Mundo
15/06/2009 - 07h30

Após violência, líder supremo do Irã pede investigação sobre eleição

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da Folha Online

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, ordenou nesta segunda-feira uma investigação sobre possível fraude eleitoral na eleição presidencial da semana passada --que reelegeu o controverso presidente Mahmoud Ahmadinejad sob fortes protestos e críticas da oposição.

Khamenei ordenou ao poderoso Conselho dos Guardiães que examine as alegações do candidato reformista derrotado, Mir Hossein Mousavi, que afirma fraude nos resultados da eleição da última sexta-feira no país.

AP
Apoiadores da oposição são seguidos pela polícia nos protestos deste domingo
Apoiadores da oposição são seguidos pela polícia nos protestos deste domingo

O governo declarou o presidente Ahmadinejad vitorioso com ampla margem, apesar das pesquisas de intenção de voto indicarem uma disputa acirrada.

A medida surpreendeu já que o líder supremo iraniano, a figura mais poderosa da República Islâmica, já havia validado o resultado das eleições.

Mousavi escreveu um apelo neste domingo ao Conselho dos Guardiães, um corpo de 12 integrantes que é pilar da teocracia iraniana. Mousavi também se reuniu neste domingo com Khamenei.

Em carta enviada a este órgão integrado por seis clérigos e seis civis, a metade deles escolhidos de forma direta pelo líder da Revolução, Khaamenei, o opositor reformista acusava o Ministério do Interior e seu rival, o presidente Ahmadinejad, de influir nos resultados.

Abedin Taherkernareh/Efe
Presidente Ahmadinejad comemora vitória sob críticas de fraude
Presidente Ahmadinejad comemora vitória sob críticas de fraude

Analistas afirmam que a decisão não deve ir além de um trâmite formal, pois quase ninguém prevê que o citado Conselho escute as queixas do candidato da oposição.

Os apoiadores de Mousavi realizaram três dias consecutivos de protestos em Teerã contra a reeleição de Ahmadinejad --que suscitou a violência nas ruas.

Enquanto chega o esperado veredicto, Moussavi pediu a seus seguidores para se manifestar de forma pacífica nas ruas do país, tomadas por soldados da polícia e das milícias de voluntários islâmicos Basij.

Neste domingo à noite, os protestos voltaram a se converter em confrontos com cenas de batalha campal.

Contêineres e pneus incendiados, mobiliário urbano destroçado, patrulhas de milicianos Basij em motos, armados com paus e inclusive com pistolas e postos de controle colocados em pontos estratégicos da cidade foram as principais cenas.

Alerta à imprensa

O governo iraniano advertiu nesta segunda-feira a todos os jornalistas enviados pela imprensa internacional para cobrir as eleições que devem deixar de forma imediata o país uma vez expiradas as credenciais que lhes foram concedidas.

Vários correspondentes receberam ligações, presumivelmente procedentes do Ministério de Orientação Islâmica, nas quais foram lembrados de que em nenhum caso vão ser estendidos os vistos.

O assédio à imprensa internacional, que sofre muitas dificuldades para poder informar sobre os atuais distúrbios no Irã, começou no sábado passado (13), com os primeiros protestos da oposição.

Alguns correspondentes estrangeiros, considerados testemunhas incômodas, receberam um fax de advertência dizendo que podiam ser detidos a qualquer momento nas ruas e que seu credenciamento poderia ser retirado.

Fontes do Ministério de Orientação Islâmica negaram o envio deste fax e falaram da existência de muitos "rumores" no país.

Ao menos dois jornalistas estrangeiros foram detidos e outros receberam golpes por parte da polícia e dos Basij enquanto cobriam as manifestações, segunda a agência de notícias Efe.

Várias redes de TV tiveram material expropriado durante horas e não é permitido a elas filmar em vários lugares do país.

O escritório do canal por satélite árabe Al Arabiya foi fechado durante uma semana e as agências de imprensa com serviço de televisão receberam um aviso para que não enviem imagens a meios de imprensa em língua persa, como a BBC e a Voz da América, proibidos no país.

Os jornalistas iranianos também estão sofrendo o assédio das autoridades. O jornal partidário de Moussavi foi fechado e não pôde ser vendido neste domingo, enquanto vários jornalistas locais viram como seu credenciamento não foi renovado para colaborar com estrangeiros.

No sábado, em uma grande entrevista coletiva, Ahmadinejad acusou a imprensa internacional de imiscuir-se nos assuntos internos do Irã e de projetar uma imagem "errônea e negativa" do país.

Com Associated Press e Efe

Comentários dos leitores
Valentin Makovski (217) 03/11/2009 15h23
Valentin Makovski (217) 03/11/2009 15h23
Eu não duvido de nada, se os EUA em alguns anos, implantarem algumas bases de mísseis de longo alcance no Iraque, pois estão lá e tem mais de 100 mil soldados, agora lógico. A Russia esta fazendo o mesmo apoio ao Irã, Pra ser mais exato, a guerra fria ainda não acabou só mudou de época. Lógico com vantagem dos EUA, mas a Russia tem seus prô e contras, ainda tem tecnologia suficiente e possui o maior arsenal de bombas atômicas. EUA estão no paquistão não para combater o Taliban, estão presentes numa região que demanda conflitos eternos, e que sempre terá um para vender armas, e tecnologia. Sabemos de praxe Srs (as) que guerras são grande negócios, em valores astronômicos. Antes não se dava ênfase á aquela região, hoje em dia a região é estratégica para as super potencias, envolve muito dinheiro e conflitos a vista. Por isso tanto interesse e tanta movimentação bélica. sem opinião
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J. R. (1126) 18/10/2009 13h21
J. R. (1126) 18/10/2009 13h21
RU treina soldados iraquianos para proteger seus poços de petróleo.
"O Parlamento iraquiano aprovou nesta terça-feira um acordo de cooperação marítima com o Reino Unido que permitirá o retorno de entre cem e 150 soldados britânicos ao sul do país árabe, para ajudar a treinar a Marinha iraquiana e proteger as instalações petrolíferas."
Este é o sinal obvio que os ingleses se apossaram das companhias de petróleo iraquianas após enforcarem Sadam Hussein e colocarem "testas de ferro e laranjas" da nova elite iraquiana. Como se não bastasse o exército iraquiano vigiará os poços para eles. Provavelmente, após o saque ao tesouro iraquiano, no lugar de ouro e outras moedas, os corsários os encheram de dólares cheirando a tinta. O Irã deve abrir bem os olhos, pois isso é o que é pretendido para eles também. É bom que a revolução dos aiatolás comece a educar seu povo maciçamente, a fim de não facilitar a invasão dos inimigos que sempre contam com que o povo esteja na ignorância.
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J. R. (1126) 28/09/2009 14h07
J. R. (1126) 28/09/2009 14h07
Alguns não querem que o Brasil se aproxime do Irã, outros não querem que se aproxime do criminoso Israel, porém lembrem-se que estão num país que não tem rabo preso. O presidente do Irã virá, o ministro de Israel, Kadafi, Obama. Isso é liberdade e autodeterminação. De que adianta essa panacéia com relação ao mundo árabe? Nada. 1 opinião
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