Mundo
20/06/2009 - 08h46

Somália pede ajuda militar contra avanço de grupos islâmicos

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da Efe, em Mogadíscio

O presidente do Parlamento da Somália, Sheikh Aden Mohammed Noor, pediu neste sábado aos países vizinhos que enviem tropas a seu país nas próximas 24 horas para defender o governo do país dos grupos islâmicos radicais.

Em entrevista na capital Mogadíscio, Mohammed Noor disse que Etiópia, Quênia, Iêmen e Djibuti deveriam enviar soldados à Somália imediatamente.

Segundo ele, o governo do presidente Sharif Sheikh Ahmed está prestes a ser derrotado por grupos islâmicos liderados pela milícia Al Shabab, que os Estados Unidos vinculam à Al Qaeda.

Ontem, o parlamentar somali Mohammed Hussein Addow foi morto nesta sexta-feira no norte de Mogadício em combates entre as forças governamentais e grupos radicais islâmicos que tentam depor Ahmed.

A instabilidade na Somália levou o governo do Quênia a declarar que não vai ficar parado diante de possíveis ameaças à segurança da região. Um antigo e influente "senhor da guerra" aliado do governo, o parlamentar foi morto quando liderava as milícias governamentais no bairro de Karan da capital somali.

Addow foi a terceira autoridade a morrer em três dias, em um sinal de que o governo não conseguiu retomar o controle da capital, alvo desde o início do mês passado de uma ofensiva de grupos rebeldes. Também foram mortos o ministro de Segurança Interior, Omar Hashi Aden, que morreu em um atentado suicida com pelo menos outras 37 pessoas nesta quinta-feira (18), e o chefe da polícia da capital, coronel Ali Said, morto em combate na quarta-feira (17).

A atual ofensiva rebelde começou em 7 de maio passado, quando os extremistas islâmicos da Shabab e da milícia Hezb Al Islamiya iniciaram um ataque sem precedentes em Mogadício para derrubar o presidente Sharif Sheik Ahmed --o que motivou uma contraofensiva em 22 de maio da parte das forças leais ao governo.

Desde o início dos combates, mais de 300 pessoas morreram, entre civis e combatentes. Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), mais de 122 mil pessoas foram deslocadas na última onda de violência em um país afetado por uma guerra civil desde 1991.

Diante das notícias sobre os combates em Mogadício, o ministro das Relações Exteriores do Quênia disse nesta sexta-feira que seu país não vai ficar parado e permitir que a situação na vizinha Somália se deteriore ainda mais, porque isso, segundo ele, seria uma ameaça à estabilidade regional.

Histórico

Sem um governo central efetivo desde 1991, a Somália tornou-se o sinônimo de um Estado fracassado, e o caos tem permitido as crescentes operações de pirataria nas rotas marítimas que passam pela costa do país.

Mais de 17,7 mil civis foram mortos em dois anos de insurreição islâmica, um milhão de pessoas abandonou suas casas e cerca de 3 milhões de somalis sobrevivem com ajuda alimentar de emergência. A insurgência, que se tornou uma causa nacionalista, age em parte do sul e da região central da Somália, e outras regiões mais ao norte vivem, na prática, de forma autônoma.

O frágil governo somali, cujo controle territorial, ainda assim limitado, restringe-se a Mogadício e à cidade de Baidoa, diz que há pouca esperança de negociar com o Al Shabab. Segundo o governo, os rebeldes não têm agenda política e possuem centenas de estrangeiros extremistas em suas fileiras, o que fortalece a suspeita americana de que o grupo tem conexões com a rede Al Qaeda.

O Al Shabab fazia parte da União dos Tribunais Islâmicos, frente de grupos extremistas que controlou a capital somali, por seis meses em 2006, até ser expulsa do poder pelo governo, com o apoio dos EUA e das forças etíopes.

 

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