Suposto líder da Al Qaeda diz que confessou falsos crimes após tortura
da Efe, em Washington
Um dos supostos líderes da rede terrorista Al Qaeda, afirmou ter sido torturado em Guantánamo e, por isso, ter confessado a participação em mais de 20 planos terroristas, segundo transcrições divulgadas nesta segunda-feira pela CIA (agência central de inteligência dos Estados Unidos).
"Inventei histórias", afirmou Khalid Sheikh Mohammed durante uma audiência em 2007. Considerado o cérebro dos atentados de 11 de setembro de 2001, ele acrescentou que os interrogadores perguntaram sobre o paradeiro de Osama bin Laden, e o suposto dirigente da rede Al Qaeda respondeu que não sabia.
"Depois, me torturaram e eu disse: 'Sim...está nesta região'. Não o conheço. Fui torturado", acrescentou.
Segundo os documentos, que contêm parágrafos ocultos com tinta preta, durante os interrogatórios Mohammed listou 29 conspirações terroristas nas quais disse ter participado.
Em abril, o governo americano liberou documentos da CIA a respeito das controversas táticas de interrogatório da era Bush em que havia a informação de que Mohammed havia sido submetido a 183 simulações de afogamento (waterboarding) durante interrogatórios.
As transcrições divulgadas nesta segunda-feira tornaram-se públicas devido a uma demanda apresentada pela União Americana de Liberdades Civis (ACLU, em inglês), que pediu para conhecer detalhes sobre o programa do governo dos EUA para os detentos em Guantánamo.
Os documentos também incluem declarações de Abu Zubaydah, outro suposto terrorista, que também denunciou ter sido torturado.
"Após meses de sofrimento e tortura, física e mental, não lhes importavam as lesões que me provocaram em um olho, no meu estômago, na bexiga, meu quadril esquerdo e meus órgãos reprodutivos", disse.
"Não lhes importava que quase morri por essas lesões. Os médicos disseram que quase morri em quatro ocasiões", acrescentou.
"Após meses durante os quais quase enlouqueci e perdi minha vida, se asseguraram de que não mentisse", acrescentou.
Um terceiro preso de Guantánamo, identificado como Al Nashiri, disse que foi vítima do uso de waterboarding.
Segundo um porta-voz da ACLU, as declarações dos detentos constituem uma nova prova das "torturas brutais e dos abusos" cometidos pelos interrogadores da CIA.
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