Mundo
19/06/2009 - 10h22

Líder supremo do Irã nega fraude em eleição e alerta manifestantes

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da Folha Online

Em sua primeira aparição pública desde o início da crise política no Irã, o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, defendeu a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, rejeitou as denúncias da oposição de fraude eleitoral e alertou os manifestantes que devem parar com os protestos que ocupam as ruas de Teerã há seis dias.

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Em um discurso agressivo, segundo analistas iranianos e regionais, Khamenei encerrou a esperança da oposição por negociação e afirmou que os manifestantes seriam "responsabilizados pelo caos" se não encerrarem os dias de protestos massivos --os piores desde a Revolução Islâmica de 1979.

Meisam Hosseini/AP
Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ouve discurso do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, em sua defesa
Presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ouve discurso do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, em sua defesa

"Há uma diferença de 11 milhões de votos. Como alguém pode fraudar 11 milhões de votos?", disse. "O povo escolheu quem queria. A eleição demonstrou a confiança no regime islâmico", disse, argumentando que o pleito teve uma participação recorde de 85%.

Khamenei foi comedido em sua defesa a Ahmadinejad, que ouviu de perto o discurso. Ele afirmou que suas ideias estão mais próximas das de ahmadinejad do que das propostas da oposição. Embora cauteloso, o discurso deve dar força à autodefesa de Ahmadinejad, que afirmou em entrevista que suas declarações foram tiradas de contexto e que sua reeleição é uma vitória de todos.

Khamenei afirmou ainda que qualquer dúvida sobre os resultados das eleições de 12 de junho deve ser investigada por meio dos canais legais e pediu que os oposicionistas abandonem os protestos diárias nas ruas do centro de Teerã.

Ele confirmou a reeleição do presidente Ahmadinejad com 24,5 milhões de votos, de um total de 40 milhões, e descartou uma fraude na vitória do ultraconservador. Ele afirmou que a vitória do presidente é "definitiva" e, por isso, não há justificativa para a anulação do pleito --pedido dos oposicionistas.

Ahmadinejad ganhou a reeleição na eleição do último dia 12 de junho com cerca de 63% dos votos contra 34% do reformista Mir Hossein Mousavi, principal líder da oposição. Mousavi, apoiado por outros reformistas, acusou Ahmadinejad de fraudar o pleito, com atraso na entrega de cédulas, violação de urnas em setores rurais e outras denúncias de irregularidade que somaram 646 queixas ao Conselho dos Guardiães, órgão legislativo responsável por ratificar o resultado do pleito.

Histórico

Em um sermão para dezenas de milhares de pessoas na Universidade de Teerã, Khamenei destacou o fato de que cerca de 40 milhões de iranianos --85% da população-- apoiaram com seu voto os princípios da revolução em uma "festa histórica".

Meisam Hosseini/AP
Líder supremo diz que vitória de Ahmadinejad foi "definitiva" e alertou manifestantes contra protestos
Líder supremo diz que vitória de Ahmadinejad foi "definitiva" e alertou manifestantes contra protestos

O discurso de Khamenei foi visto como um duro golpe para os oposicionistas, já que ele era visto como única porta de negociação com o governo. Khamenei foi quem intercedeu no Conselho de Guardiães, um órgão legislativo de 12 integrantes que é o pilar da teocracia iraniana, para avaliar a denúncia de fraude da oposição, liderada pelo candidato reformista moderado Mir Hossein Mousavi.

O Conselho rejeitou a proposta de anular a votação, mas aceitou fazer a recontagem parcial, das urnas contestadas pela oposição. Segundo um porta-voz do organismo, a oposição apresentou 646 queixas de fraude, incluindo a falta e o atraso na chegada de cédulas aos colégios eleitorais, pressão sobre os eleitores e o itinerário alterado de urnas em zonas rurais.

Culpa

O líder supremo iraniano também acusou os "inimigos do Islã" de tentar provocar inquietação entre os muçulmanos, mas disse que desde o início da Revolução Islâmica, há 30 anos, muitos eventos podiam ter derrubado o sistema, mas "o navio sempre atracou no porto".

"Depois dos protestos nas ruas, algumas potências estrangeiras [...] começaram a interferir nos assuntos do Estado questionando o resultado do voto. Eles não conhecem a nação iraniana. Eu condeno duramente tal interferência", disse Khamenei.

Após o início dos protestos, muitos países ocidentais criticaram a postura do governo e pediram que Ahmadinejad investigasse as denúncias de fraude. A União Europeia foi quem adotou o discurso mais rígido. A França chegou a convocar o embaixador iraniano no país para justificar-se e o Reino Unido advertiu que a crise poderia afetar as relações bilaterais.

Os Estados Unidos, país considerado grande inimigo do Irã, preferiram adotar um tom mais cauteloso. O presidente dos EUA, Barack Obama, fez manifestações comedidas de apoio ao direito de manifestação e em favor do respeito à vontade dos eleitores iranianos, dosadas com declarações de imparcialidade.

Khamenei, contudo, não poupou Washington. "Os comentários americanos sobre os direitos humanos e limitações sobre as pessoas não são aceitáveis porque eles não têm ideia sobre o que é direito humano depois do que fizeram no Afeganistão e no Irã e em outras partes do mundo. Nós não precisamos de conselho sobre direitos humanos deles", completou.

Nesta semana, o governo iraniano lançou uma campanha para tentar conter os efeitos dos protestos em sua imagem internacional que inclui a expulsão de todos os jornalistas e agências de notícias estrangeiras e a proibição de conteúdo que "crie tensão" na Internet --último veículo de expressão dos oposicionistas em um país onde censura é rotina.

Ahmadinejad

Ahmadinejad saiu em sua própria defesa e concedeu entrevista a uma agência estatal para rebater as críticas da oposição e dos países ocidentais.

Após comparar os protestos por suposta fraude eleitoral da oposição, que já duram quase uma semana, com reclamações de torcedores de um time de futebol que perdeu, o ultraconservador afirmou que suas declarações foram tiradas de contexto.

"Eu falava daqueles que começaram os distúrbios, iniciaram incêndios e atacaram as pessoas", disse Ahmadinejad à agência estatal IRINN. "Eu afirmei que essas [pessoas] são nada, eles não são nem ao menos parte da nação do Irã. Eles são alienados na relação com o Irã."

No domingo (14), em um comício pela sua vitória na praça Vali-e Asr, em Teerã, Ahmadinejad afirmou que a nação iraniana está unida. "Em um jogo de futebol, há 50 mil a 70 mil expectadores. Aqueles cujo time perdeu estão bravos e farão qualquer coisa para libertar sua raiva. Quarenta e cinco milhões de pessoas participaram da eleição no Irã. Elas eram os jogadores e elas determinaram o resultado."

A frase impulsionou os protestos diários em massa da oposição, que grita frases como "morte ao ditador" e "onde está o meu voto?".

Comentários dos leitores
Valentin Makovski (217) 03/11/2009 15h23
Valentin Makovski (217) 03/11/2009 15h23
Eu não duvido de nada, se os EUA em alguns anos, implantarem algumas bases de mísseis de longo alcance no Iraque, pois estão lá e tem mais de 100 mil soldados, agora lógico. A Russia esta fazendo o mesmo apoio ao Irã, Pra ser mais exato, a guerra fria ainda não acabou só mudou de época. Lógico com vantagem dos EUA, mas a Russia tem seus prô e contras, ainda tem tecnologia suficiente e possui o maior arsenal de bombas atômicas. EUA estão no paquistão não para combater o Taliban, estão presentes numa região que demanda conflitos eternos, e que sempre terá um para vender armas, e tecnologia. Sabemos de praxe Srs (as) que guerras são grande negócios, em valores astronômicos. Antes não se dava ênfase á aquela região, hoje em dia a região é estratégica para as super potencias, envolve muito dinheiro e conflitos a vista. Por isso tanto interesse e tanta movimentação bélica. sem opinião
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J. R. (1126) 18/10/2009 13h21
J. R. (1126) 18/10/2009 13h21
RU treina soldados iraquianos para proteger seus poços de petróleo.
"O Parlamento iraquiano aprovou nesta terça-feira um acordo de cooperação marítima com o Reino Unido que permitirá o retorno de entre cem e 150 soldados britânicos ao sul do país árabe, para ajudar a treinar a Marinha iraquiana e proteger as instalações petrolíferas."
Este é o sinal obvio que os ingleses se apossaram das companhias de petróleo iraquianas após enforcarem Sadam Hussein e colocarem "testas de ferro e laranjas" da nova elite iraquiana. Como se não bastasse o exército iraquiano vigiará os poços para eles. Provavelmente, após o saque ao tesouro iraquiano, no lugar de ouro e outras moedas, os corsários os encheram de dólares cheirando a tinta. O Irã deve abrir bem os olhos, pois isso é o que é pretendido para eles também. É bom que a revolução dos aiatolás comece a educar seu povo maciçamente, a fim de não facilitar a invasão dos inimigos que sempre contam com que o povo esteja na ignorância.
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J. R. (1126) 28/09/2009 14h07
J. R. (1126) 28/09/2009 14h07
Alguns não querem que o Brasil se aproxime do Irã, outros não querem que se aproxime do criminoso Israel, porém lembrem-se que estão num país que não tem rabo preso. O presidente do Irã virá, o ministro de Israel, Kadafi, Obama. Isso é liberdade e autodeterminação. De que adianta essa panacéia com relação ao mundo árabe? Nada. 1 opinião
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