Ex-premiê britânico sabia de tortura em suspeitos, diz jornal
da Efe, em Londres
O ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair conhecia a política que tolerava as torturas de suspeitos na luta antiterrorista dos Estados Unidos, revela o jornal britânico "The Guardian" nesta quinta-feira.
Essa política, que possibilitou a tortura de cidadãos britânicos, entre outros, foi criada após os ataques terroristas de 11 de Setembro contra os Estados Unidos.
Os agentes dos serviços de inteligência do Reino Unido, MI5 e MI6, receberam instruções escritas de que não deviam dar a impressão de tolerar as torturas nem deviam eles mesmos realizá-las. Apesar disso, eles não tinham qualquer permissão para impedir os maus-tratos dos prisioneiros pelas autoridades americanas.
Essa política certamente viola a legislação internacional em matéria de direitos humanos, segundo Philippe Sand, um dos especialistas consultados pelo jornal.
O Reino Unido é obrigado a evitar qualquer tipo de cumplicidade com esse tipo de práticas por ter assinado a convenção contra a tortura das Nações Unidas.
A política britânica em relação aos suspeitos de terrorismo foi determinada através de instruções escritas enviadas aos agentes em janeiro de 2002. Essas instruções diziam que os agentes podiam se queixar aos funcionários americanos sobre o mau-trato de supostos terroristas "se as circunstâncias permitissem".
Segundo o "Guardian", o ex-líder trabalhista deu a entender que tinha conhecimento da existência dessa política em meados de 2004, poucas semanas depois da publicação de algumas fotos relacionadas com os abusos cometidos contra os detidos na prisão de Abu Ghraib (Iraque) por militares americanos.
O ministro de Relações Exteriores britânico, David Miliband, explicou nesta terça-feira no Parlamento que foi então que se decidiu modificar a política para torná-la mais "formal".
Em carta enviada ao comitê parlamentar de inteligência e segurança, Blair explicava que, em vez de apresentar queixas, os agentes britânicos que interrogassem os detidos ou supervisionassem seus interrogatórios deviam informar se eles estavam sendo submetidos a "tratamentos desumanos ou degradantes".
Segundo o "Guardian", os agentes do MI5 têm atualmente instruções de não voltar a interrogar uma pessoa caso ela se queixe de ter sofrido torturas.
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