Confronto entre milícia e opositores mata um no Irã, dizem agências
da Folha Online
Ao menos uma pessoa morreu nesta segunda-feira na capital iraniana Teerã em um confronto entre eleitores do candidato opositor reformista Mir Hossein Mousavi e integrantes da milícia islâmica Basij, ligada à Guarda Revolucionária. A informação foi divulgada pelas agências de notícias Efe, que cita testemunhas, e Associated Press, que cita um fotógrafo no local.
Segundo testemunhas ouvidas pela Efe, vários milicianos abriram fogo contra um grupo de manifestantes contrários à reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad na eleição de sexta-feira passada (12). No tiroteio, ao menos uma pessoa foi atingida e morreu.
Cerca de cem mil manifestantes pró-Mousavi foram às ruas de Teerã nesta segunda-feira para o terceiro dia de protestos contra suposta fraude eleitoral no pleito iraniano, que levou às urnas um número recorde de 25 milhões de eleitores.
Segundo os resultados oficiais, Ahmadinejad obteve cerca de 63% dos votos --apesar das pesquisas de intenção de voto mostrarem uma disputa acirrada com Mousavi. O reformista, apoiado pela oposição, afirma que Ahmadinejad fraudou as eleições --acusação que o controverso presidente nega.
Um fotógrafo da Associated Press afirma ter visto uma pessoa ser morta a tiros e muitos outros ficaram gravemente feridos na praça Azadi, na capital.
A agência Reuters também noticia a morte de um manifestante, citando um fotógrafo iraniano. Segundo a agência, tiroteios foram ouvidos em outros três distritos da capital.
A manifestação desta segunda-feira ocorre de maneira pacífica na maior parte da capital, observada de perto por agentes da força de segurança do governo.
Membros das forças de segurança do Irã atiraram para o ar em outros momentos dos três dias de protestos contra a eleição iraniana em um dos distúrbios mais violentos da capital desde a Revolução Islâmica de 1979. Muitos agentes usaram cassetetes para bater em manifestantes que atiraram pedras em manifestantes.
Segurança
Mousavi participou da manifestação a bordo de um carro e cercado por seguranças. Ele se disse disposto a "participar novamente de uma eleição presidencial".
À frente da grande manifestação, estava ainda outro candidato reformista à Presidência do Irã, Mehdi Karubi.
Ambos não apareciam em público desde o anúncio da vitória de Ahmadinejad e as acusações de fraude em uma eleição que levou 25 milhões --número recorde-- às urnas.
A manifestação, promovida por Mousavi, desafia ordem do Ministério do Interior rejeitando protestos eleitorais.
Os manifestantes marcharam da praça Enqelab à praça Azadi, a alguns quilômetros de distância, gritando "morte ao ditador" e "os iranianos preferem a morte à humilhação", e expressando apoio a Mousavi.
Uma centena de policiais posicionados na praça Enqelab não intervieram, mas a rede de telefonia móvel foi cortada na zona do protesto.
Muitos manifestantes ostentavam camisetas ou faixas verdes, a cor de Mousavi, com a inscrição: "Onde está meu voto?".
A televisão estatal não mostrou uma única imagem da manifestação, e sequer a mencionou. As agências de notícias do país, tanto estatais como privadas, fizeram o mesmo.
Além disso, cerca de 200 parentes de manifestantes detidos após os tumultos de sábado passado (13) exigiram sua libertação diante do tribunal revolucionário de Teerã, antes de se dispersar pacificamente.
O presidente Ahmadinejad adiou para esta terça-feira uma viagem à Rússia prevista para hoje. Os ministros das Relações Exteriores da União Europeia pediram ao Irã que investigue a eleição e lamentaram 'o uso da força contra manifestantes pacíficos'.
Vários quilômetros de ruas do centro de Teerã foram tomadas por pessoas que participam da manifestação, de acordo com uma testemunha ouvida pela agência Reuters.
Quando um helicóptero da polícia sobrevoou o local, os participantes vaiaram. Ahmadinejad e o Ministério do Interior negaram que tenha havido fraude na votação.
Investigação
As manifestações da oposição levaram o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei a pedir uma investigação sobre as denúncias de fraude.
O porta-voz do Conselho dos Guardiães, Ali Kadjodai, confirmou nesta segunda-feira que, "a partir de amanhã", o órgão examinará as cartas em que dois dos candidatos à Presidência do Irã denunciam fraudes e falhas nas eleições de sexta-feira (12).
Segundo o Conselho, as cartas foram entregues ontem, e o processo de análise deve durar de "sete a dez dias".
"A lei permite aos candidatos um prazo de três dias para protestar. Portanto, os candidatos têm tempo até o fim do horário comercial de hoje para apresentar suas reclamações", disse Kadjodai, ouvido pela televisão local.
O porta-voz, no entanto, afirmou que o Conselho dos Guardiães só aceitará as queixas que estiverem bem documentadas e que possam ser processadas. "Por exemplo, um dos candidatos reclamou dos debates [na televisão], pelos quais não somos responsáveis. Porém, trataremos da questão das cédulas e da presença de representantes dos candidatos nos colégios eleitorais", acrescentou.
O Irã agora aguarda a decisão das autoridades eleitorais sobre o resultado do pleito. Mas, desde a fundação da República Islâmica, há 30 anos, o poderoso Conselho dos Guardiães nunca tomou uma decisão de tal envergadura.
Com Associated Press, Reuters e Efe
Leia mais notícias sobre as eleições iranianas
- Governo dos EUA se diz preocupado com situação no Irã após eleição
- Interferência vinda do Irã interrompe transmissão da BBC no país
- Protesto contra o presidente reúne milhares no Irã; assista
Outras notícias internacionais
- Obama diz que sistema de saúde é bomba-relógio e pede apoio à reforma
- OMS registra quase 36 mil casos de gripe suína em 76 países
- China prende cinco por desenterrar adolescente para ser "noiva fantasma"
Especial



avalie fechar
"O Parlamento iraquiano aprovou nesta terça-feira um acordo de cooperação marítima com o Reino Unido que permitirá o retorno de entre cem e 150 soldados britânicos ao sul do país árabe, para ajudar a treinar a Marinha iraquiana e proteger as instalações petrolíferas."
Este é o sinal obvio que os ingleses se apossaram das companhias de petróleo iraquianas após enforcarem Sadam Hussein e colocarem "testas de ferro e laranjas" da nova elite iraquiana. Como se não bastasse o exército iraquiano vigiará os poços para eles. Provavelmente, após o saque ao tesouro iraquiano, no lugar de ouro e outras moedas, os corsários os encheram de dólares cheirando a tinta. O Irã deve abrir bem os olhos, pois isso é o que é pretendido para eles também. É bom que a revolução dos aiatolás comece a educar seu povo maciçamente, a fim de não facilitar a invasão dos inimigos que sempre contam com que o povo esteja na ignorância.
avalie fechar
avalie fechar