização dos Estados Americanos) marcada para o início do próximo mês em Honduras em que a possível readmissão de Cuba no bloco regional deve ser discutida com a presença da secretária de Estado, Hillary Clinton.
Hillary, no entanto, disse a congressistas nesta semana que os EUA não apoiarão a reintegração de Cuba na organização até o regime do presidente Raúl Castro faça reformas democráticas e liberte prisioneiros políticos.
Em reunião realizada nesta sexta-feira, divergências políticas entre grupos regionais na OEA impediram que fosse debatido oficialmente no Conselho Permanente do organismo, pela primeira vez desde a suspensão, o possível reingresso de Cuba.
Em declarações à imprensa, o embaixador dos EUA perante a OEA, Lewis Amselem, disse que seu país quer que a proposta avance, mas pede que haja um "processo" para avaliar como pode se reintegrar Cuba ao mesmo tempo em que sejam observados os diferentes instrumentos do organismo sobre democracia e direitos humanos.
Honduras considera que a questão não deve ser colocada agora, porque do que se trata é solucionar o que considera "uma vergonha" histórica da OEA em relação a Cuba.
Uma vez revogada a resolução que suspendeu Cuba, corresponderá ao governo de Havana decidir se quer se reintegrar à OEA e o debate sobre como o faria deve acontecer nos órgãos competentes do organismo, disse o embaixador de Honduras na OEA, Carlos Sosa.
Honduras, como país anfitrião da Assembleia Geral, pretende conseguir um "consenso unânime" antes do encontro sobre o tema e aponta que vários países já se uniram a sua postura, que é firme e não vai mudar, segundo Sosa.
Os países que impulsionam os projetos de resolução voltarão a colocar a revogação da suspensão a Cuba na próxima quarta-feira. Caso a tentativa fracasse, o debate será transferido diretamente à Assembleia Geral, onde o tema será discutido com total segurança.
No último dia 11, Fidel Castro reiterou que o país, presidido por seu irmão, Raúl, não deseja voltar à OEA, da qual foi excluído em 1962, apesar de movimentos de países como Venezuela e Brasil em favor da reinserção cubana. "Cuba respeita os critérios de governos dos países irmãos da América Latina e do Caribe que pensam de outra forma, mas não deseja fazer parte dessa instituição."
Mas o governo cubano continua exigindo o fim do embargo econômico dos EUA contra o país, que teve início em 1962.
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