Presidente do Irã nega cooperação nuclear com Coreia do Norte
da Folha Online
O Irã não tem nenhum tipo de cooperação nuclear ou armamento conjunto com a Coreia do Norte, afirmou nesta segunda-feira o presidente do Irã, Mamhoud Ahmadinejad, pouco depois de rejeitar uma proposta do Ocidente de "congelar" seu programa nuclear em troca do fim de novas sanções. A declaração de Ahmadinejad vem no mesmo dia em que a Coreia do Norte anunciou ter realizado "com sucesso" um teste nuclear ainda mais potente do que o primeiro, em 2006, o que gerou forte condenação internacional.
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Leia a íntegra do comunicado norte-coreano sobre o teste
O ex-presidente dos Estados Unidos George W. Bush rotulou tanto o Irã quanto a Coreia do Norte como países do "Eixo do Mal", embora Teerã rejeite a acusação de que usa seu programa nuclear com fins militares.
"Nós não temos nenhuma cooperação [com a Coreia do Norte] neste campo. Nós nos opomos à produção e proliferação de armas de destruição em massa", disse Ahmadinejad, que colocou o mundo em alerta na semana passada ao anunciar o lançamento de um míssil Sejil 2, de tecnologia avançada com alcance de até 2.000 quilômetros e capaz de atingir Israel e as bases americanas no golfo Pérsico.
Teste
A Coreia do Norte afirmou hoje que realizou "com sucesso" um novo teste nuclear, informou a agência estatal de notícias norte-coreana KCNA. De acordo com o governo ditatorial, a nova bomba é mais potente que a utilizada no teste de 2006, que levou o país a sofrer sanções do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas).
Em 9 de outubro de 2006, cinco dias após o primeiro teste nuclear realizado por Pyongyang, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a resolução 1718, que exige que Pyongyang abandone os testes de armas nucleares e de mísseis balísticos, assim como o desenvolvimento deste tipo de armamento.
O texto supôs, então, que as sanções econômicas impostas à Coreia do Norte serviriam de impedimento ao acesso a tecnologias do tipo. O teste desta segunda-feira, contudo, foi estabelecido por Japão e Rússia como de potência superior ao de 2006. Um comunicado do próprio governo da Coreia do Norte afirma que a nova bomba é mais potente que a utilizada no teste anterior.
"De acordo com a demanda dos nossos cientistas e técnicos, a nossa república realizou com sucesso um teste nuclear subterrâneo em 25 de maio [...] como parte das medidas para reforçar sua potência nuclear em autodefesa", afirmou o governo da Coreia do Norte segundo a KCNA, agência oficial do país.
O teste foi realizado "em um novo nível, mais elevado em termos de força explosiva e de tecnologia de controle", continua o comunicado.
Entenda a tensão nuclear
O governo norte-coreano advertiu em 29 de abril que iria realizar o seu segundo teste nuclear, em protesto contra a advertência do Conselho de Segurança da ONU de repreender o país pelo teste de um foguete de longa distância, em 5 de abril passado.
Também em abril, como reação, a Coreia do Norte informou que havia reiniciado o processo para extrair plutônio em Yongbyon, sua principal usina nuclear.
No mês passado, a Coreia do Norte expulsou técnicos da AIEA (agência atômica da ONU). Pyongyang abandonou ainda o Grupo dos Seis (EUA, Rússia, Japão, China e as Coreias), fórum das negociações que culminaram no desligamento do reator nuclear de Yongbyon, em 2007, após o primeiro teste.
O regime comunista liderado pelo ditador Kim Jong-il testou a sua primeira bomba nuclear em outubro de 2006. Após sofrer sanções do Conselho de Segurança da ONU, o país passou a negociar vantagens e ajuda internacional em troca do abandono do programa.
Com Reuters
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