Grupo britânico acusa Sarkozy de "islamofobia" por críticas à burca
da Associated Press, em Paris
Um dos principais grupos muçulmanos do Reino Unido criticou duramente o discurso "ofensivo" do presidente francês, Nicolas Sarkozy, que defendeu uma comissão parlamentar para estudar a proibição do uso da burca --vestimenta que cobre todo o corpo da mulher, inclusive o rosto-- em locais públicos.
O presidente francês afirmou em discurso nesta semana que a burca "não é um símbolo religioso e sim um símbolo da submissão da mulher" e a vestimenta típica das mulheres muçulmanas não é bem-vinda na França.
| Brian Snyder/Reuters |
![]() |
| Mulher muçulmana usa uma burca, vestimenta que cobre todo o corpo, inclusive o rosto; os olhos ficam debaixo de uma tela |
Nesta terça-feira, o Parlamento da França criou uma comissão para estudar o uso da burca. Os 32 membros da comissão, com integrantes dos quatro principais partidos políticos franceses, realizarão audiências que deverão levar a uma legislação banindo a burca de ser usada em público.
A França possui a maior população muçulmana da Europa, aproximadamente 5 milhões de pessoas. Um pequeno, mas crescente grupo de mulheres usa burca ou o niqab --que deixa os olhos à mostra.
"É ofensivo sugerir que estas mulheres muçulmanas que usam a burca o fazem por pressão ou opressão de seus parceiros ou guardiães", disse o secretário-geral assistente do Conselho Muçulmano do Reino Unido, Reefat Drabu, que caracterizou a medida dos políticos franceses como divisiva e capaz de causar reação "islamofóbica" na Europa.
"Tais sugestões podem ser legitimamente percebidas como antagônicas em relação ao Islã", disse.
Um dos políticos muçulmanos mais poderosos do Reino Unido, o ministro de Comunidades, Shahid Malik, engrossou o coro das críticas e afirmou que não é papel do governo decidir o que as pessoas devem ou não usar.
"Esta liberdade de escolher é um dos grandes valores de nossa nação e o motivo pelo qual nós somos reverenciados em todo o mundo", disse. "Não há leis estabelecendo que roupas ou acessórios são aceitáveis e quando alguém decide usar um véu ou uma burca, uma mini-saia ou roupa gótica, é uma escolha completamente individual", disse.
Na segunda-feira (22), Sarkozy disse aos parlamentares que o apoia o fim do uso da burca em público, chamando a vestimenta de "um sinal de submissão" das mulheres.
"Não podemos aceitar que as mulheres sejam prisioneiras atrás de uma tela, cortadas de toda vida social, privadas de toda identidade", disse. "Isso não será bem-vindo no território da República Francesa".
Na semana passada, um grupo de 60 legisladores de todos os partidos políticos assinaram uma petição pedindo um inquérito parlamentar sobre o uso da burca. Grupos muçulmanos e funcionários do governo disseram que é difícil saber quantas mulheres usam burcas e niqabs na França, mas estimaram que são centenas. Elas são mais presentes do que os lenços islâmicos simples.
A comissão criada nesta terça-feira tem seis meses para concluir os trabalhos.
Polêmica
O debate sobre o uso da burca é mais um capítulo da controvérsia de mais de uma década na França sobre o uso de lenços na cabeça por mulheres muçulmanas. Em 2004, o governo proibiu o uso de todos os símbolos religiosos em escolas estatais.
Críticos afirmam que a lei estigmatizou os muçulmanos em um momento no qual o país deveria combater a discriminação nos locais de trabalho e mercado de emprego que causou grande racha na sociedade entre franceses e imigrantes.
Leia mais notícias sobre o uso da burca
- Parlamento da França cria comissão para estudar uso da burca
- "Burca não é símbolo religioso e sim de submissão", diz Sarkozy
- Estilistas da Noruega tentam popularizar a moda da burca
Outras notícias internacionais
- América Latina quer integração econômica, mas não política
- Governo da Argentina pode perder maioria parlamentar em eleição
- Família iraniana simboliza antagonismos da crise política
Especial
livraria



