Entre idas e vindas, programa nuclear é trunfo do regime norte-coreano
colaboração para a Folha Online
Fragilizado por desastres naturais e pela estagnação econômica, o regime comunista da Coreia do Norte tem utilizado o seu programa nuclear como forma de prevenir qualquer ataque ao país e para conseguir vantagens em negociações internacionais, principalmente depois que foi classificado, em 2002, como parte do "eixo do mal" --ao lado do Irã e do Iraque-- pelo então presidente americano George W. Bush (2001-2009).
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Leia a íntegra do comunicado norte-coreano sobre o teste
No ano seguinte, o governo norte-coreano retirou o país do tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares e anunciou que havia alcançado progressos técnicos no desenvolvimento de armas nucleares. No mesmo ano, no entanto, o país aceitou participar de negociações sobre o programa nuclear com a Coreia do Sul, China, Japão, Rússia e os Estados Unidos, mas abandonou as conversações em 2005.
Em 2006, a Coreia do Norte realizou seu primeiro teste nuclear, três meses após lançar vários mísseis, entre eles um Taepodong de longo alcance, mas, após a demonstração de força, retomou as negociações em dezembro. No ano seguinte, em troca de ajuda internacional e do descongelamento de fundos depositados no exterior, o governo norte-coreano concordou em começar o fechamento de seu reator nuclear e a permitir a volta de inspetores da ONU ao país.
Mas, desde então, o regime comunista tem utilizado ameaças de retrocesso na negociação como forma de mostrar a força da ditadura comunista e seu controle sobre o país, diante de notícias sobre problemas de saúde de Kim Jong-il.
O teste nuclear desta segunda-feira foi realizado novamente após o lançamento de um foguete --desta vez o Taepodong 2, com alcance para atingir o Alasca--, no último dia 5 de abril, mesmo com a proibição do Conselho de Segurança da ONU de qualquer teste desse tipo no país.
Os norte-coreanos diziam que se tratava de um teste de foguete espacial, mas EUA, Japão e Coreia do Sul avaliaram que o teste serviria para desenvolver a tecnologia do foguete que poderia ser utilizado em um ataque militar. Diante de pressão internacional e da ameaça de novas sanções, a Coreia do Norte expulsou no dia 14 de abril os inspetores estrangeiros que fiscalizavam a desativação de instalações nucleares.
No mesmo dia, o ministro das Relações Exteriores norte-coreano afirmou que o país rechaçava firmemente o documento da ONU que condenava o lançamento -sem impor novas sanções-- e disse que as conversas "entre os seis países [sobre a desnuclearização] não são mais necessárias". "Nós não participaremos nunca mais dessas discussões e não nos consideramos obrigados por nenhuma decisão adotada nessas instâncias".
No dia 24 de abril, o Conselho de Segurança reagiu congelando os fundos de três grandes empresas norte-coreanas e ameaçando com novas sanções. No dia seguinte, a Coreia do Norte anunciou tinha voltado a processar barras de combustível nuclear em sua principal usina atômica, com o objetivo de impulsionar seu poder contra as "forças hostis".
A aposta do regime comunista é alta. Cada passo à frente no programa nuclear e no desenvolvimento de mísseis é respondido por mais sanções, mas também serve de escudo para qualquer ação militar contra o país. Além, disso, sempre há a possibilidade de pedir mais ajuda internacional nas negociações seguintes, em troca de concessões secundárias que, como demonstra o teste desta segunda-feira, não incapacitam seu programa nuclear.
Campo de batalha do primeiro grande confronto militar da Guerra Fria, a Coreia acabou oficialmente divida em dois países, um sob influência soviética e outro na esfera americana, ao fim da guerra que durou de 1950 a 1953. O conflito, tecnicamente, nunca acabou, porque foi encerrado por um armistício, não por um tratado de paz.
A Zona Desmilitarizada no paralelo 38, que divide os dois países, tem mais de 1 milhão de soldados mobilizados em ambos os lados.
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