Mundo
22/06/2009 - 10h57

Tribunal Internacional condena ex-dirigente de Ruanda por genocídio

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colaboração para a Folha Online

O Tribunal Penal Internacional para Ruanda condenou nesta segunda-feira um ex-alto-dirigente ruandês a 30 anos de prisão por genocídio e incitação de genocídio. Callixte Kalimanzira, 54, era diretor de gabinete no Ministério do Interior durante o genocídio de 1994.

Segundo o resumo do julgamento, Kalimanzira não matou pessoalmente, mas incentivou os tutsis a se reunirem na colina de Kabuye "quando sabia que milhares deles seriam mortos".

"Em 23 de abril de 1994, Kalimanzira veio a Kabuye com soldados e policiais. Os refugiados tutsis tinham até então repelido os ataques com paus e pedras, mas não podiam resistir às balas", relatou o juiz Dennis Byron.

O massacre de Kabuye, que durou vários dias, foi "uma enorme tragédia humana", afirmou o juiz, ressaltando que Kalimanzira "tinha a intenção de destruir total ou parcialmente o grupo étnico tutsi como tal".

Kalimanzira foi preso em 2005 e se declarou inocente dos crimes. Sua condenação aumentou para 38 o número de julgamentos realizados pelo TPIR. Seis deles resultaram em absolvição.

Criado por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) em novembro de 1994, o TPIR tem como missão procurar e julgar os principais responsáveis pelo genocídio em Ruanda que deixou, segundo a ONU, cerca de 800 mil mortos entre a minoria tutsi e os hutus moderados.

O tribunal tem até o final do próximo ano para completar os julgamentos, e até 2010 para para analisar todos os recursos pendentes antes de encerrar os trabalhos.

Genocídio

O genocídio em Ruanda começou após o avião do presidente Juvenal Habyarimana ter sido derrubado em abril de 1994. Nos cem dias seguintes, cerca de 800 mil pessoas, a maioria integrantes da etnia tutsi, foram mortos por milícias da etnia hutu.

O genocídio terminou quando rebeldes tutsis assumiram controle do país. Cerca de dois milhões de hutus se refugiaram no vizinho Congo desde então.

Com France Presse e Reuters

 

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