Mundo
23/05/2003 - 13h58

Sobe para 1.600 número de mortos em terremoto na Argélia

da Folha Online

O forte terremoto que atingiu a região de Argel, capital da Argélia, na quarta-feira (21) deixou 1.600 mortos e mais 7.000 feridos, afirmou hoje o primeiro-ministro Ahmed Uyahia. É o pior tremor a atingir o país em mais de duas décadas.

"Sem dúvida, esse balanço vai piorar", disse Uyahia. Centenas de pessoas estão desaparecidas, segundo declarações de parentes das vítimas.

O balanço anterior apontava 1.467 mortos e 7.207 feridos.

Uyahia disse que o terremoto ocorreu em um local onde havia uma grande concentração de pessoas, o que explicaria o grande número de mortos e lentidão do trabalhos de resgate.

O vice-ministro do Interior da Argélia, Mohammed Kindil, declarou hoje que autoridades estão distribuindo água para a população da região de Boumerdes (a leste de Argel), a região mais devastada pelo tremor de 6,7 graus na escala Richter.

Resgate

Equipes de resgate encontraram hoje um bebê de 18 meses que passou 36 horas no meio dos destroços de um prédio em Boumerdes causados pelo forte terremoto, disse a rádio estatal.

"Equipes de resgate de Boumerdes, ajudadas por vários voluntários, retiraram um bebê de um ano e meio das ruínas [...]. A vida desse bebê não está mais em perigo", declarou a rádio.

Moradores da cidade de Boumerdes continuam removendo destroços com ferramentas toscas e até com as mãos.

A revolta cresce na população, que reclama da demora em receber ajuda. Alguns acusaram empresas de construir prédios com estrutura inadequada para uma região em que terremotos não são incomuns.

"Não tenho mais família. Minha mulher, minha filha, minha neta, meu filho e meu neto estão mortos", disse o técnico de futebol Brahim Ramdani, uma celebridade local, sentado junto ao que restou do prédio de três andares em que morava.

"Sei que não se pode fazer nada para evitar desastres naturais, mas estou com raiva porque ninguém veio nos ajudar."

Diante de prédios destruídos com corpos sob os escombros, moradores da cidade de Verte Rive, perto de Argel, questionaram por que edifícios novos desabaram enquanto prédios velhos continuam de pé.

Socorro

Passados os primeiros momentos de grande comoção pela catástrofe, os grupos de socorro se organizam e a ajuda internacional de diversos países começa a chegar à Argélia.

O terremoto foi o mais terrível na Argélia desde o tremor de 1980, quando morreram 3.000 pessoas em Chlef (200 km a oeste de Argel).

Centenas de pessoas, provavelmente mortas, continuam sob os escombros nas cidades de Boumerdes, Reghaia, Ruiba, Corso e Ain Taya, a somente poucas dezenas de quilômetros de Argel.

Os argelinos se mobilizaram, e caminhões atravessam as ruas argelinas recebendo doações em alimentos e roupa para os desabrigados.

Uma equipe francesa de mais de uma centena de pessoas especializadas em encontrar corpos sob os escombros está trabalhando, enquanto outra equipe de especialistas turcos é esperada para hoje.

O tremor também causou o rompimento de vários cabos submarinos, cortando a comunicação telefônica para o país e atrapalhando as comunicações entre a Europa e vários países asiáticos, do Oriente Médio e do Pacífico, segundo a France Telecom, que mobilizou centenas de pessoas para consertar os cabos.

Superposição

O terremoto, registrado a cerca de 70 quilômetros de Argel, foi causado pela superposição de placas tectônicas, segundo especialistas.

O fenômeno abalou o norte da Argélia, uma área de intensa atividade sísmica, na quarta-feira às 19h44 (15h44 em Brasília), anunciou ontem o Centro de Geologia de Denver, no Estado do Colorado (EUA).

O norte da Argélia está localizado numa zona sísmica e sofreu vários terremotos com muitas vítimas nas últimas décadas.

Em setembro de 1954, aproximadamente 1.400 pessoas morreram e 14 mil ficaram feridas em El Asnam, norte, conhecido como Orleansville; no dia 10 de outubro de 1980, houve 3.000 mortos e 8.000 feridos num segundo terremoto na mesma região.

Com agências internacionais

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