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03/06/2009 - 16h44

OEA revoga suspensão de Cuba após 47 anos

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colaboração para a Folha Online

Atualizado às 17h11.

Revertendo um dos marcos da Guerra Fria no continente, os chanceleres que participam da 39ª Assembleia Geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), realizado em Honduras, chegaram nesta quarta-feira a um acordo para revogar a suspensão de Cuba que começou há 47 anos.

Confira íntegra da resolução que revogou suspensão de Cuba à OEA

"Já foi aprovada neste momento por todos os chanceleres, por consenso. Essa é uma notícia muito boa, reflete a mudança de época que se está vivendo na América Latina", disse o ministro das Relações Exteriores do Equador, Fander Falconi. Segundo o equatoriano a decisão foi tomada "sem condições", mas estabelece mecanismos para o retorno de Cuba --incluindo a concordância do país de cumprir as convenções da OEA sobre direitos humanos e outros assuntos.

Alejandro Bolívar/Efe
Representantes de países-membros da OEA durante a Assembleia Geral da organização; chanceleres decidiram pela revogação da suspensão de Cuba
Representantes de países-membros da OEA durante Assembleia Geral; países decidiram pela revogação da suspensão de Cuba

"A Guerra Fria terminou neste dia em San Pedro Sula," disse o presidente hondurenho Manuel Zelaya imediatamente após o anúncio, referindo-se à cidade de seu país na qual o encontro de ministros está sendo realizado.

O governo americano, que foi representado no encontro nesta terça-feira pela secretária de Estado, Hillary Clinton, defendia que o retorno de Cuba à organização fosse condicionado a avanços do regime cubano no aumento das liberdades civis e políticas para atender aos critérios democráticos da OEA.

Cuba foi suspensa da OEA por uma resolução aprovada em 22 de janeiro de 1962, em punição ao país por ter se juntado ao bloco comunista. A organização, sob forte influência americana, acusou o regime cubano de receber armas de "potências comunistas extracontinentais", uma referência à União Soviética e à China. Na época, os Estados Unidos alegaram que a relação de Cuba com os países comunistas ameaçava o equilíbrio da região.

Em outubro do mesmo ano ocorreu um dos episódios mais tensos da Guerra Fria, a chamada crise dos mísseis cubanos, quando a ex-União Soviética transferiu secretamente ogivas nucleares para a ilha.

Meses antes, em fevereiro, Washington adotou um embargo econômico à Cuba para retaliar as expropriações contra cidadãos americanos realizadas por Fidel Castro durante a Revolução Cubana de 1959.

"Este é um momento de alegria para todos os latino-americanos", disse o chanceler equatoriano a repórteres após a Assembleia Geral. "Muitos de nós não tinham nascido naquele momento e o que esta geração está fazendo é basicamente emendar a história. Aqui temos um desafio de construir uma história diferente".

A decisão foi adotada depois que, nesta terça-feira, os chanceleres de um grupo especial designado para tratar da questão permaneceram reunidos por mais de seis horas, sem chegar a um consenso.

Durante a Assembleia, muitos países pressionaram para a readmissão de Cuba sem impor condições para isso. Mas Hillary pediu que a OEA exigisse que o governo de Raúl Castro adotasse reformas democráticas.

O governo cubano, por outro lado, repetiu nos últimos meses que não tinha interesse de retornar ao que chamava de "ferramenta" dos EUA, enquanto países como Venezuela, Brasil e Panamá movimentavam-se diplomaticamente para garantir o fim da suspensão.

O ex-ditador cubano Fidel Castro escreveu no jornal estatal "Granma" nesta quarta-feira que a OEA deveria não existir, e que a organização, historicamente, tem "aberto portas para o Cavalo de Troia --os Estados Unidos-- devastar a América Latina".

Nos últimos anos, todos os países do hemisfério restabeleceram relações com a ilha, com exceção dos EUA, que ainda mantêm um embargo econômico ao regime cubano.

Com Efe, Associated Press e Reuters

Comentários dos leitores
J. R. (828) 16/09/2009 21h53
J. R. (828) 16/09/2009 21h53
Sr. Ebenezer Rodrigues Andrade, aconselho que viaje a Cuba como muitos americanos fazem e desfaça sua paranóia. A migração para os EUA é feita pelo mundo todo, pelos meios mais incomuns possíveis. Há brasileiros, argentinos, colombianos, venezuelanos atravessando a nado o Rio Grande e o deserto. Os Cubanos não são exceção, assim como os marroquinos chegam a Espanha e França em busca de uma vida melhor num país que está melhor economicamente falando. O Sr. está caindo na propaganda ideológica, assim como eu caí também. O bem estar é perseguido pela maioria das pessoas, independentemente de onde vivem. Hoje a migração se faz do sul para o norte, daqui a alguns anos poderá ser ao contrário, e não estaremos aqui para ver. Paciência é tudo, já dizia o velho sábio chinês ... e dominará o mundo. sem opinião
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Ebenezer Rodrigues Andrade (14) 13/09/2009 09h55
Ebenezer Rodrigues Andrade (14) 13/09/2009 09h55
A prisao americana para esses agentes cubanos é LIBERDADE. A liberdade na Cuba é a pior PRISAO. Creio que eles preferem ficarem nos EUA presos fisicamente do que ter a liberdade moral/espiritual/ideológica CATIVA pelo governo cubano. sem opinião
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célio sousa (206) 13/09/2009 09h07
célio sousa (206) 13/09/2009 09h07
Creio que Obama libertará os agentes cubanos nos Estados Unidos. Nada seria mais justo, levando em conta que a CIA treinou muitos cubanos que "governavam com corrupto ditador Batista (apoiado pelo Tio Sam) para cometer atentados contra o povo cubano, inclusive Posada Carrilles é responsável pela morte de mais de 200 inocentes. O terrorista Carrilles viveu muitos anos nos Estados Unidos na condição de "exilado político"... "Democrata" matar comunista pode; porém comunista matar "democrata" é "terrorismo". Diante do terrorista Carrilles, Batistti é aluno do jardim de infância... sem opinião
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