Polícia paraguaia leva ex-ministro da ditadura de Stroessner para prisão
colaboração da Folha Online
A polícia paraguaia levou nesta quarta-feira para a prisão de Tacumbú, em Assunção, Sabino Montanaro, de 86 anos, ministro do Interior do Paraguai durante a ditadura de Alfredo Stroessner (1954-89). Ele é acusado de ser autor intelectual da tortura e morte do jovem universitário Mario Schaerer Prono, em 1976. Montanaro foi ministro do Interior, responsável pela segurança, entre 1966 e 1989, o período mais duro do regime de Stroessner.
O ex-ministro voltou ao Paraguai há cerca de um mês, após um exílio de 20 anos em Honduras e estava internado em um hospital do Estado, sob escolta policial. A prisão desta quarta-feira aconteceu em meio a uma confusão causada por duas decisões judiciais contraditórias.
"Temos dois ofícios opostos, de qualquer forma, a Polícia Nacional não vai cumprir um deles", disse o diretor do Departamento Judicial do Comissário da Polícia Nacional, Alfredo Pineda.
O encarceramento de Montanaro foi decretado na segunda-feira pelo juiz Andrew Casati, quatro dias depois que outro juiz, Arnaldo Fleitas, havia determinado que ele permanecesse no hospital policial, na condição de detido.
Casati decretou a prisão após o testemunho do secretário-geral da Presidência, Miguel López Perito. O chefe de gabinete do presidente Fernando Lugo participava de uma organização clandestina contra a ditadura e ficou preso juntamente com o líder estudantil morto em 1976.
A ordem de prisão do ex-ministro foi questionada por alguns especialistas, já que as leis paraguaias permitem que os maiores de 70 anos respondam a processos em prisão domiciliar. Além disso, ainda não foi realizado um teste psiquiátrico ordenado pelo juiz Fleitas, que é responsável por outros casos de assassinatos e desaparecimentos na ditadura, para decidir se o réu é capaz de lidar com um processo judicial.
O ex-ministro saiu do hospital em cadeira de rodas e foi transportado em uma ambulância, sob escolta policial. Ele é réu em vários processos de tortura e desaparecimento de opositores durante o regime de Stroessner, que morreu em 2006, exilado no Brasil.
A Comissão da Verdade e Justiça, que investigou as violações dos direitos humanos cometidas pelo regime de Stroessner, concluiu, em agosto de 2008, que pelo menos 59 pessoas foram executadas e 336 desapareceram durante a ditadura.
Com Efe e France Presse
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