Somália declara estado de emergência por ofensiva islamita
da Folha Online
O presidente da Somália, Sharif Sheikh Ahmed, declarou nesta segunda-feira estado de emergência em todo o país diante da grande ofensiva da insurgência radical islamita lançada no último dia 7 de maio para derrubar o governo moderado.
"A partir de hoje, o país está em estado de emergência", anunciou Sharif em uma entrevista coletiva. "Após o aumento da violência (...), o governo decidiu declarar estado de emergência".
| Omar Faruk-21jun.09/Reuters |
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| Moradores da capital Mogadíscio fogem da ofensiva islamita que deixou mais de 122 mil pessoas deslocadas na Somália |
O decreto deve ser aprovado pelo Parlamento para entrar em vigor, mas não existe uma data para a convocação do Legislativo.
Em 7 de maio passado, os islamitas extremistas de shehab e da milícia Hezb Al-Islamiya iniciaram uma ofensiva sem precedentes em Mogadíscio para derrubar o presidente --o que motivou uma contraofensiva em 22 de maio da parte das forças leais ao governo.
Desde o início dos combates em maio, mais de 300 pessoas morreram, entre civis e combatentes. Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), mais de 122 mil pessoas foram deslocadas na última onda de violência em um país afetado em uma guerra civil desde 1991.
Nações ocidentais, alguns vizinhos da Somália e o governo temem que, se o caos persistir, mais combatentes terroristas estrangeiros serão atraídos para o chifre da África, aumentando os riscos da região.
Nos últimos três dias, três altos funcionários do governo morreram em ataques, incluindo o ministro da Segurança Interna, Omar Hashi Aden, assassinado na quinta-feira em um atentado suicida na cidade de Beledweyne (300 km ao norte de Mogadíscio), que matou ainda outras 19 pessoas.
Aprovação
Uma força de paz da União Africana (AMISOM), composta de soldados de Uganda e do Burundi, está presente no país desde março de 2007, mas sofre com a falta de efetivos.
Nesta segunda-feira, a UA aprovou o pedido da Somália para que os países vizinhos enviem reforços de tropas no combate aos islamitas.
O presidente da Comissão da UA, Jean Ping, afirmou em comunicado divulgado nesta segunda-feira que o governo somali tem o direito de buscar apoio dos membros da organização e da comunidade internacional.
Os legisladores somalis pediram neste fim de semana pela intervenção militar internacional imediata.
O Quênia afirmou nesta segunda-feira que enviará tropas. Nenhum outro vizinho respondeu ao pedido até o momento.
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