Mundo
18/06/2009 - 03h35

Nas minhas últimas horas no Irã, não posso circular, relata jornalista

Publicidade

da Folha Online

A Primavera de Teerã está nas ruas, mas não posso usar nem celular nem internet em minhas últimas oito horas na cidade. Está tudo bloqueado. Em teoria, não posso nem circular, relata o enviado especial Raul Juste Lores em reportagem da Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

Em meio aos protestos da oposição e bloqueios impostos pelo governo iraniano, a imprensa estrangeira foi abafada após a cobertura eleitoral. "O governo cancelou a credencial dos jornalistas estrangeiros. O trânsito é mínimo. Por medo de mais distúrbios e das milícias pró-Ahmadinejad que circulam armadas em motos pela cidade, lojas e empresas fecham mais cedo", afirma.

Conheça os indícios da suposta fraude na eleição
Líder supremo está acima do presidente; entenda
Golpe e revolução marcam o último século no Irã
Leia mais relatos no blog de Raul Juste Lores

Segundo o correspondente, que viajou a Dubai (Emirados Árabes Unidos), nas ruas da capital iraniana já se teme um golpe. "Isto é o início de um golpe de Estado, tem militar por todo lado, querem vocês jornalistas fora daqui", diz o funcionário de um hotel usado pelos repórteres. "Quando não tiver mais ninguém de fora para ver, o que será de nós?".

Leia o relato completo na Folha desta quinta-feira, que já está nas bancas.

Tecnologia de oposição

Moradores locais, munidos de celulares e câmeras digitais, se tornaram as grandes fontes para noticiar os protestos no país, já que a imprensa internacional não pode mais estar presente. A internet e o telefone foram bloqueados em várias partes.

O governo do Irã tem tentado impedir que a imprensa registre os protestos realizados contra a eleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad. Apoiadores de candidatos da oposição, como ex-primeiro-ministro Mir Hossein Mousavi, têm saído as ruas para criticar a suposta fraude na eleição. Confrontos já deixaram sete mortos.

O novo protesto, marcado para esta quinta-feira, visa manter a pressão no governo pela anulação da votação, que deu a reeleição a Ahmadinejad com cerca de 63% dos votos contra 34% de Mousavi. O opositor convocou ainda a um dia de luto pelos mortos.

O Conselho de Guardiães, órgão de 12 integrantes que é o pilar da teocracia iraniana, rejeitou nesta anular o pleito e aceitou fazer uma recontagem parcial dos votos, válida somente para as urnas cuja integridade foi questionada. Mousavi rejeitou a proposta como insuficiente.

AP//Fars
Manifestante oposicionista cobre o rosto com a cor verde, símbolo da oposição, em mais um dia de protesto no Irã
Manifestante oposicionista cobre o rosto com a cor verde, símbolo da oposição, em mais um dia de protesto no Irã

Assine a Folha

Comentários dos leitores
Valentin Makovski (217) 03/11/2009 15h23
Valentin Makovski (217) 03/11/2009 15h23
Eu não duvido de nada, se os EUA em alguns anos, implantarem algumas bases de mísseis de longo alcance no Iraque, pois estão lá e tem mais de 100 mil soldados, agora lógico. A Russia esta fazendo o mesmo apoio ao Irã, Pra ser mais exato, a guerra fria ainda não acabou só mudou de época. Lógico com vantagem dos EUA, mas a Russia tem seus prô e contras, ainda tem tecnologia suficiente e possui o maior arsenal de bombas atômicas. EUA estão no paquistão não para combater o Taliban, estão presentes numa região que demanda conflitos eternos, e que sempre terá um para vender armas, e tecnologia. Sabemos de praxe Srs (as) que guerras são grande negócios, em valores astronômicos. Antes não se dava ênfase á aquela região, hoje em dia a região é estratégica para as super potencias, envolve muito dinheiro e conflitos a vista. Por isso tanto interesse e tanta movimentação bélica. sem opinião
avalie fechar
J. R. (1126) 18/10/2009 13h21
J. R. (1126) 18/10/2009 13h21
RU treina soldados iraquianos para proteger seus poços de petróleo.
"O Parlamento iraquiano aprovou nesta terça-feira um acordo de cooperação marítima com o Reino Unido que permitirá o retorno de entre cem e 150 soldados britânicos ao sul do país árabe, para ajudar a treinar a Marinha iraquiana e proteger as instalações petrolíferas."
Este é o sinal obvio que os ingleses se apossaram das companhias de petróleo iraquianas após enforcarem Sadam Hussein e colocarem "testas de ferro e laranjas" da nova elite iraquiana. Como se não bastasse o exército iraquiano vigiará os poços para eles. Provavelmente, após o saque ao tesouro iraquiano, no lugar de ouro e outras moedas, os corsários os encheram de dólares cheirando a tinta. O Irã deve abrir bem os olhos, pois isso é o que é pretendido para eles também. É bom que a revolução dos aiatolás comece a educar seu povo maciçamente, a fim de não facilitar a invasão dos inimigos que sempre contam com que o povo esteja na ignorância.
1 opinião
avalie fechar
J. R. (1126) 28/09/2009 14h07
J. R. (1126) 28/09/2009 14h07
Alguns não querem que o Brasil se aproxime do Irã, outros não querem que se aproxime do criminoso Israel, porém lembrem-se que estão num país que não tem rabo preso. O presidente do Irã virá, o ministro de Israel, Kadafi, Obama. Isso é liberdade e autodeterminação. De que adianta essa panacéia com relação ao mundo árabe? Nada. 1 opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (471)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca