Mundo
15/06/2009 - 08h22

Vice dos EUA diz que resultado de eleição iraniana gera dúvida

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JANAINA LAGE
da Folha de S. Paulo, em Nova York

O vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou neste domingo que ainda existem dúvidas reais sobre o resultado das eleições no Irã. Apesar disso, em entrevista à rede de TV NBC, reiterou que os EUA continuam dispostos a retomar o diálogo com o Irã.

"Com certeza parece que a maneira como eles estão abafando os discursos, a maneira como estão reprimindo as multidões, a maneira com que as pessoas estão sendo tratadas, despertam dúvidas reais" sobre o resultado, afirmou Biden.

Durante a entrevista, Biden citou, por exemplo, que 70% dos votos no Irã são provenientes das cidades, onde Ahmadinejad não teria uma votação muito expressiva.

O vice-presidente enfatizou que o país continua a acompanhar o desenrolar dos acontecimentos no Irã. Segundo ele, a decisão sobre a retomada do diálogo com o país já foi tomada.

"Conversas com o Irã não são uma recompensa por bom comportamento. São apenas consequência do fato de que o presidente julga que é do melhor interesse dos EUA conversar com o regime iraniano. Nossos interesses são os mesmos, antes e depois da eleição."

Ele citou o fim do apoio ao terrorismo e a questão nuclear.

Desde a noite da última sexta-feira, quando foi anunciada a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, o presidente dos EUA, Barack Obama, ainda não se pronunciou sobre o assunto. Nos comentários feitos pelos demais representantes do governo americano predomina o tom de cautela.

A secretária de Estado, Hillary Clinton, afirmou no sábado que os EUA acompanham de perto o vigoroso debate que ocorreu nas eleições iranianas.

"Nós estamos monitorando a situação conforme o seu desdobramento no Irã. Mas nós, assim como o restante do mundo, estamos esperando e observando para ver o que o povo iraniano vai decidir", disse. Acrescentou ainda que espera que o resultado da eleição reflita a vontade do povo iraniano.

Na Europa, os comentários sobre os resultados foram mais críticos. O conselheiro político do presidente da França, Nicolas Sarkozy, Henri Guaino, afirmou que "o que está acontecendo no Irã não é uma boa notícia para ninguém -nem para os iranianos, nem para a estabilidade e nem para a paz mundial".

A União Europeia expressou preocupação como as "alegadas irregularidades" durante o processo eleitoral e a violência que se seguiu.

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, afirmou que o procedimento de votação levantou uma série de questões e disse esperar que as autoridades em Teerã examinem as acusações de perto e forneçam explicações satisfatórias.

Para Trita Parsi, presidente do Conselho Nacional de Irano-Americanos, os EUA estão evitando um confronto direto por conta do objetivo de retomada das conversas com o país.

"Ninguém na Casa Branca tinha qualquer expectativa de que quem quer que vencesse as eleições trouxesse mudanças significativas nas manchetes e na posição iraniana. O que muda com o resultado é o nível de conforto na busca pela retomada das relações diplomáticas", disse à CNN.

Para ele, o Irã tem papel essencial por conta da influência na região, sobre países como Afeganistão e Iraque.

Os resultados da eleição motivaram protestos ontem em diversas cidades americanas, como Nova York e Washington, entre outras. Os manifestantes carregavam placas exigindo a recontagem dos votos e dizendo que Ahmadinejad deveria se envergonhar da "manobra para vencer a eleição".

Shariar Etminani, um dos participantes em Washington, afirmou que decidiu participar como uma forma de apoio ao povo iraniano. "Nós fomos esperançosos durante 30 anos e todas as vezes nossas esperanças foram esmagadas. Só queremos mostrar nosso apoio ao povo do Irã", disse.

Comentários dos leitores
Valentin Makovski (217) 03/11/2009 15h23
Valentin Makovski (217) 03/11/2009 15h23
Eu não duvido de nada, se os EUA em alguns anos, implantarem algumas bases de mísseis de longo alcance no Iraque, pois estão lá e tem mais de 100 mil soldados, agora lógico. A Russia esta fazendo o mesmo apoio ao Irã, Pra ser mais exato, a guerra fria ainda não acabou só mudou de época. Lógico com vantagem dos EUA, mas a Russia tem seus prô e contras, ainda tem tecnologia suficiente e possui o maior arsenal de bombas atômicas. EUA estão no paquistão não para combater o Taliban, estão presentes numa região que demanda conflitos eternos, e que sempre terá um para vender armas, e tecnologia. Sabemos de praxe Srs (as) que guerras são grande negócios, em valores astronômicos. Antes não se dava ênfase á aquela região, hoje em dia a região é estratégica para as super potencias, envolve muito dinheiro e conflitos a vista. Por isso tanto interesse e tanta movimentação bélica. sem opinião
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J. R. (1126) 18/10/2009 13h21
J. R. (1126) 18/10/2009 13h21
RU treina soldados iraquianos para proteger seus poços de petróleo.
"O Parlamento iraquiano aprovou nesta terça-feira um acordo de cooperação marítima com o Reino Unido que permitirá o retorno de entre cem e 150 soldados britânicos ao sul do país árabe, para ajudar a treinar a Marinha iraquiana e proteger as instalações petrolíferas."
Este é o sinal obvio que os ingleses se apossaram das companhias de petróleo iraquianas após enforcarem Sadam Hussein e colocarem "testas de ferro e laranjas" da nova elite iraquiana. Como se não bastasse o exército iraquiano vigiará os poços para eles. Provavelmente, após o saque ao tesouro iraquiano, no lugar de ouro e outras moedas, os corsários os encheram de dólares cheirando a tinta. O Irã deve abrir bem os olhos, pois isso é o que é pretendido para eles também. É bom que a revolução dos aiatolás comece a educar seu povo maciçamente, a fim de não facilitar a invasão dos inimigos que sempre contam com que o povo esteja na ignorância.
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J. R. (1126) 28/09/2009 14h07
J. R. (1126) 28/09/2009 14h07
Alguns não querem que o Brasil se aproxime do Irã, outros não querem que se aproxime do criminoso Israel, porém lembrem-se que estão num país que não tem rabo preso. O presidente do Irã virá, o ministro de Israel, Kadafi, Obama. Isso é liberdade e autodeterminação. De que adianta essa panacéia com relação ao mundo árabe? Nada. 1 opinião
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