Mundo
12/06/2009 - 02h15

Laboratório anuncia produção do primeiro lote de vacina contra gripe suína

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colaboração para a Folha Online

Atualizado às 04h01.

A empresa farmacêutica suíça Novartis informou nesta sexta-feira ter produzido com sucesso o primeiro lote de uma vacina contra a gripe suína. A informação foi divulgada no dia seguinte ao anúncio da OMS (Organização Mundial de Saúde) de que a doença causada pelo novo tipo de vírus influenza A H1N1 atingiu o nível de pandemia. O termo tem relação apenas com a ampla distribuição geográfica da gripe suína, considerada uma doença "moderada".

A Novartis, que fez o anúncio semanas antes do esperado, afirmou que vai utilizar o primeiro lote de vacina para a avaliação pré-clínica e testes --os quais devem começar em julho. Segundo a empresa, a vacina foi feita em células, e não cultivada em ovos (técnica normalmente utilizada na fabricação de vacinas), porque permitiria maior rapidez no processo.

A OMS havia informado que as vacinas para a gripe suína deveriam estar aprovadas e prontas para venda em setembro e recomendou, nesta quinta-feira, que as autoridades reguladoras dos países trabalhem em conjunto para ajudar na aprovação rápida das vacinas.

A vacina anunciada pela Novartis foi produzida em uma fábrica em Marburg, na Alemanha. A companhia afirmou que a unidade poderá potencialmente produzir milhões de doses de vacina por semana.

A Novartis informou que mais de 30 governos solicitaram suprimentos do medicamento, incluindo o Departamento de Saúde dos Estados Unidos, que fez uma encomenda no valor de US$ 289 milhões em maio.

Algumas das principais companhias farmacêuticas do mundo estão trabalhando no desenvolvimento de uma vacina contra o novo tipo de vírus influenza A H1N1, que causa a gripe suína. O anúncio de pandemia da OMS impulsionou as ações das farmacêuticas Glaxo, Novartis e Sanofi, que subiram entre 2% e 4,5% na bolsa de Nova York nesta quinta-feira.

Ao anunciar a pandemia, em Genebra, a diretora geral da OMS, Margareth Chan, recomendou aos laboratórios que primeiro terminassem a produção das vacinas contra a gripe comum para só então mobilizarem suas fábricas para a produção da nova vacina. O tempo estimado para que terminassem de produzir a vacina comum era de duas semanas.

Wayne Pisano, chefe de vacinas da Sanofi-Aventis, a maior produtora de vacina contra a gripe, disse nesta quinta-feira que a empresa poderia "produzir o maior número de doses de vacina no menor prazo". Ainda assim, ela disse que é preciso esperar quatro meses antes que o primeiro lote do produto estivesse pronto para venda.

As farmacêuticas receberam amostras do novo vírus nas duas últimas semanas.

"Moderada"

Quando anunciou a elevação para o nível máximo do grau de alerta por causa da gripe suína, a diretora-geral da OMS disse que se trata de "uma pandemia moderada". A decisão de declarar a pandemia (epidemia generalizada) --a primeira em 41 anos-- foi tomada devido à abrangência mundial da doença, que já atinge 74 países, e não à periculosidade do vírus.

A última declaração de pandemia ocorreu em 1968, quando um surto de gripe causou a morte de mais de 1 milhão de pessoas em todo o mundo. Em todo o século 20, foram registradas três pandemias.

A transmissão intercomunitária do vírus, assim como a extensão geográfica dos novos casos, são os principais critérios analisados pela OMS para determinar a passagem da fase cinco para a fase seis, o nível máximo na escala de alerta de pandemias.

"Pandemia significa extensão [do vírus]. Mas um maior nível de alerta pandêmico não significa necessariamente que vamos ver um vírus mais perigoso ou que muita gente vá ficar gravemente doente", disse, em entrevista coletiva, a diretora-geral da OMS.

Kin Cheung/AP
Criança em Hong Kong usa máscara e lava mãos antes da aula; escolas no país foram fechadas
Criança em Hong Kong usa máscara e lava mãos antes da aula; escolas no país foram fechadas

O anúncio desta quinta-feira, aguardado nos últimos dias, é a confirmação científica de que um novo vírus da gripe surgiu e rapidamente se espalhou pelo globo, e não que o vírus se tornou mais perigoso.
A diretora da OMS descreveu o vírus como "moderado". Ela salientou que a maioria dos casos é leve e não precisa de tratamento. Entretanto, existe o temor de que uma série de novas infecções possa lotar os hospitais, especialmente nos países mais pobres.

Cerca de metade das pessoas que morreram após contrair o vírus da gripe suína era de jovens saudáveis --público que normalmente não é suscetível à gripe comum, que atinge entre 250 mil e 500 mil pessoas por ano.

Arte/Folha Online

A decisão de aumentar o nível de alerta poderia ter sido tomada antes se a OMS tivesse informações mais acuradas em relação à Europa. Chan disse que ela convocou uma reunião de emergência para esta quinta-feira com especialistas em gripe depois que foram levantadas dúvidas sobre se alguns países, como o Reino Unido, estavam ou não reportando os casos registrados de forma cuidadosa.

Após o encontro, a diretora da organização disse que os especialistas concordaram que o vírus se espalhou mais do que estava sendo informado.

Na última quarta-feira, a OMS relatou que 74 países informaram sobre 27.737 casos da doença, incluindo 141 mortes.

Sintomas

A gripe suína é uma doença respiratória causada pelo vírus influenza A, chamado de H1N1. Ele é transmitido de pessoa para pessoa e tem sintomas semelhantes aos da gripe comum, com febre superior a 38ºC, tosse, dor de cabeça intensa, dores musculares e articulações, irritação dos olhos e fluxo nasal.

Para diagnosticar a infecção, uma amostra respiratória precisa ser coletada nos quatro ou cinco primeiros dias da doença, quando a pessoa infectada espalha vírus, e examinadas em laboratório. Os antigripais Tamiflu e Relenza, já utilizados contra a gripe aviária, são eficazes contra o vírus H1N1, segundo testes laboratoriais, e parecem ter dado resultado prático, de acordo com o CDC (Centros de Controle de Doenças dos Estados Unidos).

arte Folha Online/arte Folha Online
Mapa da gripe no Brasil
Mapa da gripe no Brasil

Com Associated Press e Reuters

Comentários dos leitores
Guilherme Lemmi (228) 27/11/2009 22h25
Guilherme Lemmi (228) 27/11/2009 22h25
Quase UM BILHAO E MEIO DE DOLARES foram gastos pela America Latina na compra de vacinas para a gripe suina. E isso sem contar com os estoques de Tamiflu!
A industria da morte, formada pelas coorporações farmaceuticas, agradece.
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Glória Araújo (58) 27/11/2009 21h57
Glória Araújo (58) 27/11/2009 21h57
A população brasileira na sua maior parte é desinformada,consumistas sem formação média de cultura,outra grande fração são analfabetos,por exemplo saem para manifestações as mais diversas,mas, pode morrer um parente,um amigo da famosa gripe que ´´eles´´ não proucuram se unir para nenhuma manifestação. Portanto acho que o MS sabe com qual população estão tratando.Aconteça epidemia,não existirá reação.
O site de muita gente é outro, sua praia não é a saude. O governo sabe disso.Acho que o MS deve
aproveitar e entender também que essa coletividade vai piorar o contagio do H1N1.
Deveria acontecer campanhas de sensibilização e esclarecimentos para todos melhorar sua condiçao de conhecimento e ter interesse também para esse conhecimento,vai evitar propagação do H1N1.
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Mario Sidnei Moreira (3) 27/11/2009 17h48
Mario Sidnei Moreira (3) 27/11/2009 17h48
Um estudo de 2006 do Ministério da Saúde - "Plano Brasileiro de Preparação para uma Pandemia de Influenza ­ 3ª versão". foi dado ao conhecimento público pelo jornalista Hélio Schwartsman, da Folha de São Paulo.
O plano propunha diferentes cenários para a próxima pandemia de gripe: entre 35 milhões e 67 milhões de brasileiros seriam afetados pelo vírus pandêmico, de 3 milhões a 16 milhões desenvolveriam algum tipo de complicação, entre 205 mil e 4,4 milhões necessitariam de hospitalização.
O Ministério da Saúde renegou o próprio trabalho; o ombudsman da Folha disse que a matéria era o "pior erro jornalístico" ocorrido durante seu mandato; a vanguarda do movimento lulista viu no texto mais uma tentativa de golpe contra o governo do PT; o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirmou que a reportagem era patética, pois aplicava ao H1N1 parâmetros válidos apenas para o H5N1, a gripe aviária.
O Ministro não sabia, ou, mais provavelmente fez que não sabia, os dois dados conhecidos para o H5N1: 0% de taxa de transmissão entre humanos e mais de 60% de letalidade entre os casos contraídos de animais.
Em seguida o Ministério da "Saúde" passou a divulgar um número que não se sustenta por nenhum critério conhecido: a gripe sazonal mata, no Brasil, todos os anos, 70 mil pessoas.
Felizmente, o País conta com pessoas, não sei se muitas, que, como jornalista Hélio Schwartsman, se propõem fazer um jornalismo sério, independente, investigatório e corajoso.
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