Membros da OEA divergem sobre exigências para readmitir Cuba
colaboração para a Folha Online
Divididos anteriormente sobre as condições para revogar a suspensão de Cuba da OEA (Organização dos Estados Americanos), os Estados Unidos e governos de esquerda do continente continuam em lados opostos na interpretação dos termos da resolução que encerrou nesta quarta-feira o afastamento imposto há 47 anos à ilha comunista.
OEA revoga suspensão de Cuba após 47 anos
Confira a íntegra do texto da resolução da OEA
O ministro das Relações Exteriores do Equador, Fander Falconi, disse que a decisão por aclamação da Assembleia Geral do 39° encontro da OEA, realizado em Honduras, foi tomada "sem condições", estabelecendo "mecanismos" para o retorno de Cuba --incluindo a concordância do país de cumprir as convenções da OEA sobre direitos humanos e outros assuntos.
Foi a esses mecanismos que o Departamento de Estado americano deu ênfase ao manifestar-se sobre a readmissão de Cuba. Segundo o porta-voz Robert Wood, o retorno está subordinado, apesar da ausência de condições explícitas, ao respeito do regime cubano aos princípios democráticos e dos direitos humanos que fazem parte dos estatutos da OEA.
"Os Estados Unidos têm trabalhado incansavelmente para defender os nossos princípios básicos e convencer todos os países da região a apoiar uma posição que deixe claro que o retorno de Cuba à participação na OEA deve ser condicionado pelos princípios e objetivos da democracia e dos direitos humanos", disse o porta-voz em Washington.
Liderada pelo representante para a América Latina do Departamento de Estado, Thomas Shannon, a delegação dos EUA apoiou a decisão.
"Removemos um impedimento histórico para a participação de Cuba [...] mas também se estabelece um processo para iniciar contatos com Cuba baseado nos princípios e práticas da OEA e no sistema interamericano", ressaltou Shannon, que ficou à frente da delegação americana depois que a secretária de Estado, Hillary Clinton, viajou nesta terça-feira de Honduras para o Oriente Médio, onde está acompanhando a visita do presidente Barack Obama à Arábia Saudita e ao Egito.
Antes da decisão, o embaixador da Venezuela na OEA, Roy Chaderton, defendeu a posição venezuelana de apoiar o regresso da ilha à OEA baseado no princípio de que "qualquer condicionamento ao levantamento das sanções contra Cuba é inaceitável".
De acordo com a resolução aprovada nesta quarta-feira, a participação de Cuba na OEA "será o resultado de um processo de diálogo iniciado a pedido do governo de Cuba" e em conformidade com as práticas, os propósitos e princípios da OEA. O governo Cubano manifestou várias vezes nos últimos meses que não desejava voltar à organização, enquanto países como Brasil, Venezuela, Equador e Panamá defendiam que a exclusão da ilha era um anacronismo da Guerra Fria.
Cuba foi suspensa da OEA por uma resolução aprovada em 22 de janeiro de 1962, em punição ao país por ter se juntado ao bloco comunista. A organização, sob forte influência americana, acusou o regime cubano de receber armas de "potências comunistas extracontinentais", uma referência à União Soviética e à China. Na época, os Estados Unidos alegaram que a relação de Cuba com os países comunistas ameaçava o equilíbrio da região.
Em outubro do mesmo ano ocorreu um dos episódios mais tensos da Guerra Fria, a chamada crise dos mísseis cubanos, quando a ex-União Soviética transferiu secretamente ogivas nucleares para a ilha.
Meses antes, em fevereiro, Washington adotou um embargo econômico à Cuba para retaliar as expropriações contra cidadãos americanos realizadas por Fidel Castro durante a Revolução Cubana de 1959.
Com agências internacionais
Leia mais notícias sobre a relação entre Cuba e a OEA
- Deputados americanos apresentam projeto que suspende apoio financeiro à OEA
- OEA revoga suspensão de Cuba após 47 anos
- Em visita a Havana, presidente do Paraguai defende retorno de Cuba à OEA
Outras notícias internacionais
- Rede mexicana Televisa leva conteúdo a site social para impulsionar audiência
- Detetive que investigou desaparecimento de Madeleine quer reabrir o caso
- Mundo conhece pouco sobre futuro líder norte-coreano, diz jornal
Especial
Livraria


avalie fechar
avalie fechar
avalie fechar