Mundo
25/05/2009 - 07h09

Coreia do Norte desafia o mundo com novo teste nuclear; ONU faz reunião

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da Folha Online

Atualizado às 07h57.

A Coreia do Norte anunciou nesta segunda-feira (noite de domingo, no Brasil) ter realizado "com sucesso" um novo teste nuclear e ameaçou executar novas ações, em um desafio aberto à comunidade internacional. O regime ditatorial de Pyongyang desconsiderou, assim, as pressões internacionais que tentam obrigar o país a renunciar às ambições atômicas.

A agência oficial de notícias da Coreia do Sul --Yonhap-- noticiou ainda que a Coreia do Norte lançou três outros mísseis de curto alcance. A informação não foi confirmada.

Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e União Europeia manifestaram "grande preocupação", assim como Coreia do Sul e Japão. A China, principal aliada da Coreia do norte e com poder de veto no Conselho da ONU, ainda não se pronunciou.

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Leia a íntegra do comunicado norte-coreano sobre o teste

Segundo comunicado da Coreia do Norte, a nova bomba é mais potente que a utilizada no teste anterior, em outubro de 2006, que levou o país a sofrer sanções do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas).

"De acordo com a demanda dos nossos cientistas e técnicos, a nossa república realizou com sucesso um teste nuclear subterrâneo em 25 de maio [...] como parte das medidas para reforçar sua potência nuclear em autodefesa", afirmou o governo da Coreia do Norte segundo a KCNA, agência oficial do país. O teste foi realizado "em um novo nível, mais elevado em termos de força explosiva e de tecnologia de controle", continua o comunicado.

Pyongyang mencionava a ameaça de represálias --incluindo um novo teste nuclear-- desde que, no mês passado, o Conselho de Segurança da ONU condenou o lançamento de um foguete de longo alcance que sobrevoou o Japão no dia 5 de abril.

A Coreia do Norte ameaçou ainda realizar mais testes, caso os Estados Unidos prossigam com o que chamou de "política de intimidação", afirmou um funcionário da embaixada norte-coreana em Moscou.

Reações

O presidente americano, Barack Obama, condenou o que considerou "uma ameaça para a paz" e pediu uma "ação da comunidade internacional". "Estas ações, que não são uma surpresa dadas as declarações e as ações até este momento, são um tema grave que envolve todas as nações", afirmou Obama.

Os governos do Japão e do Reino Unido afirmaram nesta segunda que o novo teste seria uma "violação clara" das resoluções da ONU (Organização das Nações Unidas).

"Se a Coreia do Norte realizou o teste nuclear, é uma clara violação das resoluções da ONU", disse o porta-voz do governo japonês, Takeo Kawamura. "É absolutamente inaceitável. O Japão realizará ações contra a Coreia do Norte", afirmou.

O governo do Japão montou um gabinete de crise e convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU. Já o secretário de Relações Exteriores britânico, Bill Rammell, também denunciou a violação das resoluções.

O governo da França pediu que o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) imponha "sanções mais firmes" contra a Coreia do Norte.

Reunião na ONU

O Conselho de Segurança da ONU se reunirá nesta segunda-feira em Nova York, às 17h de Brasília, anunciou o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov.

O CS tem o poder de impor sanções aos membros da ONU, mas decisões de caráter militar ou duras reprovações de governos são raras devido à necessidade de maioria entre os 15 membros e de concordância unânime dos cinco países com assentos permanentes --EUA, China, França, Reino Unido e Rússia. Os outros dez membros exercem mandatos rotativos.

Aliada tradicional da Coreia do Norte, a China é o único dos membros permanentes a não ter se manifestado sobre o teste desta segunda-feira.

Shizuo Kambayashi/AP
Garota japonesa lê edição extra de jornal que informa sobre o teste nuclear norte-coreano
Garota japonesa lê edição extra de jornal que informa sobre o teste nuclear norte-coreano

Entenda a tensão nuclear

O governo norte-coreano advertiu em 29 de abril que iria realizar o seu segundo teste nuclear, em protesto contra a advertência do Conselho de Segurança da ONU de repreender o país pelo teste de um foguete de longa distância, em 5 de abril passado.

Também em abril, como reação, a Coreia do Norte informou que havia reiniciado o processo para extrair plutônio em Yongbyon, sua principal usina nuclear.

No mês passado, a Coreia do Norte expulsou técnicos da AIEA (agência atômica da ONU). Pyongyang abandonou ainda o Grupo dos Seis (EUA, Rússia, Japão, China e as Coreias), fórum das negociações que culminaram no desligamento do reator nuclear de Yongbyon, em 2007, após o primeiro teste.

O regime comunista liderado pelo ditador Kim Jong-il testou a sua primeira bomba nuclear em outubro de 2006. Após sofrer sanções do Conselho de Segurança da ONU, o país passou a negociar vantagens e ajuda internacional em troca do abandono do programa.

Com agências internacionais

Comentários dos leitores
Jaime Dos Santos (4) 16/12/2009 11h13
Jaime Dos Santos (4) 16/12/2009 11h13
Os EUA se esquecem que o Irã celebrou contratos comerciais com a Venezuela e a China, bem como com o Brasil que detêm tecnologia para o refino do petróleo bruto. Já os EUA dependem do petróleo da Venezuela para sobreviver. As Sanções serão ineficazes. sem opinião
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Maurício Carvalho (46) 08/12/2009 23h58
Maurício Carvalho (46) 08/12/2009 23h58
Excelente o comentário de Juarez Ribeiro Batista. Gostaria de complementá-lo.
Abdul Khaleq Abdullah, um professor de ciência política da Universidade dos Emirados Árabes Unidos disse: "Eu acho que os Estados do Golfo fazem bem em desenvolver agora estratégias com base na suposição de que o Irã está prestes a se tornar uma potência nuclear. É um jogo totalmente novo. O Irã agora está forçando todos na região a entrarem em uma corrida armamentista."
Esta percepção, por sua vez, gera novas ansiedades e abala velhas suposições.
Escrevendo para o jornal pan-árabe "Al Quds Al Arabi", o editor, Abdel-Beri Atwan, disse que com os recentes desdobramentos "os regimes árabes, e os do Golfo em particular, se verão como parte de uma nova aliança contra o Irã ao lado de Israel".
O chefe de um proeminente centro de pesquisa em Dubai disse que poderia até mesmo ser melhor se o Ocidente -ou Israel- realizasse um ataque militar contra o Irã, em vez de permitir que ele se transforme em uma potência nuclear. Esse tipo de conversa por parte dos árabes quase não era ouvida antes da revelação da segunda instalação de enriquecimento, e apesar de ainda ser rara, reflete o crescente alarme.
"A região pode conviver melhor com uma retaliação limitada por parte do Irã do que viver com uma dissuasão nuclear permanente. Eu defendo a realização do trabalho agora em vez de viver o restante da minha vida com uma hegemonia nuclear na região que o Irã gostaria de impor."
4 opiniões
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Rogerio Cardamone (4) 07/12/2009 16h37
Rogerio Cardamone (4) 07/12/2009 16h37
Juarez. Menos. Ao que me consta, no último conflito como o Hezbollah a base avançada dos americanos (que alguns teimam de chamar de país) não se deu nada bem, e, por outro bordo, cumpre observar que nenhum conflito envolveu o Irã, ademais porque, até 1979 era aliado dos EUA. 3 opiniões
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