Paquistão e Índia terão reunião, após sete meses de distância
da Efe, em Islamabad
da Folha Online
O presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, informou nesta terça-feira que entrou em acordo com o premiê da Índia, Manmohan Singh, para realizar uma reunião entre seus secretários de Exteriores em no máximo um mês. O diálogo entre ambos os vizinhos está congelado desde novembro passado, quando terroristas realizaram ataques simultâneos a pontos importantes da cidade indiana de Mumbai e mataram 166 pessoas.
O porta-voz de Presidência do Paquistão, Farhatullah Babar, afirmou, em nota, que a reunião será em uma "data conveniente" para ambos os lados e configurará uma nova "oportunidade" para o processo de diálogo.
| Sergei Karpukhin/Reuters |
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| O paquistanês Zardari (à esq.) e o indiano Singh em foto oficial de encontro na Rússia |
Embora o governo indiano não tenha divulgado um comunicado sobre o encontro, fontes oficiais citadas pela imprensa indiana asseguraram que a reunião entre os secretários de Exteriores será sobre o combate ao terrorismo e que não significa que o diálogo formal entre as partes será retomado.
O encontro dos secretários indiano e paquistanês --Shivshankar Menon e Salman Bashir, respectivamente-- será antes da cúpula do Movimento dos Países Não-Alinhados, que será em meados de julho que vem, no Egito, onde Singh e Zardari deverão se encontrar de novo.
Os líderes paquistanês e indiano tomaram a decisão na cidade de Ecaterimburgo, na Rússia, onde participam da cúpula da Organização de Cooperação de Xangai (SCO, em sua sigla em inglês). Em Ecaterimburgo, Singh disse a Zardari que "o território do Paquistão não deve ser utilizado para o terrorismo". O presidente paquistanês, segundo o comunicado de seu gabinete de imprensa, reiterou seu desejo de colaborar com a Índia para levar os culpados dos ataques de Mumbai à Justiça.
Índia e Paquistão --ambos detetores de arsenais nucleares-- mantinham rodadas de diálogo desde 2004, centradas na cooperação econômica, no combate ao terrorismo e em disputas territoriais, sendo a mais importante delas na Caxemira. Esses diálogos, porém, acabaram após os atentados de Mumbai.
Conforme o governo indiano, foi o grupo de origem paquistanesa Lashkar-e-Taiba que enviou a Mumbai, capital financeira indiana, homens armados que atacaram dois hotéis de luxo, uma estação de trem e pontos de concentração de estrangeiros. Nos hotéis, o cerco a terroristas, que mantinham reféns, durou aproximadamente três dias.
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