Secretária do Reino Unido renuncia; ministros também devem sair
da Folha Online
Funcionária do alto escalão do governo britânico, Hazel Blears, secretária de Comunidades, apresentou a sua renúncia nesta quarta-feira, em meio aos escândalos pelo uso abusivo de verbas públicas por parte dos parlamentares. O anúncio aprofunda a crise e representa um duro golpe para o premiê Gordon Brown, às vésperas de eleições tidas como uma prova da capacidade de sobrevivência do líder trabalhista.
Em comunicado, Blears pediu aos eleitores para que apoiem o Partido Trabalhista nas urnas nesta quinta-feira (4).
Há a expectativa de que Brown reformule o gabinete nesta sexta-feira (5) ou na segunda-feira (8). Por isso, mesmo antes da renúncia de Blears, três ministros já tinham dito, indiretamente, pela imprensa, que deviam renunciar aos seus cargos. São eles a ministra do Interior, Jacqui Smith, Tom Watson, chefe de gabinete, e Beverley Hughes, ministra das Famílias.
No caso da ministra do Interior, o motivo da saída seria a revelação de que ela incluiu, nas despesas a serem pagas pelo Parlamento, o aluguel de dois filmes pornográficos em TV a cabo e o gasto com um telefone celular dado ao marido.
Citando Watson, o jornal "Financial Times" descreveu as deserções como tentativas de se abandonar um navio que afunda.
Blears foi um dos nomes envolvidos no recente escândalo do mau uso de dinheiro público por parlamentares. Ela não pagou impostos referentes à venda de um apartamento que disse ser seu endereço principal e pediu verbas oficiais, por esse mesmo imóvel, após qualificá-lo como a sua moradia secundária. Os deputados do Reino Unido podem, atualmente, reivindicar boa parte do custo de manter uma segunda casa.
O escândalo de mau uso de dinheiro público por parlamentares em gastos fúteis ou irregulares --como compra de comida para cachorro e manutenção de piscinas-- envolve nomes de todos os partidos. No entanto, o Trabalhista, de Brown, acabou sendo o mais afetado eleitoralmente.
Pesquisas indicam vitória do Partido Conservador nas próximas eleições gerais, a princípio programadas para 2010. Espera-se para a semana que vem, no entanto, a apresentação de uma nova moção, no Parlamento, pedindo a antecipação das eleições para este ano, apoiada pelos conservadores.
Com Efe e Folha de S.Paulo
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