Governo chinês acusa ativista pró-democracia de subversão
colaboração para a Folha Online
Um dos mais conhecidos dissidentes chineses, Liu Xiaobo, 53, foi preso por suspeita de incitar subversão, informou nesta quarta-feira a agência estatal de notícias Xinhua. Ele está detido desde dezembro do ano passado em uma prisão secreta em Pequim, mas só agora uma acusação formal foi feita.
Segundo a Xinhua, promotores aceitaram a prisão de Liu por "atividades de agitação com o objetivo de subverter o governo e derrubar o sistema socialista".
| Will Burgess/Reuters |
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| Governo chinês acusa ativista Liu Xiaobo de subversão; ele está preso desde dezembro |
Se indiciado e condenado, o dissidente pode ser sentenciado a no máximo 15 anos de prisão, segundo seu advogado, Mo Shaoping.
A agência de notícias informou que Liu "confessou a acusação em uma investigação policial preliminar".
Mas família e amigos dizem que ele tem sido perseguido injustamente por se expressar de forma pacífica.
"Estou muito preocupada. Ele já foi preso antes. Eles irão culpá-lo e sentenciá-lo", disse à agência Reuters Liu Xia, mulher do ativista.
Histórico
A acusação deixou o mais proeminente crítico do Partido Comunista --que governa a China-- mais perto de ser levado a julgamento, e irá acabar com as expectativas de ativistas de direitos humanos de que ele seria solto após o aniversário de 20 anos dos protestos da praça da Paz Celestial (Tiananmen, em chinês).
Liu tem sido um problema para o governo chinês desde 1989, quando participou de uma greve de fome em apoio a estudantes, dias antes das manifestações --que deixou centenas, talvez milhares, de pessoas mortas.
Naquele ano, ele ficou preso por 20 meses, e foi colocado atrás das grades novamente na década de 90, passando três anos em um campo de trabalho forçado e oito meses em prisão domiciliar.
No ano passado, ele foi detido depois de assinar, junto com outros 302 intelectuais chineses, um documento pedindo reformas pela democracia e pela proteção das liberdades individuais na China.
Desde então, 9.000 pessoas assinaram a petição.
Com Reuters e France Presse
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