Mundo
15/06/2009 - 10h20

Oposição faz novo protesto contra reeleição no Irã; conselho investiga denúncias

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da Folha Online

Centenas de oposicionistas desafiaram nesta segunda-feira o decreto do governo e retornaram às ruas da capital Teerã para protestar contra a reeleição do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, na eleição de sexta-feira passada (12).

O líder reformista e candidato derrotado, Mir Hossein Mousavi, acusa o presidente de ter fraudado o resultado da votação e confirmou sua presença na manifestação marcada para a tarde desta segunda-feira, o que acalmou as especulações sobre seu estranho sumiço após o comício eleitoral.

AP
Manifestante queimam lixo em protestos nas primeiras horas desta segunda-feira em Teerã
Manifestante queimam lixo em protestos nas primeiras horas desta segunda-feira em Teerã

Ahmadinejad, reeleito com aproximadamente 62% dos votos, já negou a fraude e comparou a insatisfação dos eleitores com a que os torcedores sentem quando seu time de futebol perde um jogo.

Segundo a rede de televisão CNN, os manifestantes se reuniram na Universidade Teerã para mais um dia de protestos contra Ahmadinejad, apesar do decreto estabelecido pelo governo proibindo as manifestações convocadas por Mousavi.

O jornal espanhol "El País" relata que os oposicionistas gritam slogans contra o presidente como "Morte ao Ditador" e "Onde está meu voto?". A publicação relata ainda que os manifestantes se depararam com dezenas de seguidores do presidente reeleito, a maioria em motocicletas e armados com paus. A imprensa iraniana ignorou os protestos e o governo já advertiu os jornalistas estrangeiros que devem deixar o país assim que suas permissões de permanência expirarem.

"É horrível, vergonhoso e paradoxal o que você vê na TV", disse um apoiador de Mousavi à CNN.

O grupo de direitos Repórteres Sem Fronteiras afirmou que quatro repórteres foram presos por autoridades iranianas, incluindo um jornalista que ganhou o prêmio da organização em 2001. A organização afirmou ainda que não tem informação sobre outros dez repórteres que estavam no país. Vários correspondentes receberam ligações, presumivelmente procedentes do Ministério de Orientação Islâmica, nas quais foram lembrados de que em nenhum caso serão estendidos seus vistos.

Fontes do Ministério de Orientação Islâmica negaram o envio deste fax e falaram da existência de muitos "rumores" no país. Ao menos dois jornalistas estrangeiros foram detidos e outros receberam golpes por parte da polícia e dos Basij enquanto cobriam as manifestações, segunda a agência de notícias Efe.

O assédio à imprensa internacional, que sofre muitas dificuldades para poder informar sobre os atuais distúrbios no Irã, começou no sábado passado (13), com os primeiros protestos da oposição.

Alguns correspondentes estrangeiros, considerados testemunhas incômodas, receberam um fax de advertência dizendo que podiam ser detidos a qualquer momento nas ruas e que seu credenciamento poderia ser retirado.

Manifestação

O opositor Mousavi confirmou em seu site que participará de uma manifestação convocada para esta segunda-feira em Teerã.

Efe/AP
Presidente Mahmoud Ahmadinejad (esq.) ganhou reeleição sob críticas de Mir Mousavi
Presidente Mahmoud Ahmadinejad (esq.) ganhou reeleição sob críticas de Mir Mousavi

Mousavi, que há vários dias estava sob vigilância na própria casa, deve pedir calma aos eleitores depois de uma noite de violência na capital. No mesmo protesto, que inicialmente havia sido proibido pelo Ministério do Interior, estará o também candidato reformista à Presidência Mehdi Karrubi.

Aparentemente, os dois opositores tiveram uma reunião neste domingo à tarde com o líder supremo da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, com quem discutiram a situação do país.

Segundo a agência de notícias Fars, durante o encontro, Khamenei garantiu que as denúncias serão devidamente investigadas. Em troca, pediu a Mousavi que mantenha a calma.

"Em outras eleições, alguns candidatos também tiveram problemas, que foram tratados pelo Conselho dos Guardiães e dentro das vias legais. Naturalmente, as questões devem ser tratadas por meio das vias legais", afirmou Khamenei.

Investigação

O porta-voz do Conselho dos Guardiães, Ali Kadjodai, confirmou nesta segunda-feira que, "a partir de amanhã", o órgão examinará as cartas em que dois dos candidatos à Presidência do Irã denunciam fraudes e falhas nas eleições de sexta-feira (12).

Segundo o Conselho, as cartas foram entregues ontem, e o processo de análise deve durar de "sete a dez dias".

"A lei permite aos candidatos um prazo de três dias para protestar. Portanto, os candidatos têm tempo até o fim do horário comercial de hoje para apresentar suas reclamações", disse Kadjodai, ouvido pela televisão local.

O porta-voz, no entanto, afirmou que o Conselho dos Guardiães só aceitará as queixas que estiverem bem documentadas e que possam ser processadas. "Por exemplo, um dos candidatos reclamou dos debates [na televisão], pelos quais não somos responsáveis. Porém, trataremos da questão das cédulas e da presença de representantes dos candidatos nos colégios eleitorais", acrescentou.

Apesar de ter pedido ao Conselho dos Guardiães que "examine minuciosamente" a carta com as denúncias de Mousavi, no sábado passado (13) o líder supremo deixou claro sua opinião. Em declarações públicas, Khamenei declarou seu apoio à vitória do atual presidente e pediu aos outros candidatos que aceitem o resultado.

O Irã agora aguarda a decisão das autoridades eleitorais sobre o resultado do pleito. Mas, desde a fundação da República Islâmica, há 30 anos, o poderoso Conselho dos Guardiães nunca tomou uma decisão de tal envergadura.

Comentários dos leitores
Valentin Makovski (217) 03/11/2009 15h23
Valentin Makovski (217) 03/11/2009 15h23
Eu não duvido de nada, se os EUA em alguns anos, implantarem algumas bases de mísseis de longo alcance no Iraque, pois estão lá e tem mais de 100 mil soldados, agora lógico. A Russia esta fazendo o mesmo apoio ao Irã, Pra ser mais exato, a guerra fria ainda não acabou só mudou de época. Lógico com vantagem dos EUA, mas a Russia tem seus prô e contras, ainda tem tecnologia suficiente e possui o maior arsenal de bombas atômicas. EUA estão no paquistão não para combater o Taliban, estão presentes numa região que demanda conflitos eternos, e que sempre terá um para vender armas, e tecnologia. Sabemos de praxe Srs (as) que guerras são grande negócios, em valores astronômicos. Antes não se dava ênfase á aquela região, hoje em dia a região é estratégica para as super potencias, envolve muito dinheiro e conflitos a vista. Por isso tanto interesse e tanta movimentação bélica. sem opinião
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J. R. (1126) 18/10/2009 13h21
J. R. (1126) 18/10/2009 13h21
RU treina soldados iraquianos para proteger seus poços de petróleo.
"O Parlamento iraquiano aprovou nesta terça-feira um acordo de cooperação marítima com o Reino Unido que permitirá o retorno de entre cem e 150 soldados britânicos ao sul do país árabe, para ajudar a treinar a Marinha iraquiana e proteger as instalações petrolíferas."
Este é o sinal obvio que os ingleses se apossaram das companhias de petróleo iraquianas após enforcarem Sadam Hussein e colocarem "testas de ferro e laranjas" da nova elite iraquiana. Como se não bastasse o exército iraquiano vigiará os poços para eles. Provavelmente, após o saque ao tesouro iraquiano, no lugar de ouro e outras moedas, os corsários os encheram de dólares cheirando a tinta. O Irã deve abrir bem os olhos, pois isso é o que é pretendido para eles também. É bom que a revolução dos aiatolás comece a educar seu povo maciçamente, a fim de não facilitar a invasão dos inimigos que sempre contam com que o povo esteja na ignorância.
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J. R. (1126) 28/09/2009 14h07
J. R. (1126) 28/09/2009 14h07
Alguns não querem que o Brasil se aproxime do Irã, outros não querem que se aproxime do criminoso Israel, porém lembrem-se que estão num país que não tem rabo preso. O presidente do Irã virá, o ministro de Israel, Kadafi, Obama. Isso é liberdade e autodeterminação. De que adianta essa panacéia com relação ao mundo árabe? Nada. 1 opinião
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