Mundo
24/06/2009 - 08h52

Opositor convoca novo protesto no Irã; líder supremo diz que não cederá

Publicidade

da Folha Online

O candidato reformista derrotado e líder da oposição, Mir Hossein Mousavi, convocou um novo protesto contra fraude no pleito que reelegeu o presidente Mahmoud Ahmadinejad para a manhã desta quarta-feira em frente à sede do Parlamento iraniano. Ele deve fazer um discurso ao lado da mulher, Zahra Rahnavard.

Conheça os indícios da suposta fraude na eleição
Líder supremo está acima do presidente; entenda
Golpe e revolução marcam o último século no Irã
Correntes alternam-se na Presidência desde 1979

Mousavi publicou um texto em seu site no qual convoca seus partidários para um protesto pacífico. A convocação foi distribuída em correntes de e-mails, única forma de comunicação viável diante da censura imposta pelas autoridades iranianas aos jornais estrangeiros e à mídia on-line e blogs.

AP
Jovens iranianos aguardam ônibus em Teerã; cidade deve ser tomada por novo protesto
Jovens iranianos aguardam ônibus em Teerã; cidade deve ser tomada por novo protesto

Também nesta quarta-feira, o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, afirmou que as autoridades não cederão à onda de manifestações da oposição.

"Nos recentes incidentes que envolvem a eleição, eu venho insistindo na aplicação da lei e continuarei. Isso significa que não iremos além do âmbito da lei", disse Khamenei, em um possível recado contra as críticas internacionais sobre abuso do uso da força e violência pelas forças de segurança na contenção dos protestos.

"Nem o sistema, nem o povo vão ceder pela força", declarou.

Mousavi denuncia irregularidades e fraude nos resultados da eleição presidencial que, segundo o Ministério do Interior, resultou na reeleição de Ahmadinejad com cerca de 63% dos votos contra 34% do reformista.

Depois do anúncio dos resultados em 13 de junho, milhares de partidários de Mousavi saíram às ruas para protestar. Segundo números oficiais, ao menos 20 morreram em confrontos entre manifestantes e as forças de segurança iranianas.

No começo dos protestos da oposição, Khamenei assumiu um discurso cauteloso e interveio no Conselho de Guardiães, órgão responsável por ratificar o resultado da eleição, para que avaliassem as 646 denúncias de irregularidades.

Na sexta-feira passada (19), contudo, Khamenei abandonou o tom amigável, rejeitou denúncias de fraude e deu um ultimato para que os oposicionistas deixassem as ruas. Desde então, o governo ampliou o uso da força na contenção dos protestos e os confrontos entre manifestantes e agentes iranianos já deixaram 20 mortos, segundo números oficiais.

Prisão

Bagher Nassir/AP
Presidente Mahmoud Ahmadinejad cumprimenta jornalistas; ele critica oposicionistas
Presidente Mahmoud Ahmadinejad cumprimenta jornalistas; ele critica oposicionistas

As autoridades iranianas ampliaram também a campanha contra a divulgação na imprensa dos protestos da oposição sobre fraude no pleito de 12 de junho. A polícia iraniana prendeu cerca de 20 pessoas na sede do jornal "Kalameh", favorável a Mousavi, informaram fontes ligadas ao opositor.

"No momento em que a polícia invadiu o jornal havia aproximadamente 20 pessoas. Cinco eram do setor administrativo e o restante jornalistas", afirmou a fonte, que preferiu não se identificar. O Irã proibiu jornalistas e agências de notícias estrangeiras de permanecer no país e cobrir o que chama de distúrbios, os protestos em massa da oposição que ocupam as ruas de Teerã desde o anúncio do resultado oficial das eleições.

Segundo a mesma fonte, a redação do jornal, localizada em um edifício no centro de Teerã, já não estava em funcionamento, mas ainda era utilizada como centro de reunião.

A polícia iraniana anunciou que tinha desmantelado o quartel-general dos "sabotadores", "utilizado como base de campanha por um dos candidatos presidenciais" derrotados no dia 12 de junho.

"Após revistar o edifício, que era utilizado pela campanha de um dos candidatos, foi descoberto que aconteciam reuniões ilegais que promoviam os distúrbios e trabalhavam contra a segurança do país", disse a polícia em comunicado divulgado pela agência oficial de notícias Irna.

O comunicado não esclarecia de qual candidato se tratava, mas a emissora pública em inglês PressTV assegurou que o prédio acolhia vários escritórios de Mousavi.

"Há cinco ou seis funcionários administrativos e os demais são jornalistas. Foram detidos na segunda-feira [22]", afirmou Alireza Beheshti, que trabalha na redação do jornal, citada pela agência France Presse. "Os agentes que vieram ao jornal não apresentaram nenhuma ordem", completou.

Beheshti informou ainda que entre os detentos estavam cinco mulheres, que foram colocadas em liberdade na terça-feira (23) à noite.

Com agências internacionais

Comentários dos leitores
Valentin Makovski (217) 03/11/2009 15h23
Valentin Makovski (217) 03/11/2009 15h23
Eu não duvido de nada, se os EUA em alguns anos, implantarem algumas bases de mísseis de longo alcance no Iraque, pois estão lá e tem mais de 100 mil soldados, agora lógico. A Russia esta fazendo o mesmo apoio ao Irã, Pra ser mais exato, a guerra fria ainda não acabou só mudou de época. Lógico com vantagem dos EUA, mas a Russia tem seus prô e contras, ainda tem tecnologia suficiente e possui o maior arsenal de bombas atômicas. EUA estão no paquistão não para combater o Taliban, estão presentes numa região que demanda conflitos eternos, e que sempre terá um para vender armas, e tecnologia. Sabemos de praxe Srs (as) que guerras são grande negócios, em valores astronômicos. Antes não se dava ênfase á aquela região, hoje em dia a região é estratégica para as super potencias, envolve muito dinheiro e conflitos a vista. Por isso tanto interesse e tanta movimentação bélica. sem opinião
avalie fechar
J. R. (1126) 18/10/2009 13h21
J. R. (1126) 18/10/2009 13h21
RU treina soldados iraquianos para proteger seus poços de petróleo.
"O Parlamento iraquiano aprovou nesta terça-feira um acordo de cooperação marítima com o Reino Unido que permitirá o retorno de entre cem e 150 soldados britânicos ao sul do país árabe, para ajudar a treinar a Marinha iraquiana e proteger as instalações petrolíferas."
Este é o sinal obvio que os ingleses se apossaram das companhias de petróleo iraquianas após enforcarem Sadam Hussein e colocarem "testas de ferro e laranjas" da nova elite iraquiana. Como se não bastasse o exército iraquiano vigiará os poços para eles. Provavelmente, após o saque ao tesouro iraquiano, no lugar de ouro e outras moedas, os corsários os encheram de dólares cheirando a tinta. O Irã deve abrir bem os olhos, pois isso é o que é pretendido para eles também. É bom que a revolução dos aiatolás comece a educar seu povo maciçamente, a fim de não facilitar a invasão dos inimigos que sempre contam com que o povo esteja na ignorância.
1 opinião
avalie fechar
J. R. (1126) 28/09/2009 14h07
J. R. (1126) 28/09/2009 14h07
Alguns não querem que o Brasil se aproxime do Irã, outros não querem que se aproxime do criminoso Israel, porém lembrem-se que estão num país que não tem rabo preso. O presidente do Irã virá, o ministro de Israel, Kadafi, Obama. Isso é liberdade e autodeterminação. De que adianta essa panacéia com relação ao mundo árabe? Nada. 1 opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (471)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca