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12/06/2009 - 22h59

Com 73% das urnas apuradas, presidente iraniano está perto da reeleição

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colaboração para a Folha Online

Com 73% da urnas apuradas, o ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad está perto de conseguir a reeleição no primeiro turno da eleição no Irã, mas seu principal oponente alegou que houve irregularidade durante a votação e declarou-se vencedor.

Veja abaixo diagrama sobre a divisão de poder do Irã

A Comissão Eleitoral informou que Ahmadinejad está à frente com 65,69%, dos votos depois que quase 26 milhões de cédulas --entre 46 milhões de possíveis eleitores-- haviam sido apuradas.

Segundo a comissão, que faz parte do Ministério do Interior, o reformista ex-primeiro-ministro Mir Hossein Mousavi tinha 31,4% dos votos.

Muito mais afastados estão o conservador Mohsen Rezaei, com 508.796 votos (1,96%), e o clérigo reformista Mehdi Karrubi, com 228.431 (0,88%).

Os números são muito diferentes das informações nas quai Mousavi se baseou para fazer sua declaração de vitória. Ele disse ser "definitivamente o vencedor" baseado em "todas as indicações de todas as partes do Irã". Um de seus partidários chegou a apresentar uma projeção que mostrava preferência de mais de 60% dos eleitores pelo reformista. Mousavi também alegou que houve irregularidades generalizadas, incluindo o fechamento de seções eleitorais enquanto havia eleitores nas filas --sugerindo que estava pronto para contestar os resultados.

Mas levar qualquer contestação para as ruas certamente enfrentaria uma reação rápida de forças de segurança, que já emitiu advertências contra agitação ou qualquer ameaça para o regime islâmico. Os resultados finais devem ser validados pelo poderoso Conselho de Guardiães, antes de serem oficiais (veja quadro abaixo).

A controvérsia começou antes mesmo de as unas serem fechadas, aumentando as tensões na capital. Mousavi, que foi primeiro-ministro do país entre 1981 e 1989 --ano em que o cargo foi extinto-- sugeriu que poderia contestar os resultados.

A confusa e tensa atmosfera durante a apuração veio depois de um longo dia de votação --o prazo de abertura das urnas foi prorrogado seis horas devido à grande participação. A afluência de eleitores era vista como uma vantagem para Mousavi, cujo eleitorado é formado principalmente por jovens, mulheres e pela população urbana.

Ao longo do dia, houve preocupações de que as poderosas instituições islâmicas do país estivessem usando seu poder de pressão contra os apoiadores de Mousavi.

Durante a votação, mensagens de texto --uma ferramenta-chave da campanha do reformista-- foram bloqueadas, assim como alguns sites pró-Mousavi. Oficiais de segurança advertiram que não vão tolerar reuniões ou comícios políticos antes da divulgação dos resultados finais.

O presidente era considerado imbatível até o início da campanha, mas uma grande mobilização em torno de Mousavi, principalmente de jovens, mulheres e da população urbana, embaralhou o processo de sucessão.
Ahmadinejad, favorito na zona rural, contou com o apoio de setores conservadores e é visto como o preferido de setores organizados que normalmente votam em bloco, como o Exército e a Guarda Revolucionária.

Os dois principais opositores protagonizaram uma campanha agressiva, com acusações mútuas de manipulação de dados. Em um inédito debate, assistido por mais de 40 milhões de pessoas, Mousavi disse que o presidente mentia sobre os dados da economia para esconder a inflação resultante do que chamou de incompetência para administrar o país. Ahmadinejad reagiu e disse que os aliados do opositor --como o ex-presidente e chefe do Conselho de Discernimento, Akbar Rafsanjani-- enriqueceram por meio da corrupção.

Os dois também discordaram sobre a política externa. Mousavi acusou o presidente de isolar internacionalmente o país ao negar o holocausto. Mas os quatro concorrentes concordaram em manter o programa nuclear do país, oficialmente com fins de produção de energia. Os Estados Unidos acusam o país de estar tentando desenvolver armas nucleares.

Falando em Washington antes da divulgação dos primeiros resultados, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama disse que sua administração estava animado com debate no Irã e que ele esperava que a eleição ajude os dois países a se relacionarem "de novas formas".

Analistas haviam dito que uma vitória de Mousavi poderia ajudar a aliviar as tensões com o Ocidente, que está preocupado com as ambições nucleares de Teerã, e melhorar as oportunidades de relação com Obama, que falou de um novo começo nas relações com o Irã, país com quem os EUA não mantêm relações diplomáticas há três décadas.

Dentro de uma estrutura de poder inspirada pelo islã e por instituições ocidentais, o presidente do Irã comanda a política econômica e a administração do dia a dia, mas não tem controle sobre as Forças Armadas e está subordinado ao líder supremo, atualmente o aiatolá Ali Khamenei.

Com agências internacionais

 

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