Ahmadinejad diz que Irã se opõe à proliferação nuclear
da Efe, em Teerã
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou nesta segunda-feira que o Irã se opõe à proliferação nuclear, em resposta ao teste realizado pela Coreia do Norte. Os assessores do presidente disseram que Ahmadinejad não comentaria a ação norte-coreana por se tratar de "assunto interno".
"Somos categoricamente contra a proliferação, produção e uso de armas nucleares. Não acho que se haja que gastar benefícios nisso. As potências que têm armas nucleares devem se desarmar. Se fizerem isso primeiro, será mais fácil para o outros depois", afirmou o presidente.
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Leia a íntegra do comunicado norte-coreano sobre o teste
A Coreia do Norte afirmou hoje que realizou "com sucesso" um novo teste nuclear, informou a agência estatal de notícias norte-coreana KCNA. De acordo com o governo ditatorial, a nova bomba é mais potente que a utilizada no teste de 2006, que levou o país a sofrer sanções do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas).
O regime comunista descreveu o teste com um esforço para ampliar "a capacidade nuclear para defesa", mas a explosão causou uma sequência de condenações das principais nações, incluindo a aliada China, que disse se opor "resolutamente" ao teste nuclear.
Mais cedo, Ahmadinejad negou que o teste nuclear tenha relação com o lançamento de um míssil Sejil 2, de tecnologia avançada com alcance de até 2.000 quilômetros e capaz de atingir Israel e as bases americanas no golfo Pérsico.
Segundo ele, que na semana passada rejeitou uma proposta do Ocidente de "congelar" seu programa nuclear em troca do fim de novas sanções, disse que seu programa nuclear é pacífico.
A comunidade internacional, com EUA, Israel e grandes países da União Europeia, acusa Teerã de ocultar, sob seu programa nuclear civil, um suposto projeto militar paralelo cujo objetivo seria a aquisição de armas atômicas. Durante seu mandato, o ex-presidente americano George W. Bush denunciou uma aliança entre Irã e Coreia do Norte, países que junto ao Iraque ele incluiu no denominado "eixo do mal".
Programa norte-coreano
O governo norte-coreano advertiu em 29 de abril que iria realizar o seu segundo teste nuclear, em protesto contra a advertência do Conselho de Segurança da ONU de repreender o país pelo teste de um foguete de longa distância, em 5 de abril passado.
Também em abril, como reação, a Coreia do Norte informou que havia reiniciado o processo para extrair plutônio em Yongbyon, sua principal usina nuclear.
No mês passado, a Coreia do Norte expulsou técnicos da AIEA (agência atômica da ONU). Pyongyang abandonou ainda o Grupo dos Seis (EUA, Rússia, Japão, China e as Coreias), fórum das negociações que culminaram no desligamento do reator nuclear de Yongbyon, em 2007, após o primeiro teste.
O regime comunista liderado pelo ditador Kim Jong-il testou a sua primeira bomba nuclear em outubro de 2006. Após sofrer sanções do Conselho de Segurança da ONU, o país passou a negociar vantagens e ajuda internacional em troca do abandono do programa.
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Abdul Khaleq Abdullah, um professor de ciência política da Universidade dos Emirados Árabes Unidos disse: "Eu acho que os Estados do Golfo fazem bem em desenvolver agora estratégias com base na suposição de que o Irã está prestes a se tornar uma potência nuclear. É um jogo totalmente novo. O Irã agora está forçando todos na região a entrarem em uma corrida armamentista."
Esta percepção, por sua vez, gera novas ansiedades e abala velhas suposições.
Escrevendo para o jornal pan-árabe "Al Quds Al Arabi", o editor, Abdel-Beri Atwan, disse que com os recentes desdobramentos "os regimes árabes, e os do Golfo em particular, se verão como parte de uma nova aliança contra o Irã ao lado de Israel".
O chefe de um proeminente centro de pesquisa em Dubai disse que poderia até mesmo ser melhor se o Ocidente -ou Israel- realizasse um ataque militar contra o Irã, em vez de permitir que ele se transforme em uma potência nuclear. Esse tipo de conversa por parte dos árabes quase não era ouvida antes da revelação da segunda instalação de enriquecimento, e apesar de ainda ser rara, reflete o crescente alarme.
"A região pode conviver melhor com uma retaliação limitada por parte do Irã do que viver com uma dissuasão nuclear permanente. Eu defendo a realização do trabalho agora em vez de viver o restante da minha vida com uma hegemonia nuclear na região que o Irã gostaria de impor."
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