Mundo
15/06/2009 - 15h48

Liderados pela UE, países pressionam Irã para investigar eleição

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da Folha Online

A União Europeia (UE) ampliou nesta segunda-feira a pressão sobre o governo iraniano para que concorde com as exigências da oposição de uma investigação sobre fraude eleitoral no pleito que reelegeu o presidente Mahmoud Ahmadinejad. O atual presidente recebeu cerca de 63% dos 25 milhões de votos, um resultado que surpreendeu a oposição e gerou três dias de intensos protestos dos apoiadores do líder oposicionista e reformista, Mir Hossein Mousavi.

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A França, Alemanha e Reino Unido lideraram a campanha internacional para persuadir o Irã a esclarecer as denúncias de fraude eleitoral que atraíram ainda a Itália e um conservador discurso do vice-presidente dos Estados Unidos.

A UE pediu nesta segunda-feira às autoridades iranianas que apurem as alegações de fraude nas eleições presidenciais e que respondam às preocupações da comunidade internacional.

AP
Líder pró-reforma, Mir Hossein Mousavi, participa de manifestação contra a reeleição do presidente Ahmadinejad
Líder pró-reforma, Mir Hossein Mousavi, participa de manifestação contra a reeleição do presidente Ahmadinejad

Em declaração divulgada pelos ministros de Relações Exteriores de seus países, a UE expressou sua "profunda preocupação" com a onda de violência registrada no Irã e "o uso da força contra manifestantes pacíficos".

O anúncio foi divulgado horas antes da notícia divulgada pelas agências de notícias de que um manifestante morreu durante confrontos entre eleitores de Mousavi e integrantes da milícia islâmica Basij, ligada à Guarda Revolucionária.

Os 27 ministros, reunidos em Luxemburgo para preparar a próxima cúpula de líderes europeus, disseram estar atentos tanto ao resultado anunciado pela Comissão Eleitoral iraniana, que deu a vitória ao atual presidente, quanto às denúncias de fraude divulgadas pelos candidatos reformistas.

Depois de expressar a preocupação com a violência e o uso da força, a declaração da UE afirma que é "essencial" que os pedidos do povo iraniano "sejam alcançados por meios pacíficos" e que "a liberdade de expressão seja respeitada".

Os ministros lembraram também que contínua sendo uma prioridade para a UE que o Irã responda às preocupações da comunidade internacional, especialmente sobre seu programa nuclear.

Reino Unido

O premiê do Reino Unido, Gordon Brown, adotou um discurso mais radical contra o Irã e fez um alerta nesta segunda-feira a Teerã de que sua resposta aos protestos da oposição afetará suas futuras relações com a comunidade internacional.

"A maneira como o governo responde aos protestos legítimos terá implicações na relação do Irã com o resto do mundo", disse Brown em uma declaração diante do Parlamento do Reino Unido.

Brown pediu ao Irã para que "faça frente às sérias dúvidas que recaíram sobre o desenvolvimento das eleições". "O Irã é uma nação independente que merece nosso respeito e o povo iraniano merece a democracia", acrescentou.

O líder da oposição no Reino Unido, o conservador David Cameron, concordou com o primeiro-ministro ao dizer que "necessitamos de respostas sobre o desenvolvimento dessas eleições iranianas".

Abedin Taherkenareh/Efe
Milhares de seguidores do líder opositor, Mir Hossein Mousavi, participam de protesto contra reeleição no Irã
Milhares de seguidores do líder opositor, Mir Hossein Mousavi, participam de protesto contra reeleição no Irã

França

O Ministério de Relações Exteriores da França convocou nesta segunda-feira o embaixador iraniano em Paris para que explique "os eventos no Irã" e tire "dúvidas sobre a regularidade da apuração" nas eleições presidenciais, informou um porta-voz da Chancelaria francesa.

"A França, como seus sócios na União Europeia, espera respostas claras a suas dúvidas sobre a regularidade da apuração", disse a fonte.

A diplomacia francesa disse esperar "que o embaixador forneça explicações claras sobre os eventos no Irã" e ouça as "preocupações" da França sobre o pleito, contestado por Mousavi, que pediu a anulação da apuração e uma nova votação.

"A França condena as várias detenções, principalmente de personalidades políticas", a repressão brutal as manifestações pacíficas e os vários atentados contra a liberdade de imprensa, de expressão e comunicação", acrescentou a fonte.

Réplica

Mais tarde, a Embaixada do Irã emitiu um comunicado lamentando o que qualificou de "tentativas de apoio" aos manifestantes e aos que "alteram a segurança" do país.

"Nem a França ou qualquer outro país estão em uma situação que lhes permita expressar a menor dúvida sobre a recente eleição presidencial iraniana", comenta a nota.

A Embaixada disse ainda que as autoridades deveriam prestar mais atenção às necessidades dos cidadãos do país, afetados pela "crise econômica e o desemprego" na França.

Espanha

Em declarações dadas à imprensa, o ministro de Relações Exteriores da Espanha, Miguel Ángel Moratinos, pediu às autoridades do Irã que "respondam positivamente" ao pedido de diálogo feito pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.

O Irã, segundo o chefe da diplomacia espanhola, "tem uma responsabilidade muito grande com a paz e a segurança na região, e as autoridades iranianas terão que responder de forma positiva a essa chamada de paz feita pela administração Obama".

Alemanha

A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou em entrevista coletiva que "há sinais de irregularidades", sem dar maiores detalhes.

Já o porta-voz do governo, Thomas Steg, afirmou que o governo alemão "acredita que as alegações de manipulação do voto precisam ser examinadas rapidamente pelos corpos responsáveis para remover dúvidas sobre este resultado".

"Nós estamos muito preocupados sobre o que nós vemos como uma reação exagerada sobre as forças de segurança ao conter os manifestantes, pessoas que têm o direito de expressar suas opiniões", disse.

EUA

Os EUA manifestaram nesta segunda-feira sua preocupação com a situação no Irã após as eleições. O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que a Casa Branca está "preocupada" com o que viu no Irã, país com o qual os EUA cortou relações desde a Revolução Islâmica.

"Obviamente, os iranianos também estão prestando atenção no ocorrido", acrescentou. Gibbs, que em nenhum momento quis falar de fraude, destacou o "entusiasmo" demonstrado pelos jovens iranianos no pleito.

Sobre as declarações feitas no fim de semana pelo vice-presidente Joseph Biden, que disse haver "dúvidas" sobre a legitimidade dos resultados na votação iraniana, o funcionário afirmou que "é preciso saber quais foram os resultados e analisá-los".

"O importante é que as preocupações que temos com o programa de armas nucleares e com o apoio do Irã ao terrorismo não mudaram desde a sexta-feira", ressaltou o porta-voz.

Irã

No Irã, mais de cem mil manifestantes foram às ruas de Teerã para o terceiro dia de protestos contra o resultado das eleições desta sexta-feira (12).

Mousavi participou da manifestação a bordo de um carro e cercado por seguranças. Ele se disse disposto a "participar novamente de uma eleição presidencial".

À frente da grande manifestação, estava ainda outro candidato reformista à Presidência do Irã, Mehdi Karubi. Ambos não apareciam em público desde o anúncio da vitória de Ahmadinejad e as acusações de fraude em uma eleição que levou 25 milhões --número recorde-- às urnas.

O anúncio da vitória de Ahmadinejad surpreendeu a oposição já que as pesquisas de intenção de voto apontavam uma disputa acirrada. Segundo o governo, o atual presidente obteve cerca de 63% dos votos --a acusação afirma que o resultado foi anunciado antes mesmo do fim da apuração.

Os manifestantes marcharam da praça Enqelab à praça Azadi, a alguns quilômetros de distância, gritando "morte ao ditador" e "os iranianos preferem a morte à humilhação", e expressando apoio a Mousavi.

Comentários dos leitores
Valentin Makovski (217) 03/11/2009 15h23
Valentin Makovski (217) 03/11/2009 15h23
Eu não duvido de nada, se os EUA em alguns anos, implantarem algumas bases de mísseis de longo alcance no Iraque, pois estão lá e tem mais de 100 mil soldados, agora lógico. A Russia esta fazendo o mesmo apoio ao Irã, Pra ser mais exato, a guerra fria ainda não acabou só mudou de época. Lógico com vantagem dos EUA, mas a Russia tem seus prô e contras, ainda tem tecnologia suficiente e possui o maior arsenal de bombas atômicas. EUA estão no paquistão não para combater o Taliban, estão presentes numa região que demanda conflitos eternos, e que sempre terá um para vender armas, e tecnologia. Sabemos de praxe Srs (as) que guerras são grande negócios, em valores astronômicos. Antes não se dava ênfase á aquela região, hoje em dia a região é estratégica para as super potencias, envolve muito dinheiro e conflitos a vista. Por isso tanto interesse e tanta movimentação bélica. sem opinião
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J. R. (1126) 18/10/2009 13h21
J. R. (1126) 18/10/2009 13h21
RU treina soldados iraquianos para proteger seus poços de petróleo.
"O Parlamento iraquiano aprovou nesta terça-feira um acordo de cooperação marítima com o Reino Unido que permitirá o retorno de entre cem e 150 soldados britânicos ao sul do país árabe, para ajudar a treinar a Marinha iraquiana e proteger as instalações petrolíferas."
Este é o sinal obvio que os ingleses se apossaram das companhias de petróleo iraquianas após enforcarem Sadam Hussein e colocarem "testas de ferro e laranjas" da nova elite iraquiana. Como se não bastasse o exército iraquiano vigiará os poços para eles. Provavelmente, após o saque ao tesouro iraquiano, no lugar de ouro e outras moedas, os corsários os encheram de dólares cheirando a tinta. O Irã deve abrir bem os olhos, pois isso é o que é pretendido para eles também. É bom que a revolução dos aiatolás comece a educar seu povo maciçamente, a fim de não facilitar a invasão dos inimigos que sempre contam com que o povo esteja na ignorância.
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J. R. (1126) 28/09/2009 14h07
J. R. (1126) 28/09/2009 14h07
Alguns não querem que o Brasil se aproxime do Irã, outros não querem que se aproxime do criminoso Israel, porém lembrem-se que estão num país que não tem rabo preso. O presidente do Irã virá, o ministro de Israel, Kadafi, Obama. Isso é liberdade e autodeterminação. De que adianta essa panacéia com relação ao mundo árabe? Nada. 1 opinião
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