Mundo
23/06/2009 - 16h50

Irã agenda posse de Ahmadinejad, mas estende investigação sofre fraude

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da Folha Online

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, concedeu para os integrantes do Conselho dos Guardiães, máxima instância constitucional do país e responsável pela fiscalização da eleição, cinco dias a mais para o exame de queixas relacionadas à eleição presidencial de 12 de junho passado, anunciou nesta terça-feira a agência oficial Isna.

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Em uma carta dirigida ao guia supremo, o chefe do Conselho, aiatolá Ahmad Khanati, havia afirmado "que o prazo legal para examinar as reclamações referentes à eleição expira nesta quarta-feira [24] e que o senhor deve conceder seu consentimento para estender esse prazo por mais cinco dias a fim de eliminar qualquer ambiguidade". "Dou meu consentimento à sua proposta, ajam nesse sentido", respondeu Khamenei.

O resultado da eleição, que deu vitória ao presidente Mahmoud Ahmadinejad, é duramente contestado pela oposição, que aponta fraude eleitoral. As manifestações contra a reeleição de Ahmadinejad, concentradas na capital Teerã, já configuram a maior crise política do Irã desde a Revolução Islâmica de 1979.

O novo prazo para a investigação, no entanto, parece mera formalidade destinada a apaziguar os protestos oposicionistas, já que o próprio Conselho dos Guardiães descartou nesta terça-feira anular a questionada eleição e anunciou que Ahmadinejad tomará posse entre 26 de julho e 19 de agosto que vem.

Nesta segunda-feira (22), o próprio Conselho de Guardiães admitiu que houve fraude em ao menos 50 cidades do país, nas quais o número de votos superou o de eleitores registrados. No entanto, o órgão entendeu que isso afetou apenas 3 milhões de votos e, por isso, não é suficiente para questionar a vitória de Ahmadinejad.

O conselho, encarregado de validar os resultados do pleito presidencial, recebeu até agora dos três candidatos derrotados --o principal, Mir Hossein Mousavi, Mehdi Karubi e Mohsen Rezai-- 646 queixas de irregularidades na votação.

AP/Reuters
O presidente Ahmadinejad, considerado reeleito pelo Irã, e o líder da oposição, Mousavi, que denuncia fraude
O presidente Ahmadinejad, considerado reeleito pelo Irã, e o líder da oposição, Mousavi, que denuncia fraude

O reformista Mousavi, que aparecia em posição de ameaça a Ahmadinejad nas pesquisas de intenção de voto e que, pelo resultado da eleição, recebeu só 33,75% dos votos, enquanto o presidente recebeu 62,63%, já anunciou que apresentará em breve um relatório de todas as irregularidades ocorridas no pleito.

Neste domingo (21), Mousavi disse que não desistirá de lutar contra o resultado da eleição --da qual, diz, foi o verdadeiro vencedor-- e que está "pronto para o martírio".

O Ministério do Interior do Irã pediu nesta terça-feira que Mousavi "respeite a lei e o voto do povo" e se comporte "em conformidade com a lei".

Fraude

Entre os indícios de fraude, os especialistas apontam o fato de Ahmadinejad aparecer sempre com o dobro de votos de Mousavi nos resultados parciais da apuração, quando é comum que haja variação, graças às diferentes tendências de diferentes regiões do país; e o fato de 39,2 milhões de cédulas terem sido contadas a mão em apenas 12 horas quando, no passado, em eleições com uma menor participação de eleitores, o tempo foi ao menos duas vezes maior.

Há dúvidas ainda por Ahmadinejad ter recebido a maioria dos votos inclusive nas Províncias em que a minoria étnica azeri, a mesma de Mousavi, é majoritária; e pelo clérigo reformista Mehdi Karubi ter conseguido só 0,85% dos votos quando ele obteve 17% no primeiro turno das eleições presidenciais de 2005.

Comentários dos leitores
Valentin Makovski (217) 03/11/2009 15h23
Valentin Makovski (217) 03/11/2009 15h23
Eu não duvido de nada, se os EUA em alguns anos, implantarem algumas bases de mísseis de longo alcance no Iraque, pois estão lá e tem mais de 100 mil soldados, agora lógico. A Russia esta fazendo o mesmo apoio ao Irã, Pra ser mais exato, a guerra fria ainda não acabou só mudou de época. Lógico com vantagem dos EUA, mas a Russia tem seus prô e contras, ainda tem tecnologia suficiente e possui o maior arsenal de bombas atômicas. EUA estão no paquistão não para combater o Taliban, estão presentes numa região que demanda conflitos eternos, e que sempre terá um para vender armas, e tecnologia. Sabemos de praxe Srs (as) que guerras são grande negócios, em valores astronômicos. Antes não se dava ênfase á aquela região, hoje em dia a região é estratégica para as super potencias, envolve muito dinheiro e conflitos a vista. Por isso tanto interesse e tanta movimentação bélica. sem opinião
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J. R. (1126) 18/10/2009 13h21
J. R. (1126) 18/10/2009 13h21
RU treina soldados iraquianos para proteger seus poços de petróleo.
"O Parlamento iraquiano aprovou nesta terça-feira um acordo de cooperação marítima com o Reino Unido que permitirá o retorno de entre cem e 150 soldados britânicos ao sul do país árabe, para ajudar a treinar a Marinha iraquiana e proteger as instalações petrolíferas."
Este é o sinal obvio que os ingleses se apossaram das companhias de petróleo iraquianas após enforcarem Sadam Hussein e colocarem "testas de ferro e laranjas" da nova elite iraquiana. Como se não bastasse o exército iraquiano vigiará os poços para eles. Provavelmente, após o saque ao tesouro iraquiano, no lugar de ouro e outras moedas, os corsários os encheram de dólares cheirando a tinta. O Irã deve abrir bem os olhos, pois isso é o que é pretendido para eles também. É bom que a revolução dos aiatolás comece a educar seu povo maciçamente, a fim de não facilitar a invasão dos inimigos que sempre contam com que o povo esteja na ignorância.
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J. R. (1126) 28/09/2009 14h07
J. R. (1126) 28/09/2009 14h07
Alguns não querem que o Brasil se aproxime do Irã, outros não querem que se aproxime do criminoso Israel, porém lembrem-se que estão num país que não tem rabo preso. O presidente do Irã virá, o ministro de Israel, Kadafi, Obama. Isso é liberdade e autodeterminação. De que adianta essa panacéia com relação ao mundo árabe? Nada. 1 opinião
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