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OEA revoga suspensão de Cuba após 47 anos
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colaboração para a Folha Online
Atualizado às 17h11.
Revertendo um dos marcos da Guerra Fria no continente, os chanceleres que participam da 39ª Assembleia Geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), realizado em Honduras, chegaram nesta quarta-feira a um acordo para revogar a suspensão de Cuba que começou há 47 anos.
Confira íntegra da resolução que revogou suspensão de Cuba à OEA
"Já foi aprovada neste momento por todos os chanceleres, por consenso. Essa é uma notícia muito boa, reflete a mudança de época que se está vivendo na América Latina", disse o ministro das Relações Exteriores do Equador, Fander Falconi. Segundo o equatoriano a decisão foi tomada "sem condições", mas estabelece mecanismos para o retorno de Cuba --incluindo a concordância do país de cumprir as convenções da OEA sobre direitos humanos e outros assuntos.
| Alejandro Bolívar/Efe |
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| Representantes de países-membros da OEA durante Assembleia Geral; países decidiram pela revogação da suspensão de Cuba |
"A Guerra Fria terminou neste dia em San Pedro Sula," disse o presidente hondurenho Manuel Zelaya imediatamente após o anúncio, referindo-se à cidade de seu país na qual o encontro de ministros está sendo realizado.
O governo americano, que foi representado no encontro nesta terça-feira pela secretária de Estado, Hillary Clinton, defendia que o retorno de Cuba à organização fosse condicionado a avanços do regime cubano no aumento das liberdades civis e políticas para atender aos critérios democráticos da OEA.
Cuba foi suspensa da OEA por uma resolução aprovada em 22 de janeiro de 1962, em punição ao país por ter se juntado ao bloco comunista. A organização, sob forte influência americana, acusou o regime cubano de receber armas de "potências comunistas extracontinentais", uma referência à União Soviética e à China. Na época, os Estados Unidos alegaram que a relação de Cuba com os países comunistas ameaçava o equilíbrio da região.
Em outubro do mesmo ano ocorreu um dos episódios mais tensos da Guerra Fria, a chamada crise dos mísseis cubanos, quando a ex-União Soviética transferiu secretamente ogivas nucleares para a ilha.
Meses antes, em fevereiro, Washington adotou um embargo econômico à Cuba para retaliar as expropriações contra cidadãos americanos realizadas por Fidel Castro durante a Revolução Cubana de 1959.
"Este é um momento de alegria para todos os latino-americanos", disse o chanceler equatoriano a repórteres após a Assembleia Geral. "Muitos de nós não tinham nascido naquele momento e o que esta geração está fazendo é basicamente emendar a história. Aqui temos um desafio de construir uma história diferente".
A decisão foi adotada depois que, nesta terça-feira, os chanceleres de um grupo especial designado para tratar da questão permaneceram reunidos por mais de seis horas, sem chegar a um consenso.
Durante a Assembleia, muitos países pressionaram para a readmissão de Cuba sem impor condições para isso. Mas Hillary pediu que a OEA exigisse que o governo de Raúl Castro adotasse reformas democráticas.
O governo cubano, por outro lado, repetiu nos últimos meses que não tinha interesse de retornar ao que chamava de "ferramenta" dos EUA, enquanto países como Venezuela, Brasil e Panamá movimentavam-se diplomaticamente para garantir o fim da suspensão.
O ex-ditador cubano Fidel Castro escreveu no jornal estatal "Granma" nesta quarta-feira que a OEA deveria não existir, e que a organização, historicamente, tem "aberto portas para o Cavalo de Troia --os Estados Unidos-- devastar a América Latina".
Nos últimos anos, todos os países do hemisfério restabeleceram relações com a ilha, com exceção dos EUA, que ainda mantêm um embargo econômico ao regime cubano.
Com Efe, Associated Press e Reuters
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