Mundo
20/06/2009 - 09h23

Premiê britânico está "ferido" por críticas e pode sair em breve, diz jornal

Publicidade

da France Presse, em Londres
da Folha Online

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, admitiu estar "ferido" pelas críticas que recebe e admitiu que pode abandonar o cargo, segundo entrevista publicada neste sábado pelo jornal "The Guardian".

"Pouco importa até que ponto alguém se sente responsável e pouco importa a integridade (...) e até que ponto alguém se sente ferido pelo que dizem, é preciso viver com isto", destacou Brown. "Para ser honesto, poderia abandonar tudo isso amanhã."

"Não me interessa o que cerca o poder. Não me preocupo se poderei voltar a esses lugares --Downing Street e Chequers--. Não me importaria, em absoluto, e inclusive isto poderia ser bom para meus filhos", afirmou.

"É fácil encontrar alguém para criticar e fazer desta pessoa a origem do problema, mas todos fomos atingidos por um furacão econômico mundial, por um escândalo de gastos inédito na história de Westminster [Parlamento], e estamos no governo há 12 anos."

A autoridade de Brown está seriamente ameaçada pela recente demissão de vários de seus ministros, após o escândalo dos gastos de parlamentares, e pelas recentes derrotas do Partido Trabalhista nas eleições europeias e locais.

Ontem, a Scotland Yard (polícia metropolitana de Londres) informou que vai investigar a relação de um grupo de deputados e lordes com o uso abusivo de verbas parlamentares. Embora a polícia não tenha dado detalhes sobre a investigação ou sobre os envolvidos, a imprensa britânica indica que as atividades se centrarão em políticos acusados de enganar deliberadamente as autoridades ou de reivindicar dinheiro público para hipotecas fraudulentas.

Baixas

O escândalo dos gastos fez com que quase uma dúzia de legisladores deixassem seus cargos e o montante de recursos devolvidos aos cofres públicos superou as 300 mil libras (algo entre R$ 900 mil e R$ 950 mil).

A última a deixar o cargo foi a secretária do Tesouro, Kitty Ussher, que trocou a designação de sua casa em Burnley, na Inglaterra, para não pagar impostos sobre a venda do imóvel. Ela disse que deixava o governo para evitar novos constrangimentos.

Brown --cujos índices de popularidade atingiram os níveis mais baixos de sua gestão-- promoveu uma reforma ministerial no início deste mês e defendeu que os gastos dos parlamentares sejam fiscalizados por um órgão externo como parte da reforma geral do Parlamento.

 

FolhaShop

Digite produto
ou marca