Mundo
24/06/2009 - 12h12

Governo chinês acusa ativista pró-democracia de subversão

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colaboração para a Folha Online

Um dos mais conhecidos dissidentes chineses, Liu Xiaobo, 53, foi preso por suspeita de incitar subversão, informou nesta quarta-feira a agência estatal de notícias Xinhua. Ele está detido desde dezembro do ano passado em uma prisão secreta em Pequim, mas só agora uma acusação formal foi feita.

Segundo a Xinhua, promotores aceitaram a prisão de Liu por "atividades de agitação com o objetivo de subverter o governo e derrubar o sistema socialista".

Will Burgess/Reuters
Governo chinês acusa ativista Liu Xiaobo de subversão; ele está preso desde dezembro
Governo chinês acusa ativista Liu Xiaobo de subversão; ele está preso desde dezembro

Se indiciado e condenado, o dissidente pode ser sentenciado a no máximo 15 anos de prisão, segundo seu advogado, Mo Shaoping.

A agência de notícias informou que Liu "confessou a acusação em uma investigação policial preliminar".

Mas família e amigos dizem que ele tem sido perseguido injustamente por se expressar de forma pacífica.

"Estou muito preocupada. Ele já foi preso antes. Eles irão culpá-lo e sentenciá-lo", disse à agência Reuters Liu Xia, mulher do ativista.

Histórico

A acusação deixou o mais proeminente crítico do Partido Comunista --que governa a China-- mais perto de ser levado a julgamento, e irá acabar com as expectativas de ativistas de direitos humanos de que ele seria solto após o aniversário de 20 anos dos protestos da praça da Paz Celestial (Tiananmen, em chinês).

Liu tem sido um problema para o governo chinês desde 1989, quando participou de uma greve de fome em apoio a estudantes, dias antes das manifestações --que deixou centenas, talvez milhares, de pessoas mortas.

Naquele ano, ele ficou preso por 20 meses, e foi colocado atrás das grades novamente na década de 90, passando três anos em um campo de trabalho forçado e oito meses em prisão domiciliar.

No ano passado, ele foi detido depois de assinar, junto com outros 302 intelectuais chineses, um documento pedindo reformas pela democracia e pela proteção das liberdades individuais na China.

Desde então, 9.000 pessoas assinaram a petição.

Com Reuters e France Presse

 

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