Mundo
10/06/2009 - 19h21

Ditador da Líbia diz que somalis foram forçados à pirataria

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colaboração para a Folha Online

O ditador da Líbia, Muammar Gaddafi, defendeu nesta quarta-feira os piratas somalis ao afirmar que eles foram forçados à atividade por causa do esgotamento dos peixes em seu litoral causado pelos países ricos.

Gaddafi, que ocupa a presidência rotativa da União Africana, disse que trabalha em um acordo pelo qual a pesca na região deve ser suspensa e para que os somalis acabem com a "chamada pirataria".

Max Rossi/Reuters
O ditador líbio, Muammar Gadaffi, conversa com o premiê Silvio Berlusconi, no Palzzo Chigi, sede do governo italiano, em Roma
O ditador líbio, Muammar Gadaffi, conversa com o premiê Silvio Berlusconi, no Palzzo Chigi, sede do governo italiano, em Roma

Em Roma, Gaddafi disse que aceitou viajar à Itália pela primeira vez porque o país europeu "quebrou definitivamente os laços com o colonialismo e com o fascismo" e "pediu perdão" pelo ocorrido enquanto a Líbia era uma colônia italiana, entre 1911 e 1943.

"Não olhamos para o valor material das indenizações porque não existe preço para o que foi perpetrado pela Itália durante sua ocupação contra o povo líbio", afirmou, em referência ao acordo bilateral entre os dois países, assinado em 30 de agosto de 2008, que estabelece indenizações pelas mais de três décadas de ocupação italiana.

Pelo acordo, a Itália se comprometerá a financiar projetos de infraestrutura e em outros setores por um valor de US$ 200 milhões (R$ 388 milhões) anuais durante 25 anos.

Gaddafi recordou o período colonial em seu encontro com o presidente italiano, Giorgio Napolitano. Ele também se encontrou com o primeiro-ministro, Silvio Berlusconi, e deve pronunciar um discurso no Senado do país.

Os italianos ocuparam a Líbia entre 1911 e 1943, quando foram derrotados na Segunda Guerra (1939-45). Na ocasião, a Líbia passou às mãos da ONU (Organização das Nações Unidas) e alcançou a independência em 1951. Em 1969, Gaddafi chegou ao poder por meio de um golpe militar que derrubou o rei Idris 1º. Desde então, o idioma italiano foi proibido no país, e os colonos italianos foram expulsos e proibidos de voltar.

Com Efe e Associated Press

 

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