Mundo
12/06/2009 - 21h59

Três presos de Guantánamo serão transferidos para a Arábia Saudita

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da Folha Online

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou nesta sexta-feira que três sauditas que estavam detidos na prisão americana de Guantánamo, em Cuba, foram transferidos para um campo de prisioneiros na Arábia Saudita, onde serão submetidos a um "programa de reabilitação".

Os casos de Khalid Saad Mohammed, Abdalaziz Karim Salim Al Noofayai e Ahmed Zaid Salim Zuhair serão examinados pelas autoridades judiciais sauditas, após os três rejeitarem um programa de reinserção proposto pelo governo de Riad.

A trasnferência dos três detentos eleva a nove o número de presos removidos de Guantánamo esta semana, para países como Chade, Bermudas e Iraque. No total, 11 detentos já saíram da prisão na ilha de Cuba desde que Barack Obama assumiu a Presidência americana.

"Representa o maior número de traslados em uma semana em mais de um ano e ocorre, em grande parte, graças à vontade dos governos estrangeiros de trabalhar com os Estados Unidos neste problema tão importante e colaborar com o fechamento do centro de detenção", disse Matthew Olsen, que dirige o grupo de trabalho da administração Obama sobre Guantánamo.

Na quinta-feira passada, quatro dos 17 uigures chineses detidos em Guantánamo e isentos de qualquer acusação de terrorismo partiram para as Bermudas.

Palau, uma remota nação no Pacífico Sul, dependente de ajuda americana, se ofereceu para receber 13 muçulmanos chineses da etnia uigur que permanecem em Guantánamo. Representantes do governo palauense visitarão a prisão nos próximos dias.

Guantánamo

O campo de detenção de Guantánamo, localizado em uma base militar na ilha de Cuba sob controle dos EUA desde o século 19, foi criado pelo governo Bush para prender e interrogar suspeitos estrangeiros de terrorismo após os atentados de 11 de setembro de 2001, que mataram cerca de 3.000 pessoas.

A prisão fazia parte da estratégia de criar um limbo legal para os detidos na "guerra ao terror". Pelo entendimento do antigo governo, os suspeitos não podiam recorrer às garantias da Constituição americana --já que não estavam nos EUA-- e não precisavam ser tratados de acordo com a Convenção de Genebra --por não serem considerados prisioneiros de guerra, já que não combatiam legalmente por nenhum país.

Mais de 530 prisioneiros foram posteriormente libertados ou transferidos para outros países durante o governo Bush, e dois foram libertados desde que Obama tomou posse em 20 de janeiro último.

No mês passado, um relatório do Departamento de Estado americano informou que 5% dos prisioneiros da base militar haviam participado de atividades terroristas depois de ser libertados.

A base naval dos EUA em Guantánamo foi fundada em 1898, durante a guerra Hispano-Americana. Um tratado de 1934 determina que ela só pode ser devolvida a Cuba por acordo mútuo ou uma saída unilateral dos EUA. O regime comunista de Cuba, que subiu ao poder em 1959, pede a devolução do território, de 115 km², e não aceita os pagamentos feitos pelos EUA pela utilização da base.

 

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