Policiais e manifestantes entram em confronto no Irã; explosão fere 2 perto de mausoléu
da Folha Online
A polícia iraniana impediu neste sábado que um grupo de cerca de 3.000 pessoas entrasse na praça Enghelab (Revolução), no centro de Teerã (capital do Irã), para protestar contra a reeleição do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, um dia depois de o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, ter exigido o fim das manifestações.
Hoje também uma explosão ocorrida próximo ao mausoléu do fundador da República Islâmica do Irã, o aiatolá Ruhollah Khomeini (1902-1989), deixou duas pessoas feridas. Segundo a agência de notícias Reuters,citando a agência iraniana Mehr, a explosão teria sido causada por um suicida --que morreu na explosão.
| Reuters |
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| Policiais de choque impedem manifestantes de entrar em praça no centro de Teerã |
"Há pouco um suicida se explodiu no mausoleu", disse o representante da polícia Hossein Sajedinia à agência Mehr.
Hoje também Conselho dos Guardiães, encarregado de validar as eleições iranianas, recontará 10% das urnas do pleito do último dia 12, denunciado como fraudulento pela oposição.
Testemunhas ouvidas pela agência de notícias AP (Associated Press) disseram que policiais e manifestantes chegaram a se enfrentar na praça Enghelab, gritando "Morte ao ditador" e "Morte à ditadura". A polícia reagiu com canhões d'água e gás lacrimogênio.
Caminhões de combate a incêndio ocupavam posições na praça e policiais de choque cercavam a Universidade de Teerã, onde recentemente ocorreram confrontos entre policiais e manifestantes.
Em pronunciamento ontem, Khamenei confirmou a vitória de Ahmadinejad e a legitimidade da eleição; determinou o fim dos protestos que, para ele, são instrumentos de pressão contra as autoridades e, por isso, desafio à democracia; e atribuiu a violência nas ruas a atos de "extremismo". Ele afirmou ainda que os manifestantes seriam "responsabilizados pelo caos" se não encerrarem os dias de protestos --os piores desde a Revolução Islâmica de 1979.
A Associação de Clérigos Combatentes, que apoia o líder da oposição iraniana Mir Hussein Moussavi, havia cancelado mais cedo uma manifestação prevista para hoje, alegando que não havia obtido a autorização necessária.
O chefe da polícia em Teerã, Ahmad Reza Radan, já havia dito mais cedo que as forças policiais "vão eliminar todo e qualquer grupo de protesto que esteja sendo planejado". O serviço de notícias transmitidas em inglês da TV estatal iraniana informou, segundo a AP, que os serviços de segurança do país foram instruídos a lidar com eventuais protestos, sem especificar que ações seriam adotadas.
Recontagem
O Conselho dos Guardiães declarou que, embora não seja legalmente obrigado, faria a recontagem de 10% das urnas "ao acaso, na presença de representantes dos três candidatos derrotados", disse à TV estatal o porta-voz do Conselho, Abbas Ali Kadkhodaei. Segundo ele, o resultado final e definitivo da votação será anunciado na quarta-feira (24).
Hoje, os três candidatos derrotados na eleição compareceriam a uma reunião extraordinária do Conselho dos Guardiães para analisar as 646 denúncias de fraude apresentadas às autoridades.
No entanto, nenhum dos dois candidatos reformistas, nem Mir Hussein Moussavi nem Mehdi Karroubi, participaram da sessão. Apenas o conservador Mohsen Rezaei esteve presente. Ontem à noite, Kadkhodaei afirmou que os candidatos foram chamados para que expressassem sua opinião e levassem suas queixas aos 12 membros do Conselho antes de uma decisão final.
Apesar do anúncio da recontagem de parte dos votos, em 30 anos de existência, o Conselho dos Guardiães nunca anulou um processo eleitoral.
"Festa histórica"
Em seu pronunciamento, Khamenei destacou o fato de que cerca de 40 milhões de iranianos --85% da população-- apoiaram com seu voto os princípios da revolução em uma "festa histórica".
O discurso de Khamenei foi visto como um duro golpe para os oposicionistas, já que ele era visto como única porta de negociação com o governo. Ele também acusou os "inimigos do Islã" de tentar provocar inquietação entre os muçulmanos, mas disse que desde o início da Revolução Islâmica, há 30 anos, muitos eventos podiam ter derrubado o sistema, mas "o navio sempre atracou no porto".
"Depois dos protestos nas ruas, algumas potências estrangeiras [...] começaram a interferir nos assuntos do Estado questionando o resultado do voto. Eles não conhecem a nação iraniana. Eu condeno duramente tal interferência", disse Khamenei.
Nesta semana, o governo iraniano lançou uma campanha para tentar conter os efeitos dos protestos em sua imagem internacional que inclui a expulsão de todos os jornalistas e agências de notícias estrangeiras e a proibição de conteúdo que 'crie tensão' na Internet --último veículo de expressão dos oposicionistas em um país onde censura é rotina.
Ahmadinejad
Ahmadinejad saiu em sua própria defesa e concedeu entrevista a uma agência estatal para rebater as críticas da oposição e dos países ocidentais. Após comparar os protestos por suposta fraude eleitoral da oposição com reclamações de torcedores de um time de futebol que perdeu, o ultraconservador afirmou que suas declarações foram tiradas de contexto.
"Eu falava daqueles que começaram os distúrbios, iniciaram incêndios e atacaram as pessoas", disse Ahmadinejad à agência estatal Irinn. "Eu afirmei que essas [pessoas] são nada, eles não são nem ao menos parte da nação do Irã. Eles são alienados na relação com o Irã."
No domingo (14), em um comício pela sua vitória na praça Vali-e Asr, em Teerã, Ahmadinejad afirmou que a nação iraniana está unida. "Em um jogo de futebol, há 50 mil a 70 mil expectadores. Aqueles cujo time perdeu estão bravos e farão qualquer coisa para libertar sua raiva. Quarenta e cinco milhões de pessoas participaram da eleição no Irã. Elas eram os jogadores e elas determinaram o resultado."
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"O Parlamento iraquiano aprovou nesta terça-feira um acordo de cooperação marítima com o Reino Unido que permitirá o retorno de entre cem e 150 soldados britânicos ao sul do país árabe, para ajudar a treinar a Marinha iraquiana e proteger as instalações petrolíferas."
Este é o sinal obvio que os ingleses se apossaram das companhias de petróleo iraquianas após enforcarem Sadam Hussein e colocarem "testas de ferro e laranjas" da nova elite iraquiana. Como se não bastasse o exército iraquiano vigiará os poços para eles. Provavelmente, após o saque ao tesouro iraquiano, no lugar de ouro e outras moedas, os corsários os encheram de dólares cheirando a tinta. O Irã deve abrir bem os olhos, pois isso é o que é pretendido para eles também. É bom que a revolução dos aiatolás comece a educar seu povo maciçamente, a fim de não facilitar a invasão dos inimigos que sempre contam com que o povo esteja na ignorância.
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