EUA pedem que China investigue massacre na praça da Paz Celestial
da Folha Online
Em comunicado, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pediu nesta quarta-feira à China que investigue o massacre da Praça da Paz Celestial, que irá completar 20 anos nesta quinta-feira (4), e divulgue números de mortos e feridos. Nunca houve uma contagem oficial dos mortos no incidente.
Em 4 de junho de 1989, o Exército chinês enfrentou, na praça da Paz Celestial, em Pequim, estudantes e trabalhadores que protestavam pela democracia no país havia várias semanas. Centenas --ou possivelmente milhares-- de pessoas morreram na repressão aos protestos, e as discussões sobre o evento continuam sendo um tabu na China.
| Jeff Widener/AP |
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| Imagem de bloqueio contra tanques imortalizou protestos na praça da Paz Celestial, em Pequim |
No dia 30 de junho de 1989, um relatório da prefeitura de Pequim mencionava "dezenas de militares mortos, 6.000 membros das forças da ordem feridas, mais de 3.000 civis feridos e mais de 200 mortos, entre os quais 36 estudantes". Mas nenhuma investigação oficial jamais foi realizada pelo governo chinês.
Pequim classifica o episódio de "incidente político" e diz considerar o desenvolvimento do país mais importante que qualquer revisão histórica. Para Hillary, a China deveria aproveitar essa ocasião para "recordar este dia dando à proteção dos direitos humanos e ao desenvolvimento democrático a mesma prioridade que deu às reformas econômicas".
No texto, Hillary diz que a China "fez enorme progresso econômico e está surgindo para ocupar o lugar que lhe corresponde na liderança mundial" e que, por isso, devia "examinar abertamente os eventos mais obscuros de seu passado e oferecer um número público de mortos, detidos ou desaparecidos, para aprender e para curar as feridas".
Hillary pediu ainda que, por ocasião da data, a China liberte as pessoas que "ainda cumprem pena" devido à sua relação com os protestos que, de acordo com ela, representam "a perda trágica de centenas de vidas inocentes".
Repressão
Nesta terça-feira (2), a dois dias do aniversário do massacre, a China bloqueou o acesso a sites como Twitter e Hotmail, além de sites de fotos e buscas Flickr e Bing. Em sua nota, a secretária de Estado americana ainda sugeriu que o governo chinês pare "de perseguir os manifestantes" e abra "o diálogo com as famílias das vítimas".
O governo da China aumentou a segurança em volta da Praça da Paz Celestial já nesta quarta-feira (3). Visitantes têm bolsas e documentos revistados, e as forças paramilitares patrulham a grande praça. Veículos da polícia estão estacionados perto do complexo do antigo palácio imperial, a Cidade Proibida.
Ding Zilin, chefe do grupo chamado Mães da Praça da Paz Celestial, formado por mulheres cujos filhos foram mortos a tiros na repressão aos protestos, teria sido proibida de sair de casa, assim como a esposa do dissidente preso Hu Jia.
Com Efe e France Presse
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