"Burca não é símbolo religioso e sim de submissão", diz Sarkozy
da Folha Online
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou nesta segunda-feira que as burcas, véus que cobrem todo o corpo da mulher, incluindo o rosto, não têm lugar na França já que são um símbolo de submissão da mulher e não da religião. O discurso no Parlamento reacendeu a polêmica sobre o tema no país, que proibiu, em 2004, o uso de qualquer símbolo religioso nas escolas públicas.
Durante um discurso solene no Parlamento sobre vários assuntos, Sarkozy apoiou uma iniciativa lançada por legisladores na semana passada sobre o uso cada vez mais disseminado das burcas na França.
"O assunto da burca não é religioso, é uma questão de liberdade e da dignidade da mulher", afirmou Sarkozy em sessão conjunta das duas casas do PArlamento.
"A burca não é um símbolo religioso, é um símbolo de subjugação, da submissão da mulher. Eu quero dizer solenemente que ela não é bem-vinda em nosso território", disse, sob forte aplauso.
Em uma referência a uma iniciativa dos legisladores na semana passada, sugerindo uma comissão parlamentar para avaliar meios de combater a tendência cada vez maior do uso da burca, Sarkozy afirmou que este é o método correto de agir.
"Um debate deve ser realizado e todas as visões precisam ser expressadas. Que melhor lugar que o parlamento para isso? Eu digo a vocês, nós não podemos nos envergonhar de nossos valores, nós não devemos temer defendê-los", disse.
O debate sobre o uso da burca é mais um capítulo da controvérsia de mais de uma década na França sobre o uso de lenços na cabeça por mulheres muçulmanas nas salas de aula. Em 2004, o governo proibiu o uso de todos os símbolos religiosos em escolas estatais.
Críticos afirmam que a lei estigmatizou os muçulmanos em um momento no qual o país deveria combater a discriminação nos locais de trabalho e mercado de emprego que causou grande racha na sociedade entre franceses e imigrantes.
Um porta-voz do governo afirmou nesta sexta-feira que Sarkozy tentará organizar uma comissão parlamentar para estudar o banimento do uso da burca por mulheres muçulmanas fora de casa.
Com Reuters e Associated Press
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