Israel pede maiores sanções da ONU contra Irã
da Folha Online
A chanceler israelense, Tzipi Livni, afirmou nesta segunda-feira que as sanções da ONU (Organização das Nações Unidas) contra o Irã deveriam ser "reforçadas e ampliadas sem demora".
"A comunidade internacional não deveria fechar os olhos [ante a ameaça iraniana]", disse Livni em uma reunião do Comitê Israelo-Americano de Assuntos Públicos, a maior organização pró-Israel dos EUA, durante uma visita a Washington.
Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU --China, EUA, Rússia, França e Reino Unido-- e a Alemanha discutem o projeto de uma resolução que visa endurecer as sanções contra o Irã por seu controvertido programa de energia nuclear.
Em dezembro, o CS havia determinado que o Irã interrompesse o programa de enriquecimento de urânio até 21 de fevereiro, em troca da suspensão de sanções impostas ao país. O Irã, porém, ignorou a resolução.
Teerã alega que suas atividade s nucleares têm fins pacíficos, mas a ONU e os EUA temem que o país esteja querendo produzir armas.
A rede estatal de TV iraniana divulgou no domingo que o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, quer defender pessoalmente a posição do país persa diante do Conselho de Segurança.
"O objetivo do presidente Ahmadinejad é defender os interesses nacionais e internacionais do povo iraniano", afirmou o porta-voz do governo, Gholam Hossein Elham.
Ahmadinejad já falou à Assembléia Geral da ONU, em Nova York, em duas ocasiões desde que assumiu a presidência do Irã em 2005, mas nunca esteve em uma reunião do Conselho de Segurança.
Crise com a Rússia
Também nesta segunda-feira, a companhia estatal russa Atomstroiexport, que está construindo a primeira planta nuclear do Irã, afirmou que a inauguração do reator da estação de energia nuclear de Bushehr será adiado devido ao atraso nos pagamentos.
"Será impossível iniciar o reator em setembro, e não pode haver conversa sobre fornecimento de combustível neste mês", disse a empresa em um comunicado, após o fracasso de reuniões realizadas na semana passada para resolver a questão.
A Atomstroiexport acusa os iranianos de não fornecerem um compromisso por escrito de retomada do financiamento do projeto.
Segundo a Rússia, o Irã efetuou apenas uma fração dos pagamentos mensais de US$ 25 milhões para a construção da planta nuclear de Bushehr nos últimos meses e avisou que o atraso afetaria a inauguração do reator e a entrega de urânio combustível necessário para fornecer energia ao reator.
Oficiais iranianos rejeitaram as alegações da Rússia e insinuaram que Moscou está se curvando à pressão internacional, que pede uma linha mais dura contra Teerã.
O Irã pediu à Rússia que apresse a entrega do combustível, mas oficiais russos disseram que isso acontecerá somente seis meses antes da inauguração da planta nuclear.
Pressão internacional
Em um sinal de que a Rússia poderia estar cedendo à pressão ocidental por maiores sanções contra o Irã, as agências de notícias russas Itar-Tass, Interfax e RIA-Novosti divulgaram que Moscou poderia retirar seu apoio a Teerã se o governo iraniano não responder às perguntas da ONU sobre seu programa nuclear.
A informação foi dada por uma fonte anônima. Lideranças russas freqüentemente usam esse recurso para revelar sua posição em assuntos delicados.
Segundo a fonte, o Irã abusa da atitude positiva da Rússia, prejudicando a imagem de Moscou. Acrescentou que Moscou não quer que os iranianos obtenham armas nucleares e que não tem intenção de "jogar jogos antiamericanos" com Teerã.
Em outro sinal da crescente tensão bilateral, o Irã pediu no domingo que a Rússia entregue o combustível para Bushehr neste mês.
"Nós esperamos que a Rússia não politize [o carregamento de combustível]", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Mohammad Ali Hosseini. "Este [carregamento] deveria ser feito nas próximas duas semanas. Esperamos que a Rússia cumpra seus compromissos".
Com agências internacionais
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