ONU faz nova reunião sobre Coreia do Norte; Rússia diz apoiar punição
da Folha Online
Diplomatas das principais potências mundiais fazem nesta quinta-feira uma nova reunião para discutir a proposta, aprovada na segunda-feira passada (25), de ampliar as sanções da ONU (Organização das Nações Unidas) contra a Coreia do Norte, em retaliação ao teste nuclear realizado no começo da semana --e que causou uma escalada da tensão regional.
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Embaixadores das cinco nações com cadeiras permanentes no Conselho de Segurança da ONU --Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido e França-- e os dois países mais afetados pela crise, Japão e a Coreia do Sul, reuniram uma lista de sugestões a serem debatidas.
| Kim Kyung-Hoon/Reuters |
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| Veículo de artilharia da Coreia do Sul passa por estrada perto da fronteira com Pyongyang |
Um diplomata afirma que a lista inclui um embargo ainda maior sobre armas e restrições às operações financeiras e bancárias do regime comunista.
A lista foi enviada aos governos dos sete países cujos embaixadores devem se reunir na tarde desta quinta-feira para ouvir as reações.
Nesta quarta-feira, diplomatas da ONU disseram que os países concordaram em expandir as sanções contra a Coreia do Norte em resposta ao teste nuclear.
Os diplomatas previram que a conclusão do rascunho da resolução pode demorar até a próxima semana, quando o texto deve ser apresentado aos 15 integrantes do Conselho --que tem dez cadeiras rotativas-- para ser comentado e, possivelmente, votado.
Apoio
O governo russo, um dos aliados da Coreia do Norte e país que costuma vetar sanções mais firmes, afirmou que "não tem argumentos" para repelir a punição que o Conselho planeja redigir.
"As consultas entre os membros do Conselho de Segurança estão em andamento", afirmou Andrei Nesterenko, porta-voz da Chancelaria russa, em entrevista coletiva transmitida pela televisão.
Nesterenko reconheceu que o teste nuclear subterrâneo realizado por Pyongyang representou "um duro golpe" para os esforços de não-proliferação nuclear.
A Chancelaria russa convocou nesta quarta-feira o embaixador norte-coreano em Moscou, Kim Yen-jue, para pedir que Pyongyang retorne à mesa de negociações multilaterais para a desnuclearização da península coreana.
O processo de negociação multilateral (as duas Coreias, China, EUA, Rússia e Japão) iniciado em Pequim, em 2003, está paralisado desde dezembro do ano passado, por causa das divergências sobre como verificar o estoque atômico do regime comunista.
A Rússia adiou de maneira indefinida a reunião da reunião intergovernamental russo-norte-coreana que devia acontecer esta semana, em Pyongyang.
Cautela
Nesterenko repetiu, contudo, o discurso de Moscou de que o Conselho deve ter cautela e evitar o isolamento internacional do regime comunista, o que seria "contraproducente" para a solução da crise nuclear.
"Consideramos que seria contraproducente iniciar o isolamento internacional de fato da Coreia do Norte. Em qualquer caso, as portas do diálogo com Pyongyang não devem ser fechadas", disse.
Nesterenko ressaltou ainda que "não é necessário recorrer à linguagem de sanções, devemos mostrar moderação, paciência e iniciar consultas sobre as questões que geram preocupação em todas as partes envolvidas".
"Defendemos uma solução político-diplomática para esta situação. As negociações a seis lados continuam sendo o único meio de regulação do problema nuclear na península coreana", disse.
Refletindo o temor russo sobre o crescimento das forças internacionais nos países vizinhos, o porta-voz ressaltou ainda a confiança de que "as últimas ações da Coreia do Norte não sejam utilizadas por outros países como desculpa para aumentar seu potencial militar, o que marcaria o início de uma nova espiral da corrida armamentista na região".
China
Outra dúvida nas discussões por uma sanção, a China deve apoiar a decisão da ONU em retaliação à Coreia do Norte, segundo afirma o presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado americano, John Kerry, em entrevista coletiva em Pequim.
"A posição da China é absolutamente clara. A China se opõe à conduta da Coreia do Norte, e apoia os EUA e o resto dos membros das conversas de seis lados para encontrar uma solução para o diálogo", disse Kerry.
Kerry afirmou que os líderes chineses foram muito claros e "se comprometeram em buscar uma solução ao diálogo".
Segundo o senador americano, o ministro de Relações Exteriores chinês, Yang Jiechi, também concordou que as ações da Coreia do Norte são errôneas e podem ter consequências.
"A maneira de agir da Coreia do Norte é contraproducente. Manter seu programa nuclear não ajudará o país, e a única coisa que fará é aprofundar mais seu isolamento político e econômico", afirmou Kerry.
O senador disse que a Coreia do Norte não precisa realizar um teste atômico para ter o compromisso dos EUA sobre um diálogo sério entre os dois países.
Além disso, Kerry reiterou que os EUA permanecem abertos ao diálogo com a Coreia do Norte.
Pouco a fazer
A demora em se discutir um texto contra a Coreia do Norte ressalta as complicações em torno do tema e deixa dúvidas sobre o que resta fazer para evitar um terceiro teste nuclear.
Em 9 de outubro de 2006, cinco dias após o primeiro teste nuclear realizado por Pyongyang, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a resolução 1.718, que exige que Pyongyang abandone os testes de armas nucleares e de mísseis balísticos, assim como o desenvolvimento deste tipo de armamento.
O texto supunha que as sanções econômicas impostas à Coreia do Norte serviriam de impedimento ao acesso a tecnologias do tipo. O teste desta segunda-feira, contudo, foi estabelecido por Japão e Rússia como de potência superior ao de 2006. Um comunicado do próprio governo da Coreia do Norte afirma que a nova bomba é mais potente que a utilizada no teste anterior.
Regime comunista empobrecido desde a queda da União Soviética, responsável por grande ajuda econômica ao país, a Coreia do Norte recusou anos de ofertas de ajuda econômica e ameaças de sanções das nações internacionais para abandonar seu programa nuclear.
O país se isolou de tal forma que há poucas opções a se seguir --incluindo uma improvável invasão militar no país.
A questão é que há semanas a Coreia do Norte ameaça realizar o teste em reação às sanções internacionais mais restritivas pelo lançamento de um foguete por Pyongyang, em 5 de abril passado.
Pyongyang disse ainda que deixará as negociações por sua desnuclearização --o que amplia o temor sobre a proliferação nuclear, uma grande preocupação dos EUA que já acusaram o país asiático de vender conhecimento em programa nuclear para países como a Síria.
Analistas apontam ainda que a Coreia do Norte quer pressionar Washington a reconhecer que seu controle sobre o regime comunista é muito pequeno e fazer mais concessões nas negociações.
Com agências internacionais
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