Obama critica presidente do Irã em visita a campo de concentração
da Folha Online
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, aproveitou a visita que fez ao antigo campo de concentração de Buchenwald (Alemanha) nesta sexta-feira para criticar os que "insistem que o Holocausto nunca aconteceu", em um ataque direto ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. "Ele devia vir fazer uma visita."
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"Existem, até hoje, aqueles que insistem que o Holocausto nunca aconteceu. Esse lugar é a melhor resposta a esses pensamentos, um lembrete de nossa tarefa de confrontar aqueles que contam mentiras sobre a nossa história. [...] Não tenho paciência para aquelas pessoas que negam a história", disse o americano.
| Gerald Herbert/AP |
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| Obama caminha pelo antigo campo de concentração de Buchenwald ao lado da chanceler alemã, Angela Merkel |
Em abril passado, o presidente iraniano chamou o Holocausto de "ambíguo e dúbio" durante discurso na Conferência contra o Racismo da ONU (Organização das Nações Unidas), o que gerou protestos e esvaziou a plateia. "Depois da Segunda Guerra, eles [aliados] recorreram à agressão militar para deixar uma nação inteira sem lar, sob o pretexto dos sofrimentos judeus e da ambígua e dúbia questão do Holocausto."
Com a chanceler alemã, Angela Merkel, Obama percorreu as instalações de Buchenwald acompanhado também pelos sobreviventes do campo Elie Wiesel, ganhador do Prêmio Nobel, e Bertrand Hertz, e depositou uma rosa na lápide que recorda os 56 mil mortos, a maioria de judeus, durante a Segunda Guerra (1939-1945). Depois, caminhou pela área onde ficavam os barracões que abrigavam os prisioneiros.
Obama depositou outra rosa branca no monumento central do campo, onde ficou em silêncio por alguns minutos antes de escutar as explicações dadas pela chanceler e por supervisores de Buchenwald.
O campo de concentração era um dos maiores da Alemanha nazista. Um tio-avô de Obama, Charles Payne, integrou as tropas americanas que libertam o campo no fim da guerra. "Esses lugares não perderam seu horror com o tempo. [...] Mais de meio século depois, nossa dor e nossa indignação não diminuíram."
Oriente Médio
Mais cedo, na cidade de Dresden, o presidente pressionou por progresso no diálogo de paz do Oriente Médio, em uma continuação ao discurso ao mundo muçulmano que realizou nesta quinta-feira (4) no Cairo. "O momento é para agir. [...] Os EUA não podem forçar a paz entre as partes", mas "ao menos a atmosfera nos quais as negociações podem recomeçar".
Obama também anunciou que o enviado especial George Mitchell vai voltar à região.
Segundo Obama, enquanto países do Oriente Médio e de outras partes do mundo devem ajudar a atingir a paz, a responsabilidade de um acordo, em última instância, pertence aos dois lados do conflito. Ele disse que Israel deve reavivar compromissos acertados no Mapa do Caminho --o plano americano que norteia as negociações-- e encerrar a construção de assentamentos. "Reconheço a grande dificuldade política em Israel de fazer isso."
Obama também disse que os palestinos devem controlar a incitação de violência. Para ele, Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), "tem feito progresso nesse sentido, mas não o suficiente".
Merkel endossou o pedido de Obama para que as negociações caminhem. "Com esse novo governo americano e o novo presidente, há, realmente, uma oportunidade única de reaviver esse processo de paz ou, colocando de forma mais cautelosa, esse processo de diálogos."
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