Reunião da OEA sobre reaproximação de Cuba acaba em impasse
da Efe
Os ministros de Relações Exteriores reunidos pela OEA (Organização dos Estados Americanos) para negociar um acordo sobre o fim da suspensão a Cuba não chegaram a um consenso. Acabou em impasse o primeiro dia da 24ª Assembleia Geral da entidade, mesmo depois que um grupo foi criado para discutir o assunto.
Os ministros se retiraram por volta das 23h locais (2h de quarta-feira em Brasília), após uma intensa jornada de negociações infrutíferas. O objetivo era conseguir um texto de consenso que permita suspender a resolução que afastou Cuba do Sistema Interamericano por seus vínculos com o bloco soviético, em 1962.
As delegações da organização continuarão negociando, mas não com chanceleres.
O secretário de Estado adjunto americano para a América Latina, Thomas Shannon, assinalou havia "conseguido muito" nas negociações, e que os países estavam a ponto de alcançar um acordo.
"Infelizmente alguns dos países simplesmente não queriam aceitar alguns aspectos da resolução estipulada pela grande maioria [dos Estados-membros da OEA]", acrescentou.
O funcionário americano disse que os "Estados Unidos e muitos outros países mostraram muita boa vontade de seguir em frente com o fim da suspensão", e rejeitou que Washington queira impor condições a Cuba.
"Não houve imposição da nossa parte, pelo contrário, trabalhamos com textos apresentados pela Associação Latino-Americana de Integração (Aladi). Tínhamos formado um grupo de países que realmente tinha a intenção de avançar, de acabar com a suspensão e estabelecer um caminho para um futuro no qual a OEA pudesse reincorporar Cuba com base em seus princípios", explicou.
O pessimismo dos chanceleres após deixarem a reunião ficou evidente nas palavras do ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, que assinalou que "é necessário derrogar a resolução, mas não houve acordo sobre como fazer isso ou os termos que devem ser utilizados".
O Brasil considera que se deva revogar a resolução aprovada em 1962 em Punta del Este (Uruguai) por consenso e, apesar da falta de um acordo, Amorim indicou que "é preciso respeitar as posições [diferentes dos países]".
Mais cedo, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, havia deixado a reunião porque precisava viajar ao Egito, onde deve se unir ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que faz viagem oficial ao país.
Apesar das divergências políticas sobre como acabar com a suspensão, os chanceleres consideram que avançaram pelo menos no aspecto de que é necessário sustar a resolução.
"Acho que houve um avanço, porque pelo menos agora existe uma consciência de que a resolução de 62 é um cadáver insepulto que tem de ser enterrado. Eu gostaria fazer um enterro democrático sem grandes pompas. Mas não foi possível", disse Amorim.
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