Liderados pela UE, países pressionam Irã para investigar eleição
da Folha Online
A União Europeia (UE) ampliou nesta segunda-feira a pressão sobre o governo iraniano para que concorde com as exigências da oposição de uma investigação sobre fraude eleitoral no pleito que reelegeu o presidente Mahmoud Ahmadinejad. O atual presidente recebeu cerca de 63% dos 25 milhões de votos, um resultado que surpreendeu a oposição e gerou três dias de intensos protestos dos apoiadores do líder oposicionista e reformista, Mir Hossein Mousavi.
Líder supremo está acima de presidente; saiba mais
A França, Alemanha e Reino Unido lideraram a campanha internacional para persuadir o Irã a esclarecer as denúncias de fraude eleitoral que atraíram ainda a Itália e um conservador discurso do vice-presidente dos Estados Unidos.
A UE pediu nesta segunda-feira às autoridades iranianas que apurem as alegações de fraude nas eleições presidenciais e que respondam às preocupações da comunidade internacional.
| AP | ||
![]() |
||
| Líder pró-reforma, Mir Hossein Mousavi, participa de manifestação contra a reeleição do presidente Ahmadinejad |
Em declaração divulgada pelos ministros de Relações Exteriores de seus países, a UE expressou sua "profunda preocupação" com a onda de violência registrada no Irã e "o uso da força contra manifestantes pacíficos".
O anúncio foi divulgado horas antes da notícia divulgada pelas agências de notícias de que um manifestante morreu durante confrontos entre eleitores de Mousavi e integrantes da milícia islâmica Basij, ligada à Guarda Revolucionária.
Os 27 ministros, reunidos em Luxemburgo para preparar a próxima cúpula de líderes europeus, disseram estar atentos tanto ao resultado anunciado pela Comissão Eleitoral iraniana, que deu a vitória ao atual presidente, quanto às denúncias de fraude divulgadas pelos candidatos reformistas.
Depois de expressar a preocupação com a violência e o uso da força, a declaração da UE afirma que é "essencial" que os pedidos do povo iraniano "sejam alcançados por meios pacíficos" e que "a liberdade de expressão seja respeitada".
Os ministros lembraram também que contínua sendo uma prioridade para a UE que o Irã responda às preocupações da comunidade internacional, especialmente sobre seu programa nuclear.
Reino Unido
O premiê do Reino Unido, Gordon Brown, adotou um discurso mais radical contra o Irã e fez um alerta nesta segunda-feira a Teerã de que sua resposta aos protestos da oposição afetará suas futuras relações com a comunidade internacional.
"A maneira como o governo responde aos protestos legítimos terá implicações na relação do Irã com o resto do mundo", disse Brown em uma declaração diante do Parlamento do Reino Unido.
Brown pediu ao Irã para que "faça frente às sérias dúvidas que recaíram sobre o desenvolvimento das eleições". "O Irã é uma nação independente que merece nosso respeito e o povo iraniano merece a democracia", acrescentou.
O líder da oposição no Reino Unido, o conservador David Cameron, concordou com o primeiro-ministro ao dizer que "necessitamos de respostas sobre o desenvolvimento dessas eleições iranianas".
| Abedin Taherkenareh/Efe | ||
![]() |
||
| Milhares de seguidores do líder opositor, Mir Hossein Mousavi, participam de protesto contra reeleição no Irã |
França
O Ministério de Relações Exteriores da França convocou nesta segunda-feira o embaixador iraniano em Paris para que explique "os eventos no Irã" e tire "dúvidas sobre a regularidade da apuração" nas eleições presidenciais, informou um porta-voz da Chancelaria francesa.
"A França, como seus sócios na União Europeia, espera respostas claras a suas dúvidas sobre a regularidade da apuração", disse a fonte.
A diplomacia francesa disse esperar "que o embaixador forneça explicações claras sobre os eventos no Irã" e ouça as "preocupações" da França sobre o pleito, contestado por Mousavi, que pediu a anulação da apuração e uma nova votação.
"A França condena as várias detenções, principalmente de personalidades políticas", a repressão brutal as manifestações pacíficas e os vários atentados contra a liberdade de imprensa, de expressão e comunicação", acrescentou a fonte.
Réplica
Mais tarde, a Embaixada do Irã emitiu um comunicado lamentando o que qualificou de "tentativas de apoio" aos manifestantes e aos que "alteram a segurança" do país.
"Nem a França ou qualquer outro país estão em uma situação que lhes permita expressar a menor dúvida sobre a recente eleição presidencial iraniana", comenta a nota.
A Embaixada disse ainda que as autoridades deveriam prestar mais atenção às necessidades dos cidadãos do país, afetados pela "crise econômica e o desemprego" na França.
Espanha
Em declarações dadas à imprensa, o ministro de Relações Exteriores da Espanha, Miguel Ángel Moratinos, pediu às autoridades do Irã que "respondam positivamente" ao pedido de diálogo feito pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama.
O Irã, segundo o chefe da diplomacia espanhola, "tem uma responsabilidade muito grande com a paz e a segurança na região, e as autoridades iranianas terão que responder de forma positiva a essa chamada de paz feita pela administração Obama".
Alemanha
A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou em entrevista coletiva que "há sinais de irregularidades", sem dar maiores detalhes.
Já o porta-voz do governo, Thomas Steg, afirmou que o governo alemão "acredita que as alegações de manipulação do voto precisam ser examinadas rapidamente pelos corpos responsáveis para remover dúvidas sobre este resultado".
"Nós estamos muito preocupados sobre o que nós vemos como uma reação exagerada sobre as forças de segurança ao conter os manifestantes, pessoas que têm o direito de expressar suas opiniões", disse.
EUA
Os EUA manifestaram nesta segunda-feira sua preocupação com a situação no Irã após as eleições. O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que a Casa Branca está "preocupada" com o que viu no Irã, país com o qual os EUA cortou relações desde a Revolução Islâmica.
"Obviamente, os iranianos também estão prestando atenção no ocorrido", acrescentou. Gibbs, que em nenhum momento quis falar de fraude, destacou o "entusiasmo" demonstrado pelos jovens iranianos no pleito.
Sobre as declarações feitas no fim de semana pelo vice-presidente Joseph Biden, que disse haver "dúvidas" sobre a legitimidade dos resultados na votação iraniana, o funcionário afirmou que "é preciso saber quais foram os resultados e analisá-los".
"O importante é que as preocupações que temos com o programa de armas nucleares e com o apoio do Irã ao terrorismo não mudaram desde a sexta-feira", ressaltou o porta-voz.
Irã
No Irã, mais de cem mil manifestantes foram às ruas de Teerã para o terceiro dia de protestos contra o resultado das eleições desta sexta-feira (12).
Mousavi participou da manifestação a bordo de um carro e cercado por seguranças. Ele se disse disposto a "participar novamente de uma eleição presidencial".
À frente da grande manifestação, estava ainda outro candidato reformista à Presidência do Irã, Mehdi Karubi. Ambos não apareciam em público desde o anúncio da vitória de Ahmadinejad e as acusações de fraude em uma eleição que levou 25 milhões --número recorde-- às urnas.
O anúncio da vitória de Ahmadinejad surpreendeu a oposição já que as pesquisas de intenção de voto apontavam uma disputa acirrada. Segundo o governo, o atual presidente obteve cerca de 63% dos votos --a acusação afirma que o resultado foi anunciado antes mesmo do fim da apuração.
Os manifestantes marcharam da praça Enqelab à praça Azadi, a alguns quilômetros de distância, gritando "morte ao ditador" e "os iranianos preferem a morte à humilhação", e expressando apoio a Mousavi.
Leia mais notícias sobre as eleições iranianas
- Confronto entre milícia e opositores mata um no Irã, dizem agências
- Governo dos EUA se diz preocupado com situação no Irã após eleição
- Interferência vinda do Irã interrompe transmissão da BBC no país
Outras notícias internacionais
- Obama diz que sistema de saúde é bomba-relógio e pede apoio à reforma
- OMS registra quase 36 mil casos de gripe suína em 76 países
- China prende cinco por desenterrar adolescente para ser "noiva fantasma"
Especial




avalie fechar
"O Parlamento iraquiano aprovou nesta terça-feira um acordo de cooperação marítima com o Reino Unido que permitirá o retorno de entre cem e 150 soldados britânicos ao sul do país árabe, para ajudar a treinar a Marinha iraquiana e proteger as instalações petrolíferas."
Este é o sinal obvio que os ingleses se apossaram das companhias de petróleo iraquianas após enforcarem Sadam Hussein e colocarem "testas de ferro e laranjas" da nova elite iraquiana. Como se não bastasse o exército iraquiano vigiará os poços para eles. Provavelmente, após o saque ao tesouro iraquiano, no lugar de ouro e outras moedas, os corsários os encheram de dólares cheirando a tinta. O Irã deve abrir bem os olhos, pois isso é o que é pretendido para eles também. É bom que a revolução dos aiatolás comece a educar seu povo maciçamente, a fim de não facilitar a invasão dos inimigos que sempre contam com que o povo esteja na ignorância.
avalie fechar
avalie fechar