Mundo
04/06/2009 - 09h13

China acirra censura nos 20 anos do massacre da praça da Paz Celestial

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da Folha Online

O massacre realizado pelo Exército chinês na praça da Paz Celestial, em Pequim, completa 20 anos nesta quinta-feira. Por ocasião da data, a praça amanheceu sob forte vigilância das forças de segurança. Centenas de policiais a paisana patrulham o local com o objetivo evitar qualquer ato em recordação ao massacre de 1989 e o trabalho da imprensa.

Dissidentes do governo chinês que estão exilados tinham pedido que a população fizesse um protesto usando branco --a cor do luto na China--, nesta quinta-feira. Poucos o fizeram.

Jeff Widener/AP
Imagem de homem bloqueando passagem de tanques do Exército chinês marcou o massacre na praça da Paz Celestial, em Pequim
Imagem de homem bloqueando passagem de tanques do Exército chinês marcou o massacre na praça da Paz Celestial, em Pequim

Em 4 de junho de 1989, o Exército chinês enfrentou, na praça da Paz Celestial, em Pequim, estudantes e trabalhadores que protestavam pela democracia no país havia várias semanas. Centenas --ou possivelmente milhares-- de pessoas morreram na repressão aos protestos, e as discussões sobre o evento continuam sendo um tabu na China.

O governo da China classifica os protestos por democracia de "rebelião contrarrevolucionária" e o massacre de "incidente político". Qin Gang, porta-voz da chancelaria chinesa, afirmou que o governo já "apresentou suas conclusões" sobre o caso. Nunca houve uma contagem oficial de mortos, feridos e presos no massacre, e, 20 anos mais tarde, diversas pessoas continuam presas por envolvimento nos protestos.

Nesta quarta-feira (3), havia mais policiais que turistas na praça da Paz Celestial, onde há, normalmente, espera para visitar o mausoléu do ditador Mao Tse-tung e a antiga cidadela imperial, a Cidade Proibida.

Também nesta quarta-feira, repórteres de quatro TVs estrangeiras foram proibidos de entrar com equipamentos na praça. Uma equipe chegou a ser cercada e empurrada por 30 homens à paisana. Durante todo o dia, a tela da TV escurecia, sempre que CNN ou BBC apresentavam reportagens sobre o massacre.

Nesta quinta-feira, um repórter da TV da France Presse foi obrigado a apagar as imagens que havia feito, e um fotógrafo da agência foi retirado da praça.

O Clube de Correspondentes Estrangeiros de Pequim divulgou nota dizendo que as agressões e a censura são "inadmissíveis". A imprensa local é proibida de tocar no assunto.

Sites como Twitter, Youtube, Hotmail, Flickr, Blogspot e Blogger continuam bloqueados. "Use branco em 4 de junho em homenagem aos mortos da praça da Paz Celestial. O governo não pode proibir cor." Essa era uma das mensagens mais populares entre usuários chineses do Twitter até terça-feira (2), quando começou o bloqueio. Pesquisas sobre o assunto, ausentes de livros escolares, são bloqueadas no Google.

O grupo "Mães da Tiananmen" (nome da praça em chinês) está sob vigilância 24 horas por policiais. Algumas mães de estudantes mortos em 1989 foram impedidas de conversar com jornalistas estrangeiros.

Comentários dos leitores
Roger Destefano (2) 09/11/2009 14h00
Roger Destefano (2) 09/11/2009 14h00
Concordo que o muro sempre foi uma grande ofensa a civilização, e que deveria ter caido muito antes. Agora pergunto, não são as mesmas nações que tanto criticaram o muro que hoje apoiam o também muro que esta sendo construido por Israel. Será que essas nações não são contra ou a favor, de acordo com interesses próprios, e que se lixe os outros. Vamos ver as coisas nas entre linhas. Outra pergunta, porque a imprensa não divulga com tanta enfase o muro de Israel como sempre falou no muro de Berlim. As nações citadas o titulo de hipócritas, à impresa fantoches. sem opinião
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gerigeo nogueira (2) 04/06/2009 16h26
gerigeo nogueira (2) 04/06/2009 16h26
A China vem se tornando um gigante capitalista, e pode tornar um império bem pior para o mundo, em função dessa postura política ditatorial, que aliás não tem nada de comunista. Penso que o melhor caminho é continuarmos insistindo em outro mundo possível, fundamentar ainda mais o que já vem sendo debatido pelo Fórum Social Mundial, talvez esteja ai o norte ideal para a humanidade. 7 opiniões
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Ricardo Perim (80) 04/06/2009 15h38
Ricardo Perim (80) 04/06/2009 15h38
É realmente triste que um País como a China ainda mantenha esse sistema politico até hoje.... Digo isso principalmente pelo povo trabalhador e inteligente que eles são.... Não discuto a questão de produtos acabados e sua qualidade..... Mas sim a questão humana que é mais relevante e importante. O povo não merece conviver com tanta humilhação e escravidão... Esse sistema já demonstrou em outros países que não tem mais condições de continuar.... 4 opiniões
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