Coreia do Norte ignora fome para provocar mundo com teste nuclear
da France Presse, em Seul
O regime norte-coreano anunciou nesta segunda-feira ter realizado "com sucesso" um novo teste nuclear ainda mais potente que o realizado em 2006 ignorando as restritivas sanções econômicas e ofertas de ajuda econômica da comunidade internacional --mesmo sem recursos para alimentar toda sua população.
Veja cronologia do programa nuclear da Coreia do Norte
Programa nuclear é trunfo para Coreia do Norte; entenda
Comunista, país surgiu em meio à Guerra Fria; saiba mais
Leia a íntegra do comunicado norte-coreano sobre o teste
O país está ameaçado há anos pela fome extrema, que matou centenas de milhares de pessoas desde 1995 e deixou os sobreviventes comendo apenas folhas, cascas de árvores e o que encontravam pela frente.
As inundações, seguidas pelas secas e os maremotos, foram em parte responsáveis, mas os analistas apontam sobretudo para o sistema de agricultura coletivista e uma rede de distribuição ineficaz.
Em 2002, o regime introduziu reformas limitadas ao centralizado comando econômico, com a introdução de um mínimo de flexibilidade nos preços estabelecidos pelo Estado e a concessão de incentivos aos trabalhadores e às fábricas. Mas, em outubro de 2005, aparentemente temeroso de relaxar seu controle sobre o país, o regime proibiu a venda privada de cereais e anunciou a volta ao racionamento de alimentos centralizado.
O Programa Mundial de Alimentos prevê que até 40% da população do país, cerca de 8,7 milhões de pessoas, precisarão urgentemente de ajuda alimentar nos próximos meses, devido às condições precárias de diversas colheitas.
Em setembro passado, o PMA pediu até US$ 504 milhões em ajuda alimentar para a Coreia do Norte, mas recebeu até agora apenas 11% desta quantia, o suficiente para alimentar 1,8 milhão de pessoas. Apesar da história de privações em uma nação de quase 24 milhões de habitantes, o plano do regime continua centrado na realização de testes nucleares.
Tensão
A Coreia do Norte, com meio século de hostilidade contra Washington, acusa os Estados Unidos de ataques para enfraquecer o país por meio de sanções por sua necessidade de obter energia nuclear.
A Coreia do Norte realizou seu primeiro teste nuclear em outubro de 2006. Em fevereiro de 2007, Estados Unidos, China, Japão, Rússia e Coreia do Sul, assinaram um acordo segundo o qual Pyongyang informaria sobre suas instalações nucleares e desmantelaria o complexo de Yongbyon, fonte de plutônio para fabricar armamento nuclear.
Mas após a condenação da ONU (Organização das Nações Unidas) pelo lançamento de um foguete em 5 de abril passado, que os EUA e outros países denunciaram como um teste balístico dissimulado, Pyongyang anunciou sua retirada do acordo dos seis e que reativaria a produção de plutônio.
O férreo controle do regime está se rompendo até certo ponto com o contrabando de rádios e leitores de DVDs da China. Este mês, o país lançou um serviço limitado de internet para os usuários de telefonia móvel.
Mas o regime continua tentando controlar toda informação e submeter "seus cidadãos ao rígido controle de vários aspectos de suas vidas", segundo um relatório dos direitos humanos de 2007 do Departamento de Estado americano.
O documento mencionava as contínuas informações sobre execuções extrajudiciais, desaparecimentos e detenções arbitrárias, inclusive prisioneiros políticos.
Teste
A Coreia do Norte afirmou hoje que realizou "com sucesso" um novo teste nuclear, informou a agência estatal de notícias norte-coreana KCNA. De acordo com o governo ditatorial, a nova bomba é mais potente que a utilizada no teste de 2006, que levou o país a sofrer sanções do Conselho de Segurança da ONU.
Em 9 de outubro de 2006, cinco dias após o primeiro teste nuclear realizado por Pyongyang, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a resolução 1718, que exige que Pyongyang abandone os testes de armas nucleares e de mísseis balísticos, assim como o desenvolvimento deste tipo de armamento.
O texto supôs, então, que as sanções econômicas impostas à Coreia do Norte serviriam de impedimento ao acesso a tecnologias do tipo. O teste desta segunda-feira, contudo, foi estabelecido por Japão e Rússia como de potência superior ao de 2006. Um comunicado do próprio governo da Coreia do Norte afirma que a nova bomba é mais potente que a utilizada no teste anterior.
"De acordo com a demanda dos nossos cientistas e técnicos, a nossa república realizou com sucesso um teste nuclear subterrâneo em 25 de maio [...] como parte das medidas para reforçar sua potência nuclear em autodefesa", afirmou o governo da Coreia do Norte segundo a KCNA, agência oficial do país.
O teste foi realizado "em um novo nível, mais elevado em termos de força explosiva e de tecnologia de controle", continua o comunicado.
Leia mais reportagens sobre o programa militar da Coreia do Norte
- Presidente do Irã nega cooperação nuclear com Coreia do Norte
- Coreia do Sul proíbe cidadãos de viajar à Coreia do Norte
- China quebra silêncio e diz se opor ao teste nuclear da Coreia do Norte
Outras notícias internacionais
- Gripe suína atinge 46 países; mortes chegam a 91 no mundo, diz OMS
- Com traços de cocaína, refrigerante da Red Bull é proibido na Alemanha
- Cientologia é julgada por fraude e pode ser banida na França
Especial
- Veja o que há em nossos arquivos sobre a Coreia do Norte
- Navegue no melhor roteiro de cultura e diversão da internet
Livraria



avalie fechar
avalie fechar
avalie fechar